Sexta-feira, Novembro 20, 2009

223 km


por Carlos Barbas

Aquele dia de Junho de 2009 foi sem dúvida fantástico para o parapente em Portugal e em especial para mim porque estava presente.

As condições meteorológicas previstas faziam adivinhar grandes voos. Como é costume nestes dias fico bastante agitado e uma ansiedade tremenda invade o meu corpo parecendo adivinhar o dia que aí vem.
A pressão tornou-se ainda maior porque quando cheguei com o Ciby e o Miguel à descolagem, já o Vítor, o Alex e o Pedro Lacerda tinham partido em direcção a Covilhã.
O dia estava realmente fabuloso e mal descolámos já estavamos a 3400 metros de altitude, isto em menos de 15 minutos.
Eu e o Ciby cometemos aí o primeiro erro, saímos da serra para tentar atalhar caminho e assim podermos apanhar os craques da frente, mas não só não os apanhámos como também fomos direitinhos para o chão, chão esse que só o Ciby tocou porque por milagre eu apanhei uns bafos e lá me safei.

Agora, como na maioria dos meus voos de distância, lá estava eu outra vez sozinho. Quando voamos sós e dep
endemos apenas de nós mesmos para sobreviver, os níveis de concentração aumentam e os nossos sentidos tornam-se muito mais apurados e sensíveis. Tudo isto passa para a nossa pilotagem tornando-se mais activa, evitando assim possíveis erros.
Logo, se voamos com mais segurança, voamos mais e melhor.

Os primeiros 50 km foram os mais difíceis, andava-se menos e estive algumas vezes baixo, mas depois de entrar em Espanha ficou uma delícia, tecto alto e a térmica era do melhor.
O vento aumentou um pouco de intensidade a partir do meio do voo.

Nesta altura já não sabia onde estava nem o nome das localidades.
Andava perdido fisicamente, mas estava bem concentrado na melhor rota a seguir e além disso sabia que o Victor, o Alex e o Pedro andavam algures por aí. O Miguel, que é o homem das recolhas, já andava por perto, como sempre, o que me dava um certo alento para continuar.
O tempo passava sem dar por isso, é sempre assim quando faço cross, e este voo em nada foi diferente dos outros, apenas o número de km foi um pouco maior. Tive direito a tudo o que de bom estes voos nos dão, os Abutres, desta vez em menor quantidade, lá estavam eles a marcar as térmicas, e é impressionante a maneira insignificante com que olham para nós; os caças também estiveram presentes na zona de Penamacor, e estes merecem um pouco mais de atenção e respeito.
É incrível a quantidade de sentimentos e tantas vezes opostos, que um voo
de distância nos provoca, a tristeza e frustração quando tudo parece estar acabado mas de repente a nossa asa leva um abanão e aí a tristeza é substituída pela esperança, lá está ela, uma térmica potente daquelas em que temos a certeza que vamos para a nuvem. Aí a adrenalina toma conta de nós e como que por instinto apenas uma coisa importa, o núcleo.
Mas também é verdade que em determinados momentos do voo o medo e a insegurança me fazem questionar qual a necessidade de pôr a vida
em risco, e é nesta altura que devemos ter a coragem suficiente para não desistir, pois só assim é possível evoluir no voo livre, mas naturalmente que devemos conhecer as nossas limitações e é preciso saber parar quando as condições ultrapassam as nossas aptidões e conhecimentos.
Mas voltando ao voo, no final do dia
a restituição funcionou lindamente e com a velocidade a aumentar os km foram passando (pelo menos na minha cabeça porque na verdade eu não sabia quantos já tinham passado, sabia que eram muitos mas nunca imaginei ter ultrapassado os 200).
Foi uma sensação fantástica poder ver o pôr-do-sol a 3800 metros de altitude, foi lindo!
É também importante referir que o voo durou quase sete horas, nas quais não utilizei acelerador (porque não tenho), não bebi nem comi e no final fiquei com a sensação de querer continuar. Sem dúvida que a força psicológica supera em muito a força física.
Falta dizer que a asa que me tem dado tantas alegrias é uma Advance Epsilon 5. É verdade, é uma 1/2, e é esta asa que me dá segurança e tranquilidade suficiente para poder desfrutar o voo ao máximo. Aconselho a todos os que, como eu, ainda têm pouca experiência e querem evoluir gradualmente no voo livre. Devem começar nesta categoria de asas, e voar o maior número de horas, se possível em montanha. Depois sim, podem comprar uma avioneta, e mais tarde um avião.

Parabéns ao Victor, ao Alex e ao Pedro Lacerda que também fizeram uns voos que vão ficar na memória.

Obrigado ao Miguel pela força que nos transmite, e nos encoraja a ir cada vez mais longe.

Parabéns também à ADVANCE que desenvolve asas com uma qualidade acima da média e nos permitem uma evolução segura.

Foi um dia incrível, pena mais pilotos não terem aproveitado.


Carlos Barbas

Domingo, Outubro 25, 2009

AraxÁ open series 2009, Out 3-9

por Paulo Nunes










Como alguns de vcs já sabiam, foi uma seita de 6 tugas até Araxá ( cantinho paradisiaco em Minas Gerais ), um local de voo muito interessante, que nos deixou a todos maravilhados.
Fomos brindados com uma hospitalidade fantástica, o Durval Henke ( esteve cá na compt. de Macedo ) foi um anfitrião incansável.
Uma Fauna e Flora muito rica, paisagens lindas, boa comida e barata, muitas gaijas e simpáticas como o milho, em 8 dias voámos 6, mas com muitos a serem interrompidos pelo aparecimento de Cumulocunilingus...
Aqui fica um vídeo, ARAXÁ 2009, com alguns momentos de voo, boa disposição, passeio e convivío espero que gostem e fiquem com vontade de conhecer o local, eu espero lá voltar!
O local é muito verdinho nesta altura do ano, pois é hábito haver descambanços com fartura.
A altura mais seca em que se fazem mais KMSSSS é no nosso verão, mas segundo os locais, Setembro e principio de Outubro costuma dar para voar muito bem também.
A descolagem dá para cerca de 10 asas ao mesmo tempo descolarem, tem 2 restaurantes e sempre muita assistência, mas a área de "despegue" é reservada aos pilotos.
Existe muito onde aterrar, mas há o senão de podermos ter de caminhar muuuitos kms até á estrada de terra mais próxima, sabendo que as cascavéis, Onças e lobos não costumam atacar, não há stresses.
Como o formato de competição era de distância livre, havia apenas 1 ou 2 balizas para colocar o pessoal sobre as estradas principais ( de terra batida ) e depois era XC á vontade de cada um , isto limitou o n.º de mangas, pois fazendo umas idas e voltas na área de descolagem e montanha que dá um apoio fixe ( cerca de 30 kms de parede ) tinha dado para arrancar pelo menos mais 2 mangas.

Próxima FAI 2 que lá houver vou tentar ir !!!

O meu vídeo:
ARAXÁ 2009.


Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Análise do acidente com piloto Gonçalo Velez por Bob


por Roberto Pereira (Bob)

Sem ler a análise postada pelo piloto Cláudio Virgílio, apenas como exercício a todos das teorias básicas do voo livre e a fim de criar um forum de discussão onde possamos trocar idéias e com isso melhorar nossos conhecimentos teóricos, segue abaixo minhas impressões sobre o acidente.
Dividi o acidentes em três fases, que apesar de muito rápidas, na minha opinião, são eventos bem identificados que podem ser claramente visualizados.

Primeira fase (do segundo 0 ao segundo 04)
O filme inicia no segundo "0" com a vela desinflando, as pontas indo para frente e o piloto caindo claramente para trás. Não é possível saber o que aconteceu anteriormente mas certamente estes sintomas são de um stall e depois um fly-back, a vela estolou e no caso do piloto continuar freando ela entra em voo para trás. Esta manobra é treinada em cursos de SIV para resolver um problema de gravata ou uma fechada grande em que a vela entra em giro violento e não reabre.

Segunda fase (do segundo 04 ao segundo 09)
Nesta fase provavelmente o piloto levantou a mão, que é a manobra normal ao se sair de um fly-back, porém quando a vela passar por sua cabeça no caminho de um grande avanço, os freios devem ser acionados violentamente e liberados longo em seguida, manobra conhecida como "créu" e assim evitar o avanço e/ou front. No caso acima provavelmente o piloto usou o freio por muito tempo e a vela entra em novamente em stall e novamente em fly-back.

Terceira fase (do segundo 9 em diante ... )
Após o segundo fly-back o piloto levanta a mão para que a vela volte a voar. É possível ver claramente no segundo 8 que o piloto levanta a mão quando ainda estava de costas para o chão. A saída do fly-back se dá quando nas várias cabeçadas que a vela dá (nesses instantes o piloto ou está olhando pro céu ou está olhando pro chão, alternadamente), SOMENTE quando o piloto está virado para o chão e no instante (segundo 8) ele está virado para cima. Por esse motivo a vela tem um avanço violento e certamente a manobra créu não foi suficiente ou veio atrazada. A vela avança rapidamente quase para baixo do piloto (!!!!!), dá um front e desmonta.

Conclusão:
O piloto entra em uma série de stalls e fly-backs. O tipo de incidente não é característico de rotor pois nesses casos a vela geralemente avança em um dos lados ou ambos. O que ocorreu é que inicialmente há um stall causado pelos fatores conhecidos por todos. Este stall incial é o causador da sucessão de eventos que culminam com o choque no chão. A causa mais normal de stall é freio excessivo e o fly-back é a continuação da atuação desse freio. A saída do fly-back se dá em um momento específico e de uma forma específica já citado acima, o que não foi realizado corretamente.

Tenho a satisfação de informar a todos que o piloto está bem e se recupera rapidamente.
A intenção deste texto não é de maneira alguma fazer uma crítica ao piloto, nem tem a intenção de se esgotar em si mesmo (outros pilotos podem e devem ter opiniões diferentes que são muito bem vindas). Este texto tem como objetivo divulgar um ponto de vista e com o debate melhorar o nível técnico de todos, principalmente deste que vos escreve.

Bons, looongos e seguros voos
Bob
Cearavoolivre

Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Análise do Acidente por Cláudio Virgílio

Vou partilhar contigo o que me pareceu que se passou (pelos vídeos). Espero que te possa ajudar em voos futuros e que possamos tirar alguma lição do que aconteceu.
No filme do Paulo Nunes vens já em perda quando o filme começa. Embora ligeiramente desequilibrado, a asa sai a voar (2’’) assimetricamente. Este momento seria o ideal para tomares conta da situação mas o facto de teres as pernas ainda esticadas causou-te um momento de rotação difícil de evitar e parar.
Recuperei uma vez a minha Magus 4 numa situação muito parecida e lembro-me que foi bastante violento e extremamente físico, pois tive de dobrar as pernas bem debaixo do arnês, e afastar os joelhos ao máximo com as pernas bem comprimidas contra as laterais para evitar o twist para a esquerda, enquanto ao mesmo tempo tinha a asa a mergulhar 90º para a minha direita.
Estive muito perto do twist (tal como tu), mas penso que foi o que me ajudou a não perder o controlo da situação – dobrar as pernas imediatamente e alargá-las bem no arnês.
O controlo da asa neste tipo de mergulhos é bastante complicado de explicar teoricamente, mas a ideia é travar a asa progressiva e proporcionalmente ao cabeceio quando ela já está à nossa frente, mas só o suficiente para não a deixar abater de mais e fechar em frontal.
Por vezes no pico máximo da abatida as mãos estão muito próximas do ponto de stall. Conseguindo agarrar o tchan à nossa frente, há que levantar as mãos e deixar a asa sair a voar.

Dá-me a ideia que no momento em que dizes que ela se volta a desmontar inexplicavelmente (3’’) a terás posto em perda de novo inadvertidamente e talvez numa tentativa de recuperares o equilíbrio no arnês(?) (será este o “outro momento em que metade da asa quer voar mas nesse momento estou todo retorcido e com um braço para baixo, travando-a”?).
No entanto entras directo numa perda bem puxada (tão puxada que as pontas da asa batem palmas) e razoavelmente estável (3’’-5’’). O que não é mau de todo se conseguirmos sair bem dela (ou tivermos suficiente altitude para corrigir possíveis erros). Parece-me que começaste a largar manobrador no momento em que ela inicia o primeiro mergulho à frente (o mais violento, e o absolutamente proibido de largar para sair).
O que largaste foi suficiente para permitir a asa sair a voar com tal energia que entras em tumbling e acabas com uma parte da asa agarrada a ti.

Quanto à análise do equipamento, foi realmente um grande erro nosso ter encurtado as 7 linhas quando na verdade precisávamos era de ter esticado as outras “57”. Eu não o sabia na altura e só mais tarde vim a saber que o lirus tem grande tendência a encurtar com a humidade e não a esticar com o tempo e o stress a que as linhas são sujeitas durante os voos. Ainda falei contigo sobre isso, mas acabámos por não fazer mais nada em relação ao assunto…

Quanto à próxima asa, deixo-te um conselho:
Há um proto da Ozone que parece estar a andar muito, tem partes em carbono e um planeio filha da …. Brincadeirinha :)
Agora a sério, quando dizes “Depois disso mantive-me atento, à espera de uma configuração que conhecesse e que me permitisse recuperá-la. Isso não aconteceu e fez-me perder altitude” levas-me a pensar na diferença das várias classes de asas. E como bem sabes, uma asa de competição precisa de ser pilotada activamente a todo o momento. Dar um passo atrás na escolha da asa por vezes é o mais acertado, e o que mais nos faz evoluir. Explorar uma asa ao máximo antes de passar ao próximo nível ajuda bastante. E quando falo em explorar ao máximo, significa explorar tudo, desde a asa abertinha a levar-nos pra lá dos 100km, como a asa feita num trapo, em condições turbulentas e a precisar de sair a voar. No teu caso e com pouca altitude, o esperar por uma configuração conhecida não ajudou. Penso que será bom fazermos um SIV, para explorarmos ao máximo as asas que voamos e assim sabermos sempre o que fazer em todas as situações.

Boa recuperação e até breve, na nuvem! ;)
Um Grande abraço,

-- Cláudio Virgílio

PS:
O ideal seria aprendermos só com os erros dos outros...neste caso é uma merda porque és tu a arcar com tudo e a servir de "exemplo" para aprendermos todos mais algumas coisas... Esqueci-me de acrescentar uma coisa no texto, que é simplesmente a manutenção feita por mão especializada no assunto. Principalmente ao nivel das linhas quando se faz mais do que uma época a voar uma asa com fios finos...

Sábado, Setembro 26, 2009

Horrível Parapente?

por Gonçalo Velez

Com o meu acidente tão dramático descrito abaixo, e para quem não conhece o parapente, gostaria de deixar a impressão de que é um desporto muito aliciante, maravilhoso e viciante para quem gosta de desafios na Natureza.

Deixo aqui um link para o filme Speed Bars
de Phillipe Broers captado no campeonato do Mundo no México em Fev 2009.
Reparem que quando as asas começam a girar em círculo é onde se situa uma corrente de ar ascendente, a térmica, e deve-se manter dentro dela para se subir.
Com tantos competidores nesta prova é incrível o espectáculo da constelação de asas girando ordenadamente, todas no mesmo sentido.

Quinta-feira, Setembro 17, 2009

Atirei-me ao Chão, hein?!

por Gonçalo Velez

O Facto
Em Jul 10 descolei em Vale de Amoreira e após ter subido uns 150m tive um assimétrico (50%) e parece que tive a má reacção de travar o lado contrário.
A asa entrou em perda e sucederam-se uma série de configurações bizarras.
Perante tal, a minha atitude foi manter-me atento, à espera de uma oportunidade de controlar a asa.
Há opiniões divergentes sobre a sucessão de incidentes e as minhas reacções a cada.
Os dois filmes, da autoria do Paulo e Beta Nunes e do João Pinto estão aqui.
Há um momento em que ela parece recuperar no todo mas em que torna a desmanchar-se inexplicavelmente.
Parece haver outro momento em que metade da asa quer voar mas nesse momento estou todo retorcido e com um braço para baixo, travando-a.
O Saiote que se vê voar acima de mim num dos filmes, diz que a asa perto do chão parece tornar a recuperar, mas que se abate à minha frente e entro nela e que devo ter caído de um 4º ou 5º andares. O que me salvou foi ter caído muito perto, a norte, da descolagem onde prontamente tive o auxílio dos companheiros que lá estavam.

Agradecimentos
Tenho a agradecer profundamente a todos os que me acudiram e me salvaram da morte que esteve muito próxima!
A Be
ta e Paulo Nunes, o Miguel Almeida, o João Pinto, o Diego e o Fernando (ambos da Cantábria), o Saiote que me acompanhou do ar e que foi o único a assistir ao meu embate brutal. Lamento muito tê-los sujeito a momentos tão dramáticos e com um desfecho tão horrível.

Sequência
A minha sorte foi terem-me socorrido num espaço de tempo muito curto: o Miguel foi o primeiro a chegar e encontrou-me quase de pernas para o ar mas descansou ao ouvir-me gemer, os bombeiros de Manteigas que subiram de jipe à descolagem e me transportaram de maca para a descolagem, e daqui para Vale Amoreira onde um carro do Inem entretanto chegara e imediatamente se ocuparam de mim.
Os meus agradecimentos ao Sub-Comandante Francisco Tacanho e a Vitor Monteiro, bombeiros de Manteigas, que entenderam a urgência do incidente e actuaram prontamente. No carro do Inem vinha um anjo, a galega Dra Oliana, a quem devo devo estar vivo e a quem muito agradeço!

As Consequências
Fui transportado de imediato para o hospital da Guarda onde fui logo operado pela equipa do Dr Fernando Pessoa. O meu estado era de choque pois quase que perdera todo o sangue.
A minha bacia estava fracturada de forma raramente vista numa pessoa viva: o sacro tinha-se separado da bacia além de que fracturara os ilíacos! O sacro é onde acaba a coluna vertebral e daí partem grandes feixes de nervos.
Esmaguei o colo do úmero esquerdo, mas isso é o menos. A minha pele em todo o corpo estava intacta, não havia um corte ou esfoladela na pele. Devo ter embatido na posição de sentado, a pender para a esquerda (ainda bem a minha Impress ser a 2+!).
Devido às implicações neurológicas, todo o lado esquerdo do meu corpo está diminuído.
Depois de uns dias no hospital Francisco Xavier para estabilizar o meu estado e drenar os pulmões, estou há dois meses no hospital Santana da Parede, especialista em ortopedia, onde fui operado pela equipa do Dr António Martins logo que dei entrada. O médico não me deixa por de pé antes dos 3 meses da operação (2ª metade de Outubro).
Estou cá há 2 meses e há mais de um mês que faço fisioterapia. Sinto-me revigorar, muitos músculos a voltar à actividade e o ânimo a fortalecer-se.
Antes tinha um corpo feito de gelatina, sempre imóvel e a regredir fisicamente. É incrível como os músculos imóveis perdem rapidamente as suas funções!
Agora sinto-me renascer e invisto muito no exercício físico. Conto ser transferido para o Centro de Reabilitação de Alcoitão na próxima semana onde espero acelerar a recuperação.

O Equipamento
Depois do acidente fiquei a saber que as linhas da Mercury encolhem com o tempo, ou com a falta de carga!
Faço alpinismo há quase 30 anos e tenho 100% de confiança no equipamento que uso. Nunca me passaria pela cabeça duvidar da fiabilidade de uma corda ou de um mosquetão ou outro artigo de uma marca conhecida.
Revendo o meu percurso com a Mercury dou-me conta de que sempre tive gravatas à esquerda e nunca as tive à direita!
A meio da época de 2008 achei estranho ter de compensar com o manobrador esquerdo para voar a direito (recebi a asa nova em Maio 2008). Atribuí sempre esse facto a aerologia e nunca lhe dei muita importância.
Em Maio passado o Cláudio ajudou-me a medir as linhas: comparar uma linha com o simétrico do outro lado. Havia muitas diferentes e sete com uma diferença de mais de 5 cm! Piorámos a situação pois as longas deveriam ter ficado como estavam, e as curtas é que deveriam ter alongado.
Outro facto a juntar é que nunca me preocupei com os trims e passei todo o tempo a voar com ela "destrimada", o que parece contribuír para o encolhimento das bandas C e D.
Francamente, nunca dei muita importância à questão do equipamento pela experiência que refiro do alpinismo, e vivia confiante.
(Nota: no dia do acidente a asa tinha 97h)

A Psicologia do Evento
Nunca olho para a asa em voo, excepto quando sinto algo de estranho.
Lembro-me de ter olhado para cima e de tê-la visto sem carga alar, pouco depois ela aparece-me à frente. Depois disso mantive-me atento, à espera de uma configuração que conhecesse e que me permitisse recuperá-la. Isso não aconteceu e fez-me perder altitude.
Embora achasse que recuperá-la provocando uma perda seria imprudente pela falta de altitude, isso já me estava a acontecer!
Em Itália, em Maio passado, depois de uma gravata e de outros incidentes intempestivos
que aconteceram numa zona perto de rochedos e com térmicas brutas, a asa, em certo momento, iniciou uma espiral, o que foi o indício para lançar o reserva.
Em Vale de Amoreira faltou-me o indício!
Fiquei entregue à inexperiência neste tipo de incidentes e ao optimismo e à confiança de que me safaria... e não detectei o momento de lançar o reserva!

Mais Agradecimentos
Peço desculpa a todos os que me contactaram para desejar as melhoras e a quem não respondi. Foram tantos amigos a fazê-lo e tantas as manifestações de amizade, que me deixaram impotente para reagir, sobretudo sofrendo de diminuição física. Estive incomunicável nas primeiras semanas e sem vontade de o fazer nas seguintes. Ainda hoje passados dois meses do acidente quase só teclo com uma mão, mas recuperei a energia mental!!
Muito obrigado por tanta amizade e tanto cuidado.
Tenho recebido regularmente visitas de bons amigos que muito ânimo me têm dado, e tem sido bom revê-los.
Tenho a salientar uma grata aparição que tive ontem: o Rodrigo Afonso, ex-monitor do Vertical e que vive entre Serra Nevada e San Martin de Bariloche na Argentina! Foi bom revê-lo após tantos anos.
Agradeço ao Dr Fernando Pessoa e à sua equipa do hospital da Guarda terem-me operado prontamente. É bom saber que no interior do País também se prestam serviços de elevada qualidade.

Comentários
Gostaria muito que os nossos pilotos de competição fizessem os seus comentários ao que exponho acima e que publicaria aqui. A troca de opiniões, mesmo que divergentes, só nos enriquecerá!
Espero que mais acidentes sejam divulgados e analisados: comecemos com o meu.
Obrigado.

Futuro
Próximos meses a recuperar, voltar a casa dentro de um a dois meses e voltar à VIDA e ao trabalho. Espero conseguir recuperar totalmente do ponto de vista físico e neurológico, dizem-me que na maioria das vezes é só uma questão de tempo.
Também já conjecturo que asa irei comprar para a próxima época.


Fotos: Beta Nunes

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

sLOVEnia, Campeonato Polaco, Ago 24-29
















por Nuno Virgílio


buenas!
de volta da Eslovénia, um dos sítios mais bonitos onde já estive, e um sonho
para qualquer voador.
não tinha net lá pa ir actualizando a cena.. mas aqui vai:

montanhas fantásticas a toda a volta e voos para todos os gostos. desde o relax em condições suaves até ás cristas de rocha mais arrepiantes para record do mundo de velocidade (100km e 200km ida e volta, todos ali)
quando não se voa há também muito para ver e fazer. rafting no Soca, planadores, bike, trekking ou o programa cultural: fiquei a saber que a maior parte das encostas onde voamos foram cenário de um dos mais violentos episódios da 1ª guerra mundial, e entre outras coisas serviu de inspiração para o "Adeus ás armas", do Hemingway.

voltando ao tema que interessa, as 1ªas mangas foram pra aquecer e conhecer o local. depois deu pra carregar mais a sério mas os gajos não brincam. havia uns pilotos locais (incluindo o Urban) que todos os dias voavam a manga mas não estavam inscritos.
resumindo iam sempre a abrir e não tinham nada a perder.
na
4ª manga foi alucinante, íamos um grupo de 5 ou 6 a abrir que nem tolos pelas paredes a fora, picamos a baliza no meio do vale, contra vento, e o regresso á parede era tb contra vento.
ficamos todos baixos e foi ligar o modo
sobrevivência, ainda deu uns ares que ia resultar mas depois alguém desligou a térmica.
só um sortudo se safou com uma bolheca a 20m do chão, nem ele sabe
como. meia hora depois passa o pelotão que dar uma "ganda bolta" pa fazer a baliza.
quem não arrisca não petisca...

a prova é sempre na mesma zona e aterra-se sempre em casa. basicamente ha um vale principal onde dá pra ir sempre mais ou menos em soaring com uns canhões de +7 á mistura mas onde se anda baixo e com o vento de vale a chatear, depois há a opção do "frigorífico", que é mandar-se para trás para uma crista paralela, praticamente na vertical e de calhau daquele que arreganha o dente..
vai-se mais
alto e bem rápido mas a volta é maior. é fixe ver o ppl a separar-se aí e depois ver qual a opção que resulta melhor.

o ultimo dia foi cancelado devido a trovoada.

alguém quer ir lá para o ano?

Segunda-feira, Agosto 17, 2009

Azinha até um pueblo a 216 km

por Nuno Virgílio















De manhã tenho a delicadeza de um elefante numa loja de cristais, daí que levantei-me, vou ainda meio zombie a sair do quarto e ..TUUUNGAAA!!!
biqueirada na esquina da porta, com o dedo pikeno do pé. deve tar partido porque inchou e ainda dói. "fixe, tá a começar bem o dia.."
depois a bateria do carro tb n queria colaborar e tive de andar a fazer manobras de diversão pra pôr o bolinhas finalmente ao caminho. já tava a ver o caso mal parado, mas lá fui. não queria perder um dia assim.

na Azinha, os cúmulos tardaram a aparecer, mas finalmente lá despontaram e prontes, foi sempre a abrir.
+7 directo pa nuvem a 3000 e siga pelo planalto por trás de Linhares a fora, com o Ciby logo atrás e o resto da malta mais atrasadito.
o slalom na nuvem foi fixe, a aproveitar a ascendente na parede, tipo dinâmico. depois passar o Mondego foi mais chato e deu trabalho a subir na planicie até ao Douro, hávia duas linhas de nuvens de cada lado e ali era buraco azul, mas achei que desviar ia ser pior por isso segui por lá fora. tive 2 pontos baixos na zona do Côa, mas finalmente lá saquei um canhão de novo pra nuvem.
atravessei em Barca d'Alva, com a paisagem deslumbrante a fazer lembrar a famosa manga de Moncorvo pra Almeida.
tinha estudado a prev e sabia que o vento iria estar sempre de Sul, com a brisa a entrar de Oeste só mesmo ao final do dia, além disso o skew-t para Mogadouro era ainda melhor que para a Azinha. havia que chegar lá.
Na encosta norte do Douro, com Freixo-de-Espada-á-Cinta ali á vista tivenovamente um ponto baixo e com muita paciencia lá fui subindo, com o cuidado de não me lixar na buraqueira por trás da descolagem do Mazouco.
Havia uma asa vermelha por ali a esvoaçar, tlvz o Chico? Vilela? n sei.. ficou por lá.
depois foi o voo clássico da zona, térmica do cruzamento de Lagoaça, térmica do golo das eólicas de Mogadouro e por aí fora. esta zona estava mais mexida com as transições desconfortáveis e a cadeira mal afinada a não ajudar.
já começava a sentir o peso de 4h de voo.
noutro ponto baixo mais á frente já se sentia a brisa a entrar mais de ladex nas camadas baixas, pelo que fiz uma perna contra vento para me posicionar novamente na linha de nuvens a seguir.
No final, já com a térmica a acalmar do +5 habitual, para um 3,5 certinho e a dar o tecto máximo
do dia a 3800.
achei que ia ser a última por isso enrolei tudo até lá bem acima.
o sol já estava a descer no horizonte e a meter aquela luz fixolas que ilumina a asa por baixo.
só aqui mexi no gps pra ver a que distancia tava da descolagem: 183. "Ui, vai dar!" - pensei, é desta os 200.
a ultima transição foram 40km mt suaves, a cair pouco e andar bem (60-70) mas com o vento já a rodar pelo que não deu pra esticar o máx na direcção ideal.
ainda pensei que a mega nuvem á frente fosse meter um efeito restituição de fim de dia mas tava mesmo a apagar.
aterrei num campinho bacano mm ao lado da estrada e já tava pa mandar os espanhóis todos à m*rda qd um finalmente lá parou e me deu uma boleia até um pueblo.
a espera foi até á 1:30 da manhã, chegámos a Vale de Amoreira às 5 e a Lx ás 8 da manhã, completamente roto.
Que dia!
..fossem todos assim ;)

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Como ganhei a prova de Bornes 2009


por Roberto Torres

1ºDia

Dia muito fraco, térmica fraca, tecto baixo...
Primeira fase do voo difícil para toda a gente, subiu-se no sotavento da montanha!
Aqui o Nuno e o Cris surpreenderam pois deram-lhe bem, saíram na frente e com um ritmo que ui ui ;). Fui no grupo da frente, tirando o Nuno e Cris, com o Eduardo, Rui Nas
cimento, Vidal, Dinis e mais umas duas asas!
O edu a puxar bem, a meter pata no acelerador e o resto da malta deixava-se ficar mais para trás! Na passagem do rio, já vínhamos com uma transição longa, a maioria passou baixo, eu fui o único que passei ainda muito alto! NEste dia era impressionante a diferença das linhas (mesmo que próximas). Logo a seguir ao rio ficaram algumas pessoas!
Eu apanhei um zeranço pro positivo, e fiquei a espera do resto da malta, pois sozinho nao estava a conseguir subir e arriscava-me a ir para o chao se abandonasse aquilo.
Com alguma luta dos sobreviventes do grupo, a térmica ficou mais consistente e subimos. Depois de altos transição directa a ultima baliza (ja nao me recordo se havia duas) ignorou-se algumas possíveis boas térmicas e chegamos la muito muito baixos, o Eduardo
acabou por n conseguir picar a baliza, o vidal acho que ainda picou e aterrou, entretanto eu o Rui Nascimento e o Dinis ficamos a subir numa termica a derivar para longe da baliza, pois tinhamos ficado a uns 60m de a picar! Subimos um pouco na termica, saimos dela, fomos picar a baliza 200m a frente, e voltamos, so que não consguimos subir! Aterramos os 3 logo ali 500m perto do vidal e do eduardo! Passo uns minutos passa o Jorque Guedes sozinho , seguido de mais malta como o Saiote, Nuno Gomes, ricardo, Luis Carlos que aterraram uns 5 a 8km a frente.
Resumo.
Dia dificil, no fim ja varrido, ainda hoje não sei o que poderia ter mudado para nao ficar logo ali! Acho que já nao foi mau!


2ºDia
So voei em Mirandela umas 3 vezes, e nunca tinha subido tao bem la!
Termica a levar aos 2000 sem problemas, start a ser feito no momento exacto do lugar exacto.
Nuno mete pata, e leva todo o grupo atras dele (este era enorme). Tomou a decisão de ir em frente pelo lado direito de Mirandela para contra-derivar, que me pareceu muito bem.
Transição longa, mas subiu-se num alto ja do outro lado do vale!
Depois novamente o grupo segue em frente e ficamos todos metido entre duas encostas antes de macedo. Ficamos todos baixos, apenas com zeranços, o Nuno decide voltar para o lado de Mirandela, e metade do grupo vai com ele, eu deixei-me ir para o lado contrario pois sentia a asa a querer ir, entretando subo começo a subir com consistência e o resto da malta que ali ainda estava juntou-se a mim.
Novamente mais um grupo de peaks mais o eduardo que ate a baliza da barragem puxou bem, houve ali uma fase que eu e o vidal chocamos com uma boa termica e subimos, e o eduardo segue fica mais baixo e a frente acaba por nao conseguir recuperar!
Mais algumas pessoas ficam por ali!
Eu e o vidal aqui subimos ate aos 2200 e seguimos para a ultima baliza. Nesta transição ele ficou mais para tras e muito mais baixo, eu cheguei ao golo ainda muito alto, apanhei termica la, e segui em direcçao ao golo! Fui em direcção a um morro (que tb já conhecia), apanhei termica boa, dei algumas enroladelas e mandei-me para o golo que estava a uns 10km se tanto! O garmim ja dava 7/1, flymaster tb dava altura bem positiva, e a aldeia que achava que era o golo parecia ja ali... Choquei com mais um termica que ignorei a pensar que o golo era já ali!
Apanho um descendente brutal antes de la chegar, e quando la chego ainda me falta 4km para o golo. Foi ai que percebi a grande argulada que cometi fruto da minha inexperiencia! O golo afinal era depois do sabor, e tinha um grande buraco para atravesar com apenas uns 50m de altura do chao. CLaro está aterrei no ultimo campo possivel antes do bruraco. Se fosse o granda maluko do claudio ainda me metia la dentro lol ;). O vidal que vinha um pouco atras garantiu melhor e fez golo! Fiquei em 3 nesta manga. A minha melhor classificação ate agora, mas confesso que custou mais do que quando se marreca! Fui um autentico nabo! Mas acho que aprendi a lição. Como diz o nuno franguinho bem virado!

Resumo
: Achei o dia bom, talvez porque tive a sorte de subir no momento em que estávamos todos aflitos! Depois da primeira fase do voo, e numa camada superior as coisas foram relativamente fáceis.


3. dia

Resumo
: Foi difícil o formatar do dia anterior, e decidi que iria voar uma termica de cada vez! A unica coisa que fiz foi tentar pensar apenas no momento, um passo de cada vez. Fou a manga mais solitaria de todas. As condições era muito fracas no inicio do dia, mas tornou-se no melhor dia, com térmicas boas, e com as cenas típicas de livros a funcionar!
De forma geral ainda nao digeri bem a coisa, e embora tenha colocado em mim alguns objectivos difíceis, nunca pensei que conseguisse ficar tao bem classificado. Muitas pessoas tem-me transmitido muito do seu conhecimento, mais até no ambito emocional do que técnico e isso faz-nos crescer como pessoas e como pilotos. Tenho a plena noção que este resultado não é só meu! Contudo, 3 mangas nao quer dizer muita coisa.. e ainda há muito para provar, e muitos bons pilotos para voar! Continuarei a dar o melhor, e sei bem que manter o resultado é uma tarefa muito mas muito dificil! Noto que ainda sofro de alguma falta de experiencia! Tou curioso das mangas rápidas!

Sexta-feira, Junho 05, 2009

O meu maior voo de sempre: 228 km!



por Pedro Lacerda

Na terça feira fiz o meu maior voo de sempre, voei quase até ao fim com o Alex.
Nunca tinha estado tanto tempo a voar nem tão alto nem tão longe.
Nunca tinha andado numa confluência a sério, pelo menos como esta que apanhámos antes da barragem de Alcântara.
Isto ajudou muito o acelaranço do voo que tinha sido lento até ali. ficámos ao principio uma hora e meia para sair da serra à espera de subir de jeito e de ter o dia mais montado fora da serra.
A chegar a uma pedreira minha conhecida antes de Penamacor vimos uma tromba de um redemoinho enorme e para lá fomos os dois, chegamos fora de ciclo mas o Alex foi-se safando melhor, mais baixo quando entra o novo ciclo vou de +7 ter com ele até aos 3 miles e mais trocos para bazarmos para a nuvem seguinte por cima de Penamacor e para a próxima que estava por trás já as duas a chamar por nós.
A chegar à nuvem entra a barulheira dos f16’s. O exercício que havia afinal não era na serra como eu achava mas mesmo em Penamacor onde estávamos. Os gajos dos reactores a jacto andavam todos entretidos a abrir por ali em vagas. Era muito má ideia continuar por lá bazamos os dois para a direita a cair quem nem bois e a dizer adeus às nuvens nossas amigas todas furadas pelos aviões da guerra.
Ainda ouvi um a dizer tátátá e o outro estás morto! Não estou nada batoteiro!
E depois deixei de ouvir porque estava a bazar de lá e cada vez mais perto do chão. Os dois, eu e ele apanhamos um zero +1 -1 por ali e agarramo-nos ao que havia se não quando vejo o Alex a virar tudo à direita para ir sacar uma térmica decente a uns 500m dali. Fiquei impressionadíssimo com a convicção e a certeza que ali estava e estava, (depois disse-me que tinha visto uma cegonha a subir, parece que tira o encanto da adivinhação mas não tira).
Dali para a frente foi Monsanto onde subimos separados e encontrámo-nos no fim da térmica, dali para a frente entrámos na estradas de nuvens. O que foi acontecendo cada vez mais regularmente parece batota mas não era, era voo livre.
A táctica passou a ser subir até aos 3000 e depois deixar ir em frente no final da estrada de nuvens estávamos a 3800 e a andar sempre a 60 à hora. Até +5 apanhei e deixei para lá porque não era preciso. Com isto fomos assapando cada vez mais para recuperar o engonhanço inicial até que chegamos ao fim das nuvens, só que o dia estava a montar-se à nossa frente, o azul era um azul com farrapos a mostrar as correcções de rota. Algures no meio de isto tudo tivemos um ponto mais baixo a seguir à fronteira acho eu, experimentei um rio que lá havia mas a coisa não estava a dar fui mais à frente ver e pronto tá feito 3800, entramos na tal barragem.
O que estava a acontecer era que o dia de pouco vento da previsão estava a ser atropelado pela brisa a entrar e além de começarmos a ter mais velocidade que deu depois a mim 70 à hora. Às cinco e meia tínhamos feito 100km que é sempre bonito e pus-me a pensar que além de já estar todo routo ainda tínhamos mais três horas e meia para voar. O ritmo naquela altura estava a ser porreiro e achei que os 200 poderiam estar ao alcance mas era preciso ver como correria à frente mais azul. 150km menos de uma hora depois e ainda a voar sempre numa janela altíssima entre os 2500 e os 3900 (dasse nunca tinha voado tão alto. Pus-me a olhar na vertical para o chão e dá uma sensação muito estranha) a partir dos 3000 ficava a tremer de frio o que era disparatado e um erro meu grande de não ter vestido mais roupa. Outro erro era ter esquecido a sandes atrás no arnês.
Pus-me a fazer flexões dentro do arnês para aquecer e esquecer a fome. Aguinha, um bocadinho de conversa com o Alex e siga em frente.
Garantíamos sempre a janela alta e a térmica tinha o dom de se propagar com o vento muito bem o que fazia com que depois da subida vinha o boianço sempre a boa velocidade e muito pouca descendente nesta altura. O dia começa a ficar mais redondo e antes de uma serra que marcava mais ou menos os 200km, mais ou menos aos 180 190, vinha à frente apanho uma térmica calma tipo +1, +2, e muito redondinha típico final de dia fico convencido que era isto que havia, o Alex segue mais à esquerda e deixei de prestar atenção por uns minutos quando vou à procura dele tinha levado um chito monumental, tinha encontrado um núcleo porreiro e estava estratosférico outra vez, ando a abelhar à procura da coisa mas nada como é óbvio, tivesse tido mais atenção, foi ai que nos separámos, não tinha lógica ele esperar porque eu não estava a subir o suficiente e ele foi andando até deixar de o ver e a procurar subir melhor. Sei que ficou depois da serra com os 201km feitos. Fui andando e na tal serra subo decentemente até aos 3000 era a limitação que me tinha imposto para tentar chegar ao Alex e não ter frio, 200 feitos gritinho paneleirote de estar todo contente e siga que isto vai dar mais, mais uma térmica e deixei ir a coisa, estava a apontar para mais uns km mas não tantos, fim de dia planeio baril e boa velocidade uns 70, tinha o bico do chão que subia num planalto e muita arvore, apontei à estrada e deixei ir quando cheguei aos 228 tinha uns cabos de alta tensão à frente e à minha altura fui até lá e aterrei num campo fantástico.
Estava a passar um carro, mija comprida, desligar as cenas, estalar os ouvidos e volta o carro.
O gajo era parapentista e tinha voltado para me dar boleia, ajudou-me a arrumar a asa e meteu-me no carro ofereceu-me um cigarro e deu-me os parabéns. Deixou-me num café e tá feito. Grandas bacanos.
Lacerda

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Voaças em Alcaria


Ivo Maraffado, 20.4 -

Pois è os bitóques provaram o algarve agora nâo quérem ir embora daqui! O
grande culpado è o joâo brutto convidou-os para ficarem um dia na casa dele, agora já querem arranjar emprego aqui,um vài ver se encontra petroleo aqui na zona e o outro quer abrir um teatro aqui em albufeira!
Ontêm foram a alcaria fazer um voo de reconhecimen
to com os maraffados,estava vento forte de norte,ninguem queria sair a nossa sorte foi a presenca do Velez o homem do ceára saiu marrecou depois o cladyo saiu subiu num canhao e foi embora depois foi o lacerda tb arrancou o veles descola outra vez e vài tb embora depois foram os maraffados.
O
claudyo fez 21 eu e o pedro 44 o veles foi a castro marim 60 e o bruttos e luis foram aterrar na praia de monte gordo 64km .

Hoje foram para alcaria outra vez estava tb vento forte.
Aqueles bitòques dum ràio foram aterrar a
espanha em huelva 90km e o brutto40km.
Amanha vâo os maraffados todos para
álcaria comer esses bitòques!

Cláudio Virgílio, 20.4 -


isso mesmo! num dia que ninguém dava nada por ele: cirrus, altocumulos, lenticulares e o resto azul, com vento WNW atravessado na descolagem e a picar os 30 e picos... lá descolámos numa baixa e pimba lá pra cima.
subimos bem logo ali (1200m) chegámos a Mértola rapidinho já que de mãos
em cima íamos a 70kmh ou perto disso.
O Brito depois de abortar a
descolagem, não conseguiu subir para nos acompanhar e acabou por sair com 18km de atraso.
O Lacerda e eu fizémos o voo sempre juntos, tivémos um
ponto bastante baixo por volta do km 60 mas safámo-nos numa conchinha virada ao sol e ao vento.
O dia acabou por melhorar com o passar do dia,
os cumulos deixaram de estar penteados, e passaram a parecer-se mais normais :D

Aterrámos a 90km de Alcaria, com um voozinho bem fixolas e divertido!
O
Brito ficou ao km 40. Amanhã há mais! estes maraffados vão mudar a dieta pra bitokes ao almoço e ao jantar!!! :D rhaztaaa
ClOudyo


Cláudio Virgílio, 22.4 -


Ah poijé!

Hoje fui o 1º a sair e marrequei ali directinho
. Logo de seguida saiu o resto da malta e os sacanas entraram certinhos na térmica de serviço em frente à descolagem... e lá foram eles.
Eu descolei de novo junto com o Zé Rosado e baixinhos lá fomos nós, atrás do resto do maralhal.
O Zé teve menos sorte e acabou por ir próchão por volta do km15. Eu agarrei o grupo logo mais à frente e apartir daí foi um voozinho fantástico com a malta.
À vista tinhamos a costa do alentejo e a costa do algarv
e. térmica azul mas consistente a levar-nos até aos 2000m, por vezes até aos 2200m.
O João Brito vinha ligeiramente sozinho à esquerda do grupo e acabou por aterrar à entrada da Serra do Malhão.
O Luís Carlos não acreditou e virou à direita até à praia da Falésia.
Eu o Lacerda e o Ivo continuámos em direcção a Portimão, a aproveitar a confluência do meteorológico com a brisa, num glide brutal a 50-60 kmh.
Aproveitámos todas as bolhas que haviam pois o dia estava a acabar e qualquer delas poderia ser a ultima térmica.
Finalmente chegámos a Portimão.
Tinha 1000m por cima da praia o que poderia dar mais 10km, m
as com a brisa de oeste a entrar fiz só + 5kmzitos até à praia do Vau.
O Lacerda chegou mais baixo, e ainda teve direito a tourada por cima da foz do rio Arade :)
O Ivo,
maraffado-sobrevivente-em-processo-de-conversão-ao-bitoque chegou tambem baixinho passado uns 20minutos.
Grande voaça!
Um voo em grupo espectacular!

Alcaria a bombar como nunca se viu!

Amanhã...diz que se voa ;)

rhaztaaaaa

ClOudyo

Sábado, Fevereiro 21, 2009

Térmica na Azinha em Fevereiro


por Eduardo Lagoa

Ontem foi um dia de voo maravilhoso na Azinha, vários pilotos com cerca de 70km, o Francisco Nunes fez um voo de cerca de 90 km.
Para esta altura do ano é algo de fantástico, boa térmica boas nuvens e muita "ferrugem" para poder tomar algumas decisões rápidas!!!
Fiz um voo até ao Fundão na companhia do Francisco e do Luís Carlos, foi muita fixe, ter ali companhia ajudou a varrer uma zona que estava com térmica bastante partida e fraca, depois de ter ficado sozinho a partir do Fundão, precipitei-me a fazer a passagem da Serra da Gardunha.
Havia cúmulos por todo o lado tentei subir no ultimo deixando para traz boas térmicas mas correu mal quando lá cheguei estava fora de ciclo, segui em frente mas apanhei a descendente que quase me pôs no chão, mas lá descobri uma térmica a sotavento e por sinal bastante turbulenta, mas agarrei-me ao cavalo e lá consegui subir umas centenas de metros.
Depois de ter recuperado desta situação começo a reparar que estou no pior sitio para continuar o voo, grande linha de nuvens à esquerda e outra grande linha de nuvens à minha direita mas terminava mais cedo, tomei a decisão por aquela que era mais fácil de alcançar, tive que trabalhar um pouco a meia altitude até chegar ao corredor de nuvens.
Daí até Castelo Branco foi um ápice, o problema foi que esta linha de nuvens terminava ali....
Satisfeito que estava de ter feito o voo até li, com a altura que tinha não arrisquei procurar mais uma térmica para a frente porque o terreno era bastante arborizado e aterrar no Retaxo foi porreiro, bebemos, comemos e agendamos a próxima ida á Azinha!!!
Vejam as imagens neste link

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Campeonato do Mundo, México












Realiza-se o Campeonato do Mundo no México em Jan 25-Fev 6.

Os relato
s diários e as classificações da equipa de Portugal estão aqui:

http://www.eportugal2009.blogspot.com/

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

O Simplex na Meteo



Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Check List de Voos de Cross





















a) Na Véspera:

- Converse com pilotos de Cross para estabelecer uma boa rota.

- Estude o mapa para saber o caminho.

- Verifique aterragens no caminho, se isso for uma preocupação.

- Não marque compromissos para todo o dia para que a sua mente esteja liberta.

- Deixe seu equipamento pronto na noite anterior. Não esquecer de carregar vario, gps, rádio e telemóvel!

b) No dia:
- Tenha uma manhã sem stress.
- Tome um pequeno almoço decente.
- Vá cedo para a descolagem.
- Fique longe de pessoas negativas na descolagem.
- Prepare seu equipamento assim que chegar.
- Observe a evolução da condição.
- Se possível, descole quando tiver certeza que pode subir.

c) No ar:
- Tente chegar à base da nuvem antes de deixar a térmica.
- Uma vez que tenha decidido ir, vá!
- Leve toda subida até ao topo.
- Quebre a sua rota em pequenos pedaços “digeríveis”.
- Premeie-se sempre que completar um pedaço.
- Tenha sempre uma aterragem segura ao alcance.
- Seja sempre positivo em relação à experiência, mesmo que tenha sido mais curta do que planeou.

Fonte: Artigos de Voo Livre

Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Man Measuring the Clouds






















Jan Fabre
Man Measuring the Clouds
1999
Bronze
H295 x W150 x D79,5 cm

Quinta-feira, Agosto 21, 2008



Desenho: Jamie Givens,
Publicado em Alpinist 24, Summer 2008

Quinta-feira, Julho 17, 2008

Grandes Voos na Azinha: 123 e 188 km!



por Pedro Lacerda

Fui à Azinha mais o Nélio na segunda, Jul 14.
Dia bombástico, tecto alto, 3 miles e pouco vento. Supostamente de NW mais à tarde.
Planeei ir à torre via Santinha e por ai fora onde se montam as nuvens normalmente. E fui!
Já tinha ouvido falar daquele percurso e da teoria à pratica é mais fácil do que parece, especialmente com o tecto assim tão alto e pouco vento. Cheguei todo contente à torre na base das nuvens. Nunca tinha visto aquele lado da serra, o lado oeste e noroeste da torre, é grande buraqueira, nem nunca tinha ido à torre. Aliás tinha lá passado em puto com os meus pais, foi isso.
Dai para a Covilhã naquela de fazer o triangulo maravilha etc, quando lá chego caguei na decisão do voo habitual e mais isto
e aquilo, vi que do outro lado do vale, naquela crista a meio entre a Covilhã e a Gardunha começava a montar-se linhas de nuvens, decidi saltar da Covilhã onde estava alta para lá pelo azul a fora.
Cheguei baixo e não acertei logo na térmica mas com a ajuda dumas águias minhas conhecidas, que já tinha andado por ali, subi baril de volta. O vento era NE mas fraquinho e as nuvens organizavam-se seguindo a tal crista e depois pela Malcata afora, tipo estrada de nuvens salteadas mas direcção Leste pe
rpendicular ao vento.
Segui essa linha até que o vento começou a fazer propagar nuvens para SW e segui à direita na ramada de nuvens que me pareceu mais consistente. Tinha chegado a Penam
acor quando virei à direita e fui andando em frente a seguir as nuvens por aquelas aldeias que têm nomes cómicos e com os Foios à minha esquerda e por cima de Monsanto etc. O belo voo turístico veja a Beira de cima.
Até que… acabaram as nuvens.
Haviam umas mais distantes mas pareciam inalcançáveis tipo já no Alentejo e o camandro mas como estava alto deixei-me ir indo em direcção ao rio com cuidado que naquela zona os buracos são grandes mas surpresa surpresa o dia estava a montar-se comigo a andar e o caminho que estava a seguir era o exactamente certo. Engonhando mais um bocadinho ou menos a coisa ia-se montando comigo a passar, era a sensação que dava.
Pelo caminho ia sempre falando ao Miguel a dizer por onde andava, o que era muito b
onito até onde conhecia a zona quando passei a não conhecer e a confundir Vila Velha de Rodão com Santiago de Alcântara é que a porca torceu o rabo mas o grande Miguel ficou um bocadinho atrás para perceber onde é que aquilo ia dar e tudo se resolveu.
Nesta altura já andava com furores urinários desde a térmica chata de Santiago de Alcântara, já em final de dia que a coisa se estava a complicar bastante. O voo deu até São Vicente de Alcântara onde cheguei alto numa restituição fantástica e eu à rasca mas mesmo à rasca.
Saquei do camel bag esvaziei-o e ui ca bom…
Quando acabei já tinha vontade de voar mais mas era o por do sol e Albuquerque ainda era longe. Tinha apanhado a ultima térmica às oito… um dia fantástico.
Mas acabei por ficar por ali a tirar fotos e a fazer filmes até aterrar sem vento num campo fantástico já sem sol. A mercury portou-se lindamente num dia em que andei com um bocadinho de acelerador para compensar a falta de vento.
Resultado: 124 km.
Uma hora depois lá apareceu o Miguel mais o Nélio e o outro Miguel jantarada e casa.


No dia seguinte, Jul 15… era tudo parecido, tecto alto

e o camandro mas com uns belos 10 nós de NE em altitude.
Nunca sai tão rápido da serra porque o dia estava mesmo já a
funcionar e não foi preciso as cenas do costume de ficar à espera e o camandro, foi descolar subir e bazar.
Chegando à Covilhã, psicológico ou não é um desatino chegar à Gardunha, tinha o dia montado mas para lá da Gardunha e no planalto da serra, no intervalo népia mas estava a caminho.
Repetiu-se a cena do dia anterior subir bem na Covilhã e ala azul fora à procura de subida que me leve à Gardunha. Ia mais pela direita seguindo o caminho aconselhado pelo Vitor, e descoberto pelo Zé do Folgosinho mas a meio e sempre a descer à minha e
squerda vi um monte de pó a subir e mandei-me para lá, demorei a chegar e quando cheguei aquilo deve ter sido um pequeno peido da mãe naturesa e por ali já não havia nada de jeito.
Mais à frente encontrei um zero onde me agarrei até aparecer cenas melhores. Passado um bocadito lá deu para subir e chegar por cima da Gardunha onde apanhei o canhão do dia.
Junto à nuvem andava-se uns belos 70 à hora por ali a fora agora com nuvens com fartura, optei seguir pela direita da a23 por cima do rio Zêzere penso.
Cheguei rapidinho às portas do Rodão.

Falhei uns ciclos pelo caminho mas como o tecto era tão alto só era chato porque quando apanhava a térmica a seguir tinha de lá ficar búe tempo para recuperar da asneira. Mas quando acertava cagava em enrolar e punha-me a andar e a subir. Só enrolava quando apanhava núcleos fixes.
O frio era brutal no tecto e junto à nuvem. O arnês canoa é porreirito mas mesmo assim sofro com o frio.
Nas portas do Rodão encontrei na térmica um abutre que foi comigo uns 50km a seguir, sempre que enrolava o gajo aparecia até que se sentiu tão em casa que se chegou a uns dois metros de mim, tive de lhe lembrar que a distância é importante e a coisa deu-se.
Devia começar a levar comida para dar aos abutres soube que andam esfomeados no telejornal por causa das leis que proíbem o abandono de animais mortos.
A partir dai foi o rali das aldeias sempre de seguida Nisa, Alpalhão, Crato, todas as aldeias que na altura não sabia o nome e ia tentando explicar ao Miguel.
O Victor e o resto do pessoal vinham uns bons 40km atrás por terem saído mais tarde. Segui sempre uma linha afastada e à frente da serra de são Mamede porque por lá por trás, terras de Espanha, haviam umas nuvens desenvolvidas quase ao disparate. Sempre com nuvem mais dispersa agora… siga para sul com um bom ritmo sempre à espera de encontrar Évora mas quando estava a uns 20km com umas nuvens já muito desenvolvidas à esquerda bato em cheio na brisa.
Mas pareceu tipo que bati na parece, lá orientei a coisa a ver onde é que dava para aterrar sem estragos e perto duma aldeola e saiu a Aldeia de Vale do Pereira na herdade dos Bocareus a andar para trás.

Resultado: 188 km.

Abracitos Lacerda

Segunda-feira, Junho 23, 2008

PWC Castejón de Sos, Jun 14-21


por ClOudYo e Nuno Virgílio

PWC Castejón de Sos - 4ª manga
Depois do festival de reservanços de ontem (6 no total), a pior surpresa estava reservada para hoje: pela manhã ainda havia um piloto que não tinha reportado.. bad feelings..
Ainda assim montaram uma manga a fugir da montanha pois previa-se desenvolvimentos pela tarde (CBs), esta malta não se contenta com pouco e então, chaga-lhe massa: 84km com a fugir para o plano, com uma perna bastante longa contra vento, a passar pelo vale que escoa do Turbon, foi um ataque em 2 ciclos pois à 1ª tentativa ficámos baixo,
a cair que nem calhaus e sem progredir.
A malta lá se foi safando como podia, eu e o Cláudio subimos com um grupo fixe, cloudbase e siga, quando finalmente conseguimos passar no escoamento, cancelaram a manga. Houve bastante "discussão de café" sobre se teria sido acertada a decisão ou nem por isso, mas a verdade é que não estava para meninos, tal como ontem.
Mais tarde viémos a saber que o helicóptero de buscas loc
alizou o Russo que estava desaparecido. Tarde de mais.... Aparentemente alguém reportou que o viu no golo e não se preocuparam mais até hj de manhã ele não estar na pensão. Não se sabe o que sucedeu e ninguém viu, nem ele comunicou nada.

Nuno

PWC Castejón de Sos - 3ª manga
Allö maltaaaa!!
hj mais um mangalho de 95 kilos com mais de metade da prova a ser bem dificil.
Uma perna contravento da 4ª pra 5ª baliza a criar muitas dificuldades a toda a gente.
Houve 6 reservas incluindo um por colisão entre 2 pilotos...
Eu andei bem baixinho a 20kmh e sozinho o que me estava a deix
ar ligeiramente preocupado, principalmente depois da tentativa de acelerar k acabou num engravatanço k mais uma vez só saiu com uma perda assimetrica...finalmente consegui subir e juntar-me à molhada num sotavento que serviu de sala de reunião da manada.
Aqui safei-me mais rápido que o mano e acabei por seguir com um bom grupo (Simmon Issenhut, Jeremie qq coisa, urban valic e mais 1 tresmalhado numa up..).
não foi preciso arriscar muito pk já havia pilotos baixos à n
ossa frente a darem uma ideia de como o ar se movimentava e facilmente ganhámos altura pro ataque final ao golo.
pata a fundo, ainda comi o jeremie (k vai estar no europeu) mas o urban e o simmon dão-lhe
bem (e além disso voam de icepeak eheheheh) devo ter acabado nos 15-20 primeiros e o mano nos 40... muita gente no golo de novo, e mais uma vez manga ganha plo cota k ganhou a 1ª manga... levei 12 minutos do 1º, e dei 15 minutos ao mano... devo subir mais umas posições.
esta prova ta renhidissima! hj de manhã estava em 58º a 300pontos do 1º!!!!
rhaztaaa

ClOudYo


PWC Castejón de Sos - 2ª manga
Ahhh pjé!!
Este spot é mm brutal.
xgámos indagora (23:50h) demorou mais a viagem de carro que o voo todo...
Foram 140 kilos sempre a dar-lhe. Havia umas idas e voltas na zona do take-off e depois "distance to goal: 108km" 8) Os primeiros 75 foi sempre de crista em crista, na nuvem, depois veio uma passagem mais tricky, tivemos de atravessar um vale bastante largo com o vento a escorrer e logo depois um colo mt alto, a malta toda a mandar-se pó sotavento pa subir, a agarrar o txã. Esta foi a parte mais hardcore, proibido olhar pa baixo: tiger land sem aterragem alguma.
Enfim, lá passámos e mudámos ligeiramente de direcção, por outro vale afora, desta vez sem conseguir subir tanto, com menos nuvem e mais vento, foi onde perdemos o grupo da frente e nos atrasámos. No final, a cerca de 7km, tinhamos 8,5 de glide to goal, e 60km/h (vento de costas) o que parecia fácil acabou por não ser tão simples, e o Cláudio acabou por ficar curto, 200m antes da linha (embora conte o golo, pq têm akele sistema dos 1000m para o tempo, passar a linha pa validar) Impressionante o andamento e o nível da prova, xgaram cerca de 80 pilotos ao fim, apesar da dureza de algumas passagens (por falar nisso, nova técnica comprovada
: pa sacar um engravatanço, é meter um spin/perda assimétrica e siga.
Mas atenção, não tentem isto no vosso quintal, a não ser em caso de n
ecessidade, ya?)
Entretanto devem sair results.
Amanhã deve ser outro mangalho mas desta vez uma triangulação ou ida e volta, pa aliviar a coça da viagem de carro do golo.
HAsta

Nuno e ClOud Yo


PWC Castejón de Sos - 1ª manga

A 1ª manga realizou-se hoje, com descolagem tardia devido à muita humidade proveniente da chuva dos dias anteriores, a condicionar a base das nuvens à altitude da descolagem (2400m).
Voámos um circuito de cerca de 40km, em cerca de 1h:05m, com chegada massiva no final, de praticamente todos os pilotos, e os lugares da frente a serem discutidos ao segundo. Em cerca de 2minutos devem ter chegado 50 gajos...
A manga não começou da melhor forma para nós, eu mai
s baixo o Nuno a meio do pelotão, na vinda eu era mesmo o piloto mais baixo de todos, mas fui tb o 1º a apanhar a térmica o k me permitiu ganhar algum tempo e rapidamente chegar à nuvem.
O Nuno voltou a atrasar-se aqui um poukinho. Na baliza seguinte era uma questão de escolher uma boa linha junto à nuvem, recuperámos ambos lugares e
na térmica seguinte foi um vê se te avias. Eu cheguei rápido à nuvem e decidi arriscar tudo ao partir na frente pra ante-penultima baliza.
Cheguei + baixo k todos e tive de voltar a tomar a decisão.
Arrisquei um sotavento k me levou a perder um pouco de tempo a subir.
Quem veio at
rás de mim marrecou, e o resto da molhada seguiu um caminho completamente diferente indo por um venturi e subindo rapidamente.
A partir desta penultima baliza foi o ataque final, Nunão com o grupo da frente a meter o 2º degrau ao serviço picanço da ultima baliza e upa 3º degrau metido nas unhas dos pés pa dar + um cagagésimo\h :D Eu devo ter

chegado nos 70-80, Nunão nos 20 1ºs....
Entretanto devem sair os resultados, vamos dando informações.
Os próximos dias prometem.

rhaztaaa

ClOudyo


Ca
stejón dia 3 Liga Espanhola + PWC
Ontem foi a última manga da Liga Espanhola, com muita gente a voar, na competição, e mts a treinar para a Taça do Mundo. 68kilos, com groundstart (!) umas balizas ali perto da descolagem e depois a tirada final de 45km
para o golo, ao longo das cristas.
O cenário é brutal, vários picos de 3000m, com mta neve, vales verdejantes e algumas passagens mais hardcore, sem aterragem aparente. A verdade é que o sítio funciona mt bem, e mesmo na sombra da nuvem dá pa subir, se se atacar os spots correctos. Eu e o Cláudio começámos bem, embora tenhamos descolado uns minutos depois do start mas apanhámos a malta nas 1ªs balizas e na penúltima subimos bastante no vale, numa nuvem isolada. Aqui
optámos por seguir directo na direcção do golo a atacar uma crista bem á frente enquanto que a maior parte do pelotão voltou para a encosta, seguindo mais baixo, mas bem rápido.
O Cláudio foi totalmente pelo vale, nos barlaventos da nuvem e eu segui mais coiso. A minha decisão não foi a mais acertada e acabei por perder algum tempo. Fikei sozinho numa parede, a lamber o calhau, até conseguir subir o suficiente para atravessar um
vale sem aterragens.
lá segui, mas mt atrasado, embora tenha
conseguido impôr um andamento fixe a recuperar lugares, juntei-me ao Cláudio e mais uns quantos na última parede que tínhamos de transpôr pa xgar ao golo no vale, com vento de cauda. aqui foi só subir 50 metrinhos acima da crista e pata a fundo.
o Cláudio atrasou-se um pouco pq embora tenha xgado antes á parede, estava mais baixo com tudo à sombra e demorou mais a ganhar os tais 50 metrinhos...
resultado, cerca de 25 no golo, eu em 5º, Cláudio em 14º. Hoje, 1º dia da Taça do Mundo, com a meteo a ficar feia, cancelaram a manga. Tava um grizo dakeles na descolagem (aos 2400m!) Como a previsão era pa piorar e inclusivamente chover, viémos de coche para baixo, enquanto mais de 100 pilots descolavam para o voozinho higiénico.
Cedo deu pa ver que a nossa decisão de não voar foi a mai
s correcta, a chuva chegou rápido e o vento canalizou no vale. Tudo de orelhas sem descer nem andar pa frente e levar com chuvinha em cima... Vimos alguns a tentar aterrar na encosta para evitar a ventania no vale.
Infelizmente houve um acidente que ainda não sabemos bem da gravidade, mas aparentemente foi um espeta na encosta, numa zona íngreme e de difícil acesso.
Fizemos o apoio possível com o rádio entre o piloto que aterrou para socorrer, e a organização - já que estes não estavam alerta e nem sequer tinham os rádios na freq. de emergência... incrível.. organização a falhar logo no 1ºdia.
A ver como corre a partir daqui, vai tar mau mais um ou dois dias, depois parece bastante bom. Hasta!

Nunão e ClOudyozÃo :D

Resultados PWC Castejón 2008

Sábado, Junho 14, 2008

Castelo de Vide-Mérida, 111 km





por Paulo Reis

Após a descolagem de Castelo de Vide foi difícil subir até aos 2500m antes de sair do vale. Dirigi-me para a encosta de Porto da Espada em seguida bastante alto.
O vale de Porto da Espada não funcionava e estive à espera de conseguir sair do buraco durante algum tempo e quando estava pronto para deitar a "toalha ao chão" e ir aterrar, apanho um "Bip" fraco e decidi ficar ali à espera que aquilo se tornasse numa térmica e lá fui subindo que nem um caracol no meio duma auto-estrada. Aquilo era mais mocada seca, do que térmica!
Lá consegui sair dali e decidi ir para trás e forçar contra-vento (20 kms/h na tromba) para tentar seguir a estrada e o plano que tinha combinado com o pessoal que foi comigo.
Nessa altura estava à esquerda da Cordilheira que segue para Cáceres ("no man´s land") e se continuasse naquela rota, a deriva levar-me-ia para uma zona de pequenas montanhas, aterragens manhosas e muito poucas estradas. Voltei para trás a fazer serrotes depois de decidir que não ia (ser Anarca :-)) e seguir em direcção a Cáceres, ao contrário de todos os outros pilotos que partiram para distância.
Estava numa zona com poucas estradas, onde teria de caminhar algu
mas dezenas de kms a pé se tivesse de aterrar por ali.
Correndo o risco de ficar pelo caminho, decidi voltar a fazer serrotes até um local onde pudesse seguir uma estrada alcatroada. Antes de tomar a decisão de voltar para trás, falei com a Sílvia e Eusébio pelo rádio que me disseram que todos os pilotos tinham seguido muito mais para sul e eu conseguia avistar duas cidades grandes nessa direcção.
Fui fazendo serrotes até conseguir ficar alinhado com a nova rota (sudeste) que decidi seguir pois parecia-me a mais certeira para ir na direcção do restante pessoal. Com esta brincadeira toda, perdi duas horas antes de começar a cobrir "terreno a séria".
Logo que consegui começar a ir na rota que pretendia, foi sem
pre a facturar quilómetros, pois existia térmica com fartura por todo o lado e as aterragens deixaram de ser uma preocupação.
Apenas fui gerindo a altura que tinha e não queria baixar muito, pois acima dos 1800 havia umas confluências jeitosas e a térmica ficava mais consistente. Abaixo dos 1500m tornava-se trabalhoso voltar a subir.
Foi apenas um voo de gestão onde apenas usei o aceler
ador no inicio para voar contra-vento e tentar fazer a ligação com a estrada que seguia para Cáceres. O voo acabou por ser bastante tranquilo e longo, algo que eu não julguei possível depois das primeiras 2 horas de voo.
Durante o voo ainda houve uma altura de "compasso de espera" pois fui apanhado por uma camada de cirros bastante espessa que fez com que as térmicas escasseassem por um curto período de tempo. O engraçado foi que quando saí dessa situação, mal apanhei uma zona de sol sem cirros, aquilo começou a soltar térmicas com fartura e consegui ir a boiar durante bastantes Kms a aproveitar uma zona de confluência estranha.
Voei 5 horas até esgotar as térmicas todas que fui atropelando e estava com energia para voar até ao anoitecer, num dia estranho onde se descolou tarde (até deu para almoçar de faca e garfo), onde enjoei (quase "gromitei") na viagem de ida e não me apetecia
voar, onde estive prestes a aterrar no vale de Porto da Espada que estava sem bombar nada e parecia uma "panela de pressão estragada"!
Fui salvo por uma térmica fraca e turbulenta que me levou até à fronteira atrás e se tornou consistente à medida que subia e derivava para trás. Fiquei com a sensação de que se tivesse seguido a rota de Cáceres, teria conseguido cobrir muitos mais Kms, pois já conheço essa rota de frente para trás e de trás para a frente e a deriva era muito mais forte nessa direcção.
No final, adorei ter conseguido ir numa direcção que não conhecia e que me pareceu br
utalmente interessante para voos futuros. O terreno é plano, consegui identificar alguns gatilhos de térmicas interessantes, existem muitas estradas para aquele lado e as recolhas acabam por ser muito mais simples nessa direcção, pois voa- se perto da Auto-estrada E-90.
Ao aterrar em Mérida (às 20.30h) e após ter atendido 3 telefonemas em voo antes de aterrar e durante o planeio final, soube que o Saiote também tinha aterrado por lá e que tinha chegado 1.30h antes de mim.
Juntei-me a ele, depois de 5 kms a "alombar" com a asa às costas, pois aterrei no lado Este da Cidade e ele estava no lado Oeste e a "mamar survias" que nem um bêbado na Plaza de Espanha local. Foi a primeira vez que o vi alcoolicamente satisfeito, a falar pelos cotovelos e a rir-se descontroladamente. Afinal era o seu primeiro voo de 3 digitos :-)
Parabéns Saiote Anarca!!!!!!!!!
Bons voos e divirtam-se a voar,

Paulo Reis

Vídeo do voo

Tracklog na Liga XC Portugal

P.S: A parte chata foi ter sabido mais tarde, que muitos pilotos não conseguiram sequer sair de Castelo de Vide a voar. Continuem a insistir, pois o local não é fácil, mas vale a pena!

Terça-feira, Fevereiro 05, 2008

Meu 3º lugar no Pré-Mundial Valle de Bravo, Jan 2008

por Nuno Virgílio
















2ª Manga

yaaa, malta a curtir é o q interessa!!!
hj alto dia!
70kilos, manga mais para o plano, no final a voltar ás cristas e a acabar na margem do lago, relvinha com a Corona gelada á espera ;)
novamente porradinha qb no inicio ( um dos Valic andou aos papeis, teve de meter 4 fullstalll pa desengravatar o bicho, ainda assim xgaram os dois na frente, cabrones) mais sombra no final, td de
catalogo o spot é provavelmente o mlhor do mundo pa voar nesta altura do ano. no entanto tds os dias ha reservas.. a malta q se distrai no acelerador ou a olhar pó lado vai descascar pinheiros...
o final foi alucin
ante, pata a fundo a dar a abada aos francius e aos camones q iam na minha frente.
devo ter xgado nos 10 primeiros. o PNunes veio na molhada do meio entretanto devem sair classif.
hasta!!


3a manga
Como ontem foi "mt fácil" desenharam um mangalho de 93km. condicao mais mexida que nos dias anteriores, na espe
ra pelo start nao havia a nuvem do costume e subia-se menos, mas com mais
porradinha.
No ataque ao start e 1a baliza tivemos duas opcoes diferentes, o PNunes fez na frente, eu fikei a engonhar mais e fiz a transicao directa para a baliza, mt mais alto, perco pontos de lideranca, mas assumo a mesma, pois saio na frente com o Rossel, Blondeau
e um dos Valic, foi assim até á 3a baliza onde fikei baixo e perdi algum tempo, fomos alcancados pelo 2o grupo, cerca de 20 pilotos. O Rossel
tava alto mas saiu sozinho e acho q foi pro chao pq nunca mais o vi. a partir daki, novamenmte na "mesa" com umas balizas manhosas e pouca altura para
o chao onde perdi mt tempo, apesar de finalmente surgirem os primeiros farrapos. Consegui recuperar na transicao para o golo, a cerca de 30km aos 3600 precisava de um glide de +99... - altitude do golo 3300m!!!
esta parte foi mt rapida com a confluencia montada, e marcada por cum
ulos, deu pa subir a direito nalguns deles, termica de +7 integrada e assim xgar novamente ao grupo da frente.
a parte final, foi atacar as paredes, muito ao estilo dos Alpes, e transicao final para o golo quase a 100km/h!! houve varios pilotos a aterrar de marcha-atrás... esta foi a parte mais complicada do voo mas felizmente nao houve nada de grave. a falta de oxigenio deu direito a dores de cabeca e cansaco bastante grande so de carregar a asa para o carro da recolha.
Cheguei novamente nos 10 primeiros, o Paulo tb esteve bem e g
arantiu mais um golo num dia difícil.
Amanha ha mais voo de certeza.
hasta luego.














4ª Manga

hj foi duro.. o start foi novamente mt bom ,mais alto q todos e a regressar rapidamente ao GSpot... Ja percebi pq chamam "Crazy Thermal" á termica de servico no El Peñon.. ao pé desta a da Azinha nos dias "bons" é um passeio de pónei...
mesmo mt turbulento nalgumas zonas, de resto foi só manter o andamento e no final fazer como de costume, esticar o pernil ao maximo..
ta td mt renhido, ha 20 gajos q podem mudar ainda de posicoes e so no final é q q se decide td.
Tamos bem, embora nestas condicoes o estado de forma fisica conte tanto como o mental. Ha que treinar para o o proximo ano estarmos no ponto

Quem está: -Valics, ganham á vez, tao imparáveis, e com mákinas q n dao hipotese á concorrencia,
-Francius, a molhada toda do costume menos o Kortela, mas com uns
putos novos a andar bem.
-Camónes, alguns a dar-lhe bem, conhecem o spot e andam com umas UP novas mt boas
-Checos (menos a Petra e o Brauner) o costume, mas andam a ficar pa trás.. ou tem o pé mais leve; ou a táctica da cervejinha antes de descolar n é tao boa como a dos noodles
..
-Venezuelanos- ganharam por equipas e individual o Monarca (a prova na semana passada) ha um deles q nao conhecia mas q ta sempre na frente, ganhou na semana passada.
-Schváins (alemaes, pq n ha suicos) Maleki, Rossel e mais uns qts, o andamento do
costume, mt rapidos sempre na frente.
-Polacos e Austriacos, os do costume das PWC, mais uns qts conhecidos,
os Mexicanos embora conhecendo o local n tao com andamento.
Os Romenos tao imparaveis no Mezcal, ja mandaram umas quantas garrafas abaixo...
o spot é o do Mundial, as condicoes são mt consistentes, com confluência tds os dias, até agora vento fraco, sempre com nuvem (na zona de confluencia, q varia de dia para dia) ao inicio émexidinho
qb (tds os dias ha reservancos...) e a térmica é de esticao com vario nucleos, depois no plano mais classica, mas na mesma forte.

O chao é mt alto o q faz com que por um lado se tenha de tomar decisoes pela certa ou pode nao haver 2a tentativa, por outro, a pressao sendo mais baixa torna o ar mt instavel, sobe-se bem mesmo do chao, mta arborizado, com campos grandes de cultivo, o contraste n falha, é só ir lá e subir. da pa mta tactica, embora tb de pa se andar mt rapido, consoante se a prova tem mais apoio nas cristas ou mais pelo plano.
A organizacao tá boa.
Tamos numa casinha maijómenos, com as rotinas bem delineadas e a preparar bem as cenas. yoga de manha pa activar, noodles na descolagem, hidrataca
o qt baste e cuidado com a água e as comidas esquisitas (o PN ja tá a UltraLevur...)
hasta luego!!

5ª Manga
bateu-se novamente o record de maior distancia realizada em competicao neste local. 101km!
alta corrida, com zonas onde se andava mt ra
pido, e outras onde foi preciso aguentar os cavalos e meter umas abaixo pra n ir pro chao, depois novamente a confluencia a funcionar e a chupa da nuvem a dar uma ajuda pra andar a fundo sem necessidade de enrolar.
O dia parecia
mt semelhante a ontem, com uma inversao chata e estabilidade mas acabou por revelar-se bastante diferente para melhor, com nuvem maravilha a surgir um pouco por todo o lado e no final a marcar a famosa confluencia da zona. Desta vez a parte inicial do voo nao correu mt bem, e tive de trabalhar bastante para apanhar o grupo da frente, depois da 2a baliza. As linhas de ascendente aki sao fundamentais e percebendo onde se formam é possivel andar realmente rapido sem perder altura,
Ate a terceira baliza um grupo enorme andou sempre mais ou menos coeso, a partir daki e principalmente no regresso ao El Penon, dividiu-se bastante, sendo
esta zona a mais dificil de superar na passagem para o plateau por tras da descolagem. bastante dificil e axo q foi por esta zona q o Paulo aterrou. Uma vez conseguido foi so surfar as nuvens da confluencia, sempre a carregar bem no pedal para apanhar os fugitivos.
Nesta parte foi fundamental algumas contra-derivas de forma a sacar a chupa da nuvem na ida e volta ás balizas q tavam praticamente alinhadas com a confluencia. O glide final foi a fundo e deixei uns francius pa trás embora n conseguisse apanhar o Urban e o Ronny q arrancaram primeiro. Devo passar pra 2o na prova pq o Aljaz n xgou e o Caron atrasou-se mt. O italiano q tava proximo tb n o vi, resta o Ronny q deve tar coladinho.
Amanha é a negra, seja qual for o resultado ja valeu a pena.
yoz!!
Hasta luego!!!

6ª Manga
6a e ultima manga, 56km, e aterragem na praia do lago de Valle de Bravo, com mta assistencia e mta gente no golo mt dificil, mt rapido e mt renhida a corrida
! varios tipos de andamento pois o zigzag das balizas punha-nos dentro e fora da linha de confluencia e das nuvens, qd dava era a fundo nas linhas de ascendente, depois ao sair para fazer as balizas, mt engonhanco para subir novamente.
Numa chegada á termica tive um assimetrico aparentemente normal mas q engravatou e depois foi uma sequencia q felizmente n acabou mal..
rotacao, tentei travar o lado oposto para tirar a gravata mas spinou e tive de meter perda, a saida n foi boa e andei a ver o extradorso da asa e os pinheiros l
a em baixo ao mesmo tempo... outra perda e finalmente o bicho acalmou, logo depois entro num +5 q me pos na nuvem e acabei por nao perder mt tempo para o grupo da frente. no ataque ao golo tinhamos de cruzar o lago e foi a fundo os 10km
finais, cheguei na molhada mas com algum atraso para o Aljaz, o Ronny n o vi, por isso penso q ficou para trás. a ver se dá para manter o lugar no pódio


Conclusão
Já cá estamos, depois de 20h de viagem... muito cansativas, mal dormidas e a culminar uma semana de voos longos e durinhos.
O jet-lag também não ajuda, são 6 horas de diferença e todos os dias acabávamos por acordar ás 4-5 da manhã. Outro detalhe é a altitude.
Descolamos a 2200m, os tectos rondavam os 3400-3700 e chegámos a ter um golo aos 3300, os níveis de oxigénio fazem mossa, e houve mesmo um dia em que andei com dores de cabeça e cansaço extremos, depois de 4h de voo, e ter de carregar com a asa ás costas por ... 50m!
Em 6 dias voámos mais de 25h, em boas condições, se
mpre com nuvem, mas por vezes durinhas.
A espera pelo start era sempre na zona do El-Penon, conhecida pela "Crazy-Thermal", não dava mesmo para perceber bem como era, nem donde vinha, penso que era a confluencia de várias por cima do plateau, com nucleos diferentes e muitos cizalhamentos (numa volta apanhava-se desde +7 a -7...) conclusão, a térmica da Azinha ao pé desta é um passeio de pónei.. Depois, mais alto a coisa acalmava e tornava-se mais agradável.
O terreno é muito variado e o tipo de voo mais ou menos ao nosso estilo, com relevos baixos e alguma planície, intercalado com zonas muito arborizadas e mais montanhosas, chegando depois a ser quase estilo Alpino, na direcção do vulcão.
A organização esteve muito bem, com os transportes a funcionar bem, toda a logística também sem grandes falhas, equipa de resgate sempre pronta (todos os dias tinham acção... pilotos nas árvores ou em zonas remotas e de difícil acesso), e no secretariado havia bastante apoio aos pilotos, desde computadores com net, restaurante com os típicos pratos mexicanos até massagens para recuperar da coça diária..
Pelas condições muito consistentes e pela infinidade
de opções parara desenhar mangas vai ser sem dúvida um local excelente parara o Mundial, a confluência que se monta diariamente no planalto é uma auto-estrada autêntica e a conjugação com as idas ás balizas mais distantes obriga a adoptar várias tácticas ao longo da corrida, com alturas para acelerar e outras para voar mais conservador.
Ficámos bem instalados, e as rotinas que estabelecemos funcionaram bem (yoga para activar de manhã, cházinho, energéticos e camel-back para hidratação, noodles para comer antes de descolar, baterias carregadas diariamente..).
As expectativas que tinha da competição não eram muito altas mas claro que lá no fundo queria fazer uma boa prestação, estudei os adversários antes de ir e achei que um lugar no top 20 era razoável, no top 10 seria muito bom. Ao longo da semana os níveis de confiança foram-se consolidando e comecei a achar que algo mais ambicioso seria atingível, pelo que me foquei em continuar no meu estilo e de vez em quando fazer uma "jogada daquelas".
Resultou bem, o feed-back que fomos tendo também ajuda a manter o astral em altas, por isso agradeço a todos as mensagens de encorajamento.

Só se evolui a voar com pilotos mais experientes, pelo que esta prova foi um grande passo em frente, reconheço que a este nível se anda perto dos limites e a prova disso foi na última manga onde estive quase a ter de sacar do reserva. O meu conselho a todos é que não tenham pressas com evoluções, andem com material em que se sintam bem e confiantes, e acima de tudo conheçam os vossos limites (tivémos o exemplo de um piloto venezuelano, num dos dias em que estava mais porradinha resolveu não voar… Teve a humildade suficiente parara assumir que aquilo era demais para ele. Houve vários reservas nesse dia..
Só me resta agradecer uma vez mais o apoio de todos.
Até breve, encontramos-nos numa nuvem qualquer por aí ;)
hasta luego!!
Nvirgílio

Fotos: Algumas fotos de Silvio Zugarini

Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Someday

Segunda-feira, Dezembro 03, 2007

O meu Voo de 300 km no XCeará 2007

por Gonçalo Velez

Adoro participar no XCeará e espero conseguir ser um reincidente em cada ano!
Nesta prova voa-se em liberdade, o quanto se quer e para onde se quer, sem regras, sem limitações. Deve-se respeitar um eixo e voar-se em distância o mais longe que consigamos. Esse eixo deve ser preferencialmente a rota do vento que nos impele à sua velocidade.


Est
e ano os horários de descolagem adiantaram. Tem-se vindo a descobrir que é possível descolar tão cedo quanto as 7h e encontrar ascendente térmica!
Por isso, o pequeno almoço passou para as 6h30 e o primeiro
transporte para a descolagem às 7h!
Quase todos os pilotos partiam muito cedo para a descolagem. Procurei isolar-me dessa ânsia pois o que procurava era realizar um bom voo e não julgar que podia estabelecer algum recorde!
Descolar às 8h ou mesmo às 8h30 significava encontrar condições muito fracas, um tecto baixo e enfrentar um risco grande de não se ultrapassarem 20 km.
Subir à rampa demasiado cedo, para descolar horas depois impli
cava um desgaste muito grande pois a espera ao vento é enervante. Assim, subia cerca das 7h30-8h pois não fazia tenção de descolar antes das 9h.
Não sei por quê, achei as descolagens este ano mais fáceis. Talvez por ter levado uma asa mais rápida (Tycoon, dhv 2-3) do que a que usei nos anos anteriores em Quixadá (Tattoo, dhv 2). Além da maior velocidade em voo, esta asa infla e sobe com maior rapidez.

Carrego-a com 2 kg acima do limite superior.
São vários factores que melhoram a segurança nestas condições agressivas de Quixadá.

Quixadá, 15.11.07
Descolei às 9h10; a rampa está a 487m de altitude. A essa hora o tecto ainda era baixo, 1200m, e a minha in
tenção era seguir uma táctica de prudência: enrolar toda a ascendente que encontrasse.
Nestes ventos de 30-40 kmh de média, viajamos na deriva das térmicas que também se deslocam perto dessa velocidade.
Pouco depois de descolar fiquei baixo, km 15, e tive o sentimento de angústia do costume, de me sentir impotente para inverter um destino terrível, mas não desisti, claro. Esta era a zona da "marreca" geral.
Como já estava com algum treino naquelas condições, era o meu 6º voo em Quixadá este ano, fiz uma deriva na diagonal meio a contravento e, por sorte, entre dois montes pequenos que, provavelmente faziam acelerar o ar, soltou-se a térmica!
Consegui subir aos 1500m percorrendo vários quilómetros que me levaram para a planície de Madalena, deixando para trás os montes que envolvem Quixadá.
São os primeiros 60 km os mais cr
íticos. A maioria dos pilotos aterra antes de Madalena por que o tecto ainda é baixo, as térmicas não são muito fortes e o relevo é um pouco incompreensível. No plano a oeste de Quixadá, voa-se frequentemente no “azul”.
No entanto, neste
dia o céu estava bem populado de cúmulos.

Depois desta térmica fiz uma boa transição mas os cúmulos que tinha visado tinham esgotado a energia. Naquela zona há vários lagos e lembrei-me de o Diogo dizer que os lagos libertam sempre térmica.
Sobrevoei um lago pequeno onde tinha aterrado há dias, pensando que seria muito azar voltar a aterrar ali
.
Dirigi-me para sotavento do maior lago, onde já tinha subido noutras ocasiões, e sondei o espaço, nada. Estranho.
Vou perdendo altitude e desaperto a abertura da selette pois quero estar mais concentrado no voo. Deixo-me ir para sotavento sentindo ansiedade mas acreditando que não ficaria naquele local.
De repente, sinto-a! Formava um cúmulo, e interpretei que a térmica viajaria deitada perto do chão por cerca de 1 km e depois levantava.
Uff que alívio!
Os momentos mais memoráveis do voo de distância são estas recuperações inesperadas, sobretudo quando já se olha em redor para ver quais são as possibilidades de aterragem!
Este ano voei mais contido e mais ponderado, e apliquei pela primeira vez com sucesso a técnica de sondar o espaço.

Em voos anteriores o meu hábito quando perdia a térmica, era virar costas ao vento e “deixar-me ir que algo haveria de aparecer”.
Errado. É preferível redescobrir algo que existe (ou
já existiu) do que partir para a incerteza. Neste caso, socorria-me dos instrumentos e do “esperto na cabeça” para tentar perceber que podia já estar a voar a sotavento da térmica, ou ao lado.
As térmicas sofriam muito com a deriva do vento e desenvolviam-se muito “deitadas”. Senti que dominava melhor os nervos, que estava um piloto mais maduro, e senti que sofria muito menos com aquela impaciência de “voar sem ver” e o stress que isso provoca.
Voamos num meio transparente, que dá alguns indícios para quem os consiga detectar, mas se estivermos numa fase da nossa progressão em que não sabemos o que fazer, isso é muito enervante! Vamos para o chão sem sabermos porquê, nem o que poderíamos ter feito par
a o evitar.

Esta térmica levou-me até Madalena, km 60, numa rota a sul por onde nunca tinha passado. Aqui havia uma extensão muito grande de jurema, o mato com espinhos, que me deixou preocupado.
Nesta fase perdi muita altitude pois não conseguia urinar através da minha algália. Já há algum tempo que me esforçava, mas sem resultado. A minha preocupação era: ou mijava ou aterrava, pois o meu limite são as 3h-3h30 de voo.
Decidi que tinha de voar! Tirei
a luva, abri a selette, depois as calças, arranquei o tubo, esforcei-me e… “aqui vai disto, ó Evaristo!”
Nem vi o que aconteceu por causa do cockpit à frente, mas
penso que mais de metade da urina me molhou as calças e o interior da selette.
Não fez mal, ganhara outro ânimo para voar!
Depois co
nsegui outra térmica que me fez sobrevoar toda a serra de Monsenhor Tabosa e passar à vista dos locais onde já tinha aterrado duas vezes, uma delas dois dias antes. Só que desta vez passava alto e cedo, 15h.
Partilhei esta térmica com um urubu e girávamos observando-nos mutuamente, ambos com o pescoço dobrado para o lado. Respeitámo-nos sempre até ao instante em que decidi dar uma volta no sentido contrário e estraguei a nossa “relação”, levando-o a abandonar a térmica.

Em Tabosa, km 120, subi numa ascendente gerada por uma queimada e a térmica era suave, pouco rentável, mas segura.
Passei a serra de Tabosa pelo norte, por cima da estrada, e consegui nova térmica resultante doutra queimada que me levou aos 2800m.
A estrada no chão era uma longa recta para Nova Russas, e por cima tinha uma bela estrada de cúmulos.
Não sei porquê, este ano evitei entrar na nuvem… Voei bastante de acelerador sob as nuvens pois sugavam bastante, e também por ver ao longe o que pareciam congestus!
Passei o km 127 a pensar que tinha ultrapassado a minha melhor marca realizada este ano a partir de Castelo de Vide.
Foi neste troço, km 140, que sofri dois potentes frontais que me deixaram muito desconfortável, sobretudo por terem sido quase consecutivos. Estava na base do cúmulo e sentia-se uma turbulência muito agressiva e uma ascendente tipo sugadouro, algo preocupante.
Cometi o erro de abandonar a térmica para sotavento e de entrar em fortes descendentes.

A seguir a Nova Russas, km 160, tornei a ver-me a 300m do chão e a avaliar t
errenos de aterragens. Mas nova térmica me salvou e levou-me para 2600m.
Adiante acontece algo de curioso: o chão sobe, dando origem a um planalto, e ficamos com um tecto mais estreito! Essa é a impressão que dá, mas o tecto também vai subindo.
Olho em redor e dou-me conta de que não vi uma única asa durante todo o voo! Que se passa? Que é feito “deles”? Como se fala sempre demasiado no rádio, v
oo com ele desligado por isso não tinha qualquer noção sobre quem poderia estar a voar perto aquela hora.
A organização pedia que informássemos a nossa posição sempre que aproximávamos uma baliza: número de piloto, altitude e distância da baliza. Enviava essa informação e desligava o rádio.
Esta informação é importante por razões de segurança óbvias, mas também para permitir à organização posicionar veículos de transporte.

Passo Poranga, km 215, bastante alto, consigo atingir 2900m e percorro 26 km em planeio a direito. Em baixo a estrada é uma longa recta de terra com mato para cada lado. Uma zona muito preocupante se tivesse que aterrar, embora a estrada fosse sempre a salvação.
Às 16h30, km 255, consigo subir no que julguei ser a última térmica, que me levou aos 2900m outra vez.
Faço um planeio de uns 20 km numa restituição deliciosa em que a taxa de
queda é muito reduzida, e as cores do final de tarde são soberbas.
Concentrei-me a aproveitar ao máximo as modestas linhas de ascendente que fui sentindo. Às vezes desconcentrava-me a apreciar a paisagem e auto-criticava-me!
Cheguei a Pedro II eram 17h e reparo que estou no km 283.
Pergunto-me: e por que não os 300 km, hein?!

Passo a sul da cidade sobre uma colina e vejo adiante um urubu que enrolava térmica. Nem queria acreditar que ainda podia haver uma ascendente aquela hora!
Era fraca mas fez-me subir 700m. O urubu e eu girávamos sincronizados, eu desconfiado, tentava olhar para trás das costas para ver se ele não me traía. Depois subi mais do que ele e desistiu, foi procurar outra companhia.
Sabia que estava próximo o momento de aterrar e fazia contas ao terreno, e sobretudo tentava adivinhar qual era a estrada principal, ou seja, o eixo lógico dos transportes de recolha para não ficar muito distante de um local conveniente.
Do ar tudo parece perto e fácil, mas quando estamos aterrados arrependemo-nos de algumas opções de aterragem que fizemos, sobretudo quando o rádio não alcança alguém!

Contudo, neste momento só olhava para o conta quilómetros: queria passar o
s 300 km!
Voei por cima de uma estrada e esperei, tentando sempre sentir as melhores linhas de planeio.
Aproximava uma aldeia e vi 288 km.
Lá em baixo jogavam futebol num campo grande. Em redor o terreno era coberto de arvoredo e raras clareiras.
Detectei um campo largo, bom para aterrar, e outro campo mais longe, menos bom, estreito e ladeado de árvores.
Vi 299 km e deixei-me ir… esperei.

Mal vi os 300 km dei meia volta e dirigi-me para esse campo largo.
Uff, consegui.
Eram 17h30. Não tinha comido todo o dia e antes de dobrar a asa comi duas deliciosas maçãs e três mini-bananas que transportava comigo.
O rádio não tinha alcance e o meu telefone não tinha rede! Pedi a um dos nativos para enviar um sms ao Chico com as minhas coordenadas.
Fez-se escuro rapidamente e saí do campo na companhia de aldeãos com uma lanterna acesa na testa.

Deram-me boleia de moto até uma mercearia no centro da aldeia onde comprei cerveja, pão e uma lata de sardinhas, pouco mais havia para comer.
Soube que estava em Mororó, município de Lagoa de São Francisco, estado do Piauí.
Fecharam a mercearia às 20h e deitei-me a dormir no chão com uma bota a servir-me de almofada, o rádio ligado à cabeceira.
O carro da recolha apanhou-me eram 1h30 e cheguei ao hotel em Quixadá às 9h, atrasado para o pequeno almoço e para outro dia de voo!

Aqui está o track do voo que descrevo acima.

Conclusão
Este XCeará resultou numa enorme surpresa para mim pois acabei por voar o triplo do que voei em 2006!
Em 8 dias disponíveis, voei 7, num total de 18.9h.
Excluíndo o voo local de treino no primeiro sábado, voei 17.8h e 587 km de distância.
Isto equivale às médias por voo de 2h58 e de 98 km de distância.
Foi uma excelente semana!


Obrigado aos meus companheiros de viagem e de voo, Paulo Reis, Carlos Brasuka, Gil Navalho e João Brito pela amizade, e aos demais participantes, motoristas das recolhas, meninos de Juatama (os ajudas na descolagem) e pessoal da organização por participarem e organizarem esta prova tão especial.

O meu companheiro Paulo Reis fotografou e filmou:

Slideshow

Filmes:

Viagem para Quixadá e Voozinho

Briefing e Manga de Teste

Dias 1, 2 e 3

Dias 4 e 5

Dia 6 e Entrega de Prémios

Parabéns aos recordistas do Mundo, Marcelo Prieto “Cecéu”, Rafael Saladini “Sardinha” e Frank Brown pelos 461.8 km voados em 14.11.07, a véspera do dia do voo que relato acima.






Quinta-feira, Novembro 15, 2007

336 km no XCeará 2007



por Gil Navalho

Viva

O Ceará continua a bombar e os voos termina
m por sair!
Impressionante, voa-se todos os dias sem excepção.
É claro que o momento da descolagem é sempre emocionante e é preciso acreditar piamente na ordem para descolar dada pelo Expert local.

O Team Outsider ontem revelou a sua arma mais letal: Gonçalo Velez, conhecido nalguns locais por Gonçalo "Trepa-Tudo"!
O nosso artilheiro trabalhou como observador avançado e... 300kilos para o homem, em grande!

De resto tivemos o Brazuka, o Bruto e o Reis a defender posição, ficaram logo no início a mandar canhoadas para o pessoal que pretendia passar. Era só o que faltava, irem para distância, lenha nos gajos e venham para o chão.

Agora sobre o voo de ontem.
O início foi muito difícil (tecto a 1300m), mas isso já é habitual.
Até Madalena (km60) temos de voar em condições de sobrevivência total.
Transições muito curtas, tecto baixo e muito azul. No fundo é aguentar no ar, e esperar que o vento nos leve. Em Madalena o tecto já batia os 2000m.
A partir dai as coisas são "menos" dificeis. Começam a aparecer mais cumulos.
No entanto o dia era algo anormal, a térmica era muito turbulenta, e quase impossível de centrar. Tive de me empenhar para a asa não andar a largar peças pelo caminho...
Em Monsenhor Tabosa (km120)o tecto já atingia os 2400m (o chão está pelos 200m). Os cumulos começavam a ficar mais apetitosos e surgiam as primeiras linhas de confluência, se bem que curtas.

A partir de Poranga as coisas melhoram significativamente, confluências mais definidas. No entanto era necessário decidir o alinhamento a seguir muitos quilometros antes, pois as descendentes são brutais, e o vento
não permite andar a "passear" de um lado para o outro à procura da térmica (que inveja que eu tenho das Delta).
Depois de Poranga é que o Ceará mostrou "com quantos paus se faz uma canoa"!
Percorri muitos quilos de borla debaixo das confluências. É necessário ter o cuidado para não cair fora delas, e temos de saber escolher muito bem a faixa de altitude de trabalho. Ir junto à base implicava perder muito tempo, e tb estava freskote (tecto a 3000m). Por isso era andar ali a boiar entre os 2700 e os 2400.

O final de dia foi fabuloso. Foi a "cereja no topo do bolo". Depois de um dia em que andei horas a levar porrada da velha, um final de voo com termal suave e a poder apreciar a paisagem... Beleza!

O final do meu voo foi sobre uma zona de floresta com uma única estrada de terra. O cenário é bonito, o vermelho da terra a contrastar com o verde.
Aquela zona marca
o início da Amazónia, com um floresta ainda baixa, mas numa clara mudança da paisagem relativamente ao Sertão, em que tudo é muito seco...
As aterragens, essas são escassas. Mesmo na estrada existem poucos locais, dado que as copas das árvores fecham a estrada e a essa hora não há vento ao nível do solo. E com a restituição é necessário muito espaço para por o estojo no chão.
No final, 336 kilos em 8h30 de voo. O vento deu uma ajuda e consegui uma média bem melhor do que no voo anterior. Hoje não fui voar. As recolhas à brazileira a funcionar no seu melhor.
Cheguei ao hotel já depois das 7h, e já tinham saido os primeiros transportes para a descolagem. Mas também não faz mal, o vento esteve muito forte e atravessado.
Descolaram muito poucos pilotos de parapente. O vento e o power da termal eram de tal forma que eles nem sequer conseguiam penetrar, esbarrando na parrede
da térmica e a irem direitinhos para o chão.
Um pilto brasileiro de parapente relatou que fez vários SIV´s seguidos numa encosta por trás da descolagem!
Ao que parece houve um acidente com uma Delta, fez tumbling e partiu. O gajo não conseguiu abrir o reserva, e terminou por cair em cima de umas árvores. Tanto quanto ouvi, ele magoou-se mas estava a caminhar, perdeu os instrumentos e por isso não consegue dar as coordenadas do local. Para ajudar à festa não há pilotos a voar hoje para indicar a posição desta delta, e devem estar uns 45º no solo; Acabei de saber através do Chico Santos que o Heli está a chegar agora ao local, e a viatura de assistência está próxima.

Por certo que regressarei ao Ceará para voar. Por isso vão pensando quem quererá vir e juntar-se ao Team Outsider para XC no seu melhor.

Na classificação provisória que afixaram estou em 1º lugar. Mas ainda não constam lá os descartes, pelo que deve vencer a prova o Thomas Brauner e o Navalho em segundo.


Navalho

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Recorde Mundial, 461,8km!!






















por
Rafael Saladini

Hoje completamos 31 dias no sertão nordestino e a cad
a dia que passa o recorde mundial parece mais distante.
Os ânimos já estão c
ompletamente abalados, a pressão de ter passado tanto tempo em busca de um objetivo já há muito tempo pesa em nossos ombros, e não resta mais muita motivação e nem muitos dias. A situação atual também não é das mais confortáveis, pois durante o XCeará muitos pilotos começaram a copiar nossa estratégia de decolar bem cedo e sobreviver durante a manhã, o que nos pressionou psicologicamente ainda mais.
Afinal não seria justo após tantas tentativas e tanto est
udo do local, chegar um estrangeiro e quebrar a marca de 423 km. Seria um desastre.
O mais importante naquele momento era tentar abstrair toda a pressão e confiar em nossa própria capacidade.


O dia amanheceu azul prometendo condições perfeitas para bater o recorde. No entanto, durante os momentos iniciais do vôo, o cenário foi mudando radicalmente, com uma camada de stratus densa condensa
ndo acima dos primeiros cumulus do dia e sombreando a rota. Um desânimo inicial quase atrapalhou o dia que proporcionaria o primeiro vôo acima de 450km no Brasil.
Meu vício de abrir a cortina do quarto para checar a condição pela manhã nã
o existe mais.
Prefiro não mais ter opinião sobre o dia antes de chegar a Monsenhor Tabosa voando. Mas logo na subida da rampa, já havia uma densa camada de humidade em médias camadas da atmosfera desanimando muito os pilotos.
Alguns pilotos até riram quando colocamos a vela em posição de decolagem, o cenário indicava um prego logo atrás da rampa em Custódio.

Havíamos combinad
o em voarmos juntos para acelerar a velocidade média até o fim do dia. A dúvida era saber se isso seria possível, afinal voar dez horas completamente juntos no mesmo ritmo seria extremamente difícil.

Decolamos as 7:20h completamente desacreditados pelos que nos observavam. Alguns outros pilotos corajosos decolaram no mesmo horário.
Logo na saída o plano de voarmos juntos já não funcionou. Nos separamos na primeira térmica e acabei saindo da rampa em companhia de Francisco Ceará e André Modelo, enquanto Frank e Cecéu resolveram esperar mais alguns minutos.
Minha saída foi desastrosa, minha segunda térmica praticamente não existiu, eu acabei me separando de todo mundo e fui para uma altura crítica próximo a serra do padre (km 15).
Cheguei a 150 metros de altura embaixo de uma região completamente
sombreada, eram quase 8:00h e minha situação não era nada confortável. Com muito custo consegui encontrar uma maneira de sobreviver e voltar para o vôo.
Cecéu e Frank saíram um pouco atrás também em situação complicada, cruzando uma extensa região húmida e muito sombreada. Conseguiram sobreviver se arrastando pelos monólitos daquele inicio de vôo. Enquanto isso, André e Ceará deslocavam-se por uma rota um pouco mais a direita e já enga
tavam numa condição muito bem formada, colocando uns bons 10 km a nossa frente.
Minha ansiedade era grande, mas ainda restavam mais de 9 horas de vôo.
Quando avistei Frank e Cecéu juntos a cinco quilômetros de mim, pensei que poderíamos facilmente conectar em pouco tempo. Errado.
Como era muito cedo e os ciclos ainda estavam bem cur
tos, não consegui me manter no mesmo lugar e fui obrigado a continuar adiante sozinho até que eventualmente eles pudessem me alcançar para juntarmos o grupo.

Antes de Madalena chegamos a ficar bem próximos, mas como minha linha de térmicas estava funcionando bem melhor, acabei me adiantando ainda mais em relação a eles.
Frank e Cecéu escolheram uma linha complicada, que os manteve o
tempo inteiro com a corda no pescoço até o platô de Monsenhor Tabosa.
O resumo desse inicio de vôo era um cenário complicado, com nuvens estratificadas em camadas médias da atmosfera filtrando muito o sol já fraco da manhã, o grupo desmantelado com Cecéu e Frank juntos não conseguindo se desloc
ar satisfatoriamente para me alcançar, eu totalmente sozinho à frente com um medo enorme de cair, André e Ceará com 10km de vantagem e a total certeza de que se sobrevivêssemos a manhã, facilmente chegaríamos nos 400kms.
Mas nós tínhamos um problema, uma dupla de pilotos extremamente competentes e capazes, voando juntos a nossa frente. Isso significava que estávamos atrasados.
Minha ansiedade em conseguir me aproximar da dupla era tão grande quanto a minha ansiedade em conectar com Cecéu e Frank. Resolvi acima de tudo controlar minha ansiedade e mentalizar sobre a minha real situação. Correr s
ozinho não adiantaria nada e seria assumir um risco muito grande para a hora. E mesmo que conectasse com André e Ceará, pilotos antigos e experientes, acredito que sozinho não teria condições de influenciar nas decisões deles.
Minha ideia era atrasá-los ao máximo para dar tempo ao Cecéu e
Frank de me pegarem. Optei por confiar na capacidade do nosso trio para pegá-los mais tarde. Decisão conservadora que talvez tenha sido importantíssima para ajudar o grupo. Assim que pulei para o platô de Monsenhor Tabosa, voando burocraticamente consegui dar tempo para que meus companheiros se juntassem a mim.

Fiquei enrolando numa bolha fraca para delinear a linha
de perturbação para que eles tivessem mais segurança em pular mais rápido e mais baixo. Funcionou.
Est
ávamos no km 110 e finalmente conectamos o time. Um recorde mundial estava sendo construído naquele momento.
André e Ceará cruzaram a serra de Tabosa e rapidamente entravam na pl
anície de Nova Russas com uma vantagem considerável. Nós nos arrastamos pelo platô em seu teto de 700m do chão. Logo no final do platô me desconectei brevemente, pois encontrei um miolo térmico excelente que me colocou 400m mais alto que os dois, e para tentar pressionar André resolvi me atirar, mesmo não estando na base da nuvem, em sua direção para tentar obrigá-lo a abandonar sua térmica para não me deixar alcançá-lo. A estratégia funcionou muito bem, André aproveitou que já se encontrava em boa altura, para abandonar sua térmica e me tirar a referência. Mesmo assim foi possível encontrar a mesma térmica e assim delinear mais uma para adiantar meus parceiros.
A idéia de voarmos juntos era excelente e só traria benefícios, caso ocorresse
de fato. Um exemplo da dificuldade de voar em grupo foi a própria dupla a nossa frente, pois Ceará e André se separaram logo na saída do platô, onde Ceará acabou arriscando mais do que deveria, ficando muito baixo e permitindo que nós o ultrapassássemos. Pressionado por ter sido ultrapassado, Ceará acabou tomando decisões precipitadas e confiou demais na condição.
Acabou caindo por volta de 11:00h perto de Nova Russas.
O trio seguia forte, e mesmo não coincidindo muito bem com os ciclos, conseguíamos nos deslocar com uma boa velocidade média para o recorde.
André estava voando muito bem e com um timing de ciclos té
rmicos praticamente perfeito, enquanto nós, sempre 10km atrás,nos arrastávamos sem conseguir pegá-lo. Nosso ritmo foi razoável no trecho Nova Russas (km175) – Pedro II (km270).
Rastreávamos de forma eficiente e amistosa, o espírito de grupo que imaginamos em nossas conversas finalmente tomava cara, éramos um só organismo.
Uma atitude próximo
a Pedro II-PI confirmou. Colocamo-nos numa situação complicada e sobre pressão.
Chegamos a Pedro II numa altura crítica para a hora, 500m do chão ás 14:20h, e estávamos presos a uma térmica extremamente fr
aca que nos tomaria muito tempo para subir, e tempo era uma coisa que não tínhamos, o relógio é sempre o maior inimigo de um recordista.
Afinal o objetivo do grupo não era o Xceará e muito menos acumular mais um vôo de 300km. Resolvi partir para a agressividade em prol do grupo. Avisei meus parceiros pelo rádio que arriscaria todas as minhas fichas numa nuvem logo após Pedro II.
A resposta foi
sensacional: “Se um vai, tem que ir todo mundo. É recorde ou chão!!!”
Um açude grande logo após a cidade de Pedro II com uma nuvem enorme muito bem formada bem acima dele era nosso destino. Nossa bem desenvolvida
análise de nuvens não poderia falhar naquele momento tão especial do vôo-livre brasileiro, com três pilotos do mesmo país na iminência de quebrar o recorde mundial juntos.
Eram quase 14h30minh e estávamos beirando os 300 km de vôo, ainda tínhamos mais 3 horas de vôo e pouco menos de 150km para o recorde.
Nosso maior medo era entrarmos atrasados no ciclo daquela nuvem, um erro seria fatal naquela altura.
Cruzamos o açude e não batemos
em nada. Na verdade erramos na navegação, e para a nossa sorte o erro ainda era contornável, pois usamos o chamado ângulo do desespero, quando não resta mais muita opção, o jeito é jogar 90 graus em relação ao vento para encontrar qualquer linha de perturbação que possa ajudar.
A teoria ajudou na prática. Jogamos para a direita, batemos numa linha ativa, que era a linha ativ
a da nuvem, e em meio a uma falhadeira, acabamos encontrando um miolo de uns 3m/s que melhorou bastante nossa situação. Rapidamente estávamos em uma altura confortável e suficiente para continuar nos deslocando.
Fizemos uma pequena transição até a nuvem seguinte, onde finalmente atingimos em cheio o ciclo, nos posicionando muito bem para o h
orário, 14:40h na base da nuvem a apenas 15 km de PiriPiri-PI (km 310).
Uma desconfiança de que o recorde de fato poderia ser b
atido começava a nos angustiar. Na transição para PiriPiri enxergamos André muito baixo tentando sobreviver um pouco antes da cidade. Ele de fato cometeu um erro fatal em ficar tão baixo por ali e acabou pousando. Apesar de ter a certeza de que mais cedo ou mais tarde o pegaríamos, um alívio tomou conta do grupo, afinal a partir de agora tudo só dependeria de nós.
O cenário a frente não era dos
melhores. Apesar de sempre termos lidado com cirrus e adversidades naquela região final do vôo, aquele céu por um momento nos assustou, pois estava muito húmido e com nuvens estratificadas em camadas médias e baixas da atmosfera.

O deslocamento até Barras (km 375)foi muito bem estudado e sem grandes emoções, passamos a direita da cidade um pouco antes das 16:00h.
Ainda tínhamos 1h e 45m para o pôr-do-sol, que estava marcado para as 17:43h de acordo com o GPS. Para homologar um recorde devemos cumprir com as regras locais de aviação, e no Brasil aeronaves
sem instrumentos adequados para navegação noturna, devem pousar antes do horário do pôr-do-sol.
A partir de Barras-PI tomamos decisões rápidas e estratégicas para nos posicionarmos bem naquelas horas finais.
O maior desafio foi conter a ansiedade para manter a velocidade média, que é sem
dúvida o ponto mais importante para atingir o objetivo em tempo hábil. O maior problema de voar o dia inteiro é ser capaz de adaptar-se as horas do dia, ou seja, durante a manhã não é necessário ter pressa e assumir muitos riscos que podem facilmente te colocar no chão.
A partir das 11:00h a condição já começa a arredondar e já torna-se mais confiável, permitindo um desloc
amento mais agressivo e constante, mas o problema principal é durante o final de tarde, quando o piloto já vem com um ritmo acelerado das horas mais fortes do dia e não percebe que chegou a hora de desacelerar o ritmo para não cair. Pilotos demasiado agressivos podem até ter a sorte ou encaixar-se perfeitamente nos ciclos, mas acredito ser muito difícil não cometerem erro algum.
Comparo essa transição do meio para o final da tarde com a chegada de uma longa viagem, onde o condutor entra em área urbana num ritmo de rodovia, acima do limite de velocidade e com
o já está bem perto de casa (recorde) acaba relaxando e perde a concentração pelo cansaço. São nessas circunstâncias que acontecem grande parte dos acidentes. Portanto, assim como dirigindo, é sempre importante manter a concentração e o foco até o final, pois um pequeno erro pode custar caro. Aprendi isso durante dois grandes vôos que realizei em Quixadá, pois quando me aproximava do final deixava minhas emoções tomarem conta das minhas decisões, me atrapalhando a ponto de não me permitirem cumprir meu objetivo. Cai duas vezes a beira de transpor os 400 km por isso.

Em
Barras-PI, tomamos talvez a decisão mais sábia do vôo inteiro, forçando quase 90 graus para a direita em direção a uma linha de perturbação que se encontrava acima de uma seqüência de fogueiras. A nuvem que estávamos de olho na verdade nem funcionou direito, mas fomos obrigados a subir bastante tempo em 1,5m/s até atingirmos uma altura segura para pularmos para a próxima queimada.
E assim foi, e
ram 16h30 quando cruzamos a barreira dos 400 kms, ainda restavam 1h e 15 m de vôo, estávamos juntos e só faltavam 23km para o recorde.

Uma euforia tomou conta do grupo e fui muito bem ciceroneado por Marcelo Prieto que nos deu as boas vindas pelo rádio ao seleto grupo de pilotos que passara
m dos 400kms. Mas ainda faltava mais um movimento para ganharmos o jogo. Mais uma térmica.
Os planeios após a barreira dos 400 km foram tensos. Eu e Marcelo n
os mantivemos frios e céticos até estarmos acima da marca dos 423 km, enquanto Frank já comemorava e já tinha certeza de que bateríamos a marca facilmente.
O “go to”do GPS era Miguel Alves-PI (km 455) desde o início do vôo e depois de tudo que passamos, estávamos a pouco mais de 40km da cidade e apenas a 10km do recorde mundial de distância livre. Era o momento de encontrarmos mais uma para garantir.

Alinham
os com uma seqüência de queimadas e chegamos a conclusão de que seria impossível não encontrarmos nada por ali.
Nosso instinto funcionou muito bem durante todo o vôo e não seria agora no final que seria diferente. Encontramos um miolo excelente para o horário que nos colocou de volta acima dos 2000m de altura.
Era hora de controlar friamente as emoções, p
ois o recorde mundial havia sido batido, porém nosso objetivo era Miguel Alves-PI e faltavam ainda 30km. Um dos highlights do vôo sem dúvida foi a chegada ao rio Parnaíba, divisa de estados entre Piauí e Maranhão.
Esse planeio foi emocionante. Como falamos desse momento du
rante tanto tempo, enfim nosso sonho se realizava, 445km de Quixadá e a gente realizando nosso último planeio em direção ao tão sonhado Rio Parnaíba.
Chegamos lá a 200 metros de altura acima de uma queimada onde encontramos bolhas bem formadas e constantes. Era definitivamente um momento de contemplação.

Enfim estávamos 100% realizados, após tantas tentativas, tanto comprometimento e dedicaçã
o. Durante o planeio até o rio, sem dúvida foi o primeiro momento durante todo aquele vôo que consegui relaxar, após 10h e 10m de pura atenção e adrenalina, a cabeça estava livre para pensar em outras coisas. Fiz uma retrospectiva de toda a minha trajetória no vôo livre e agradeci muito a todos os personagens que me ajudaram a estar ali.
Lembrei muito de André Fleury, que c
ertamente estaria ali do nosso lado na parceria caso já estivesse em condições. Definitivamente aquele recorde mundial só estava sendo alcançado no sertão nordestino brasileiro, graças aos esforços de André Fleury e Marcelo Prieto, que durante muitos anos dedicaram seu tempo e conhecimento para desvendar algumas peculiaridades da região. Foi uma quebra de paradigma, pois durante toda a história do vôo livre no sertão, nunca se pensou em decolar tão cedo.
A janela agora rompia a casa das dez horas voáveis. Com o grande diferencial de vento forte e condições meteorológicas perfeitas.
Olhei para o Cecéu ainda em vôo do meu lado com profunda admiração, afinal eu fui abençoado de tê-lo como professor e sou abençoado de tê-lo como amigo. Sei que pra ele aquele momento era tão especial quanto pra mim. Não por simplesmente quebrar o tal famoso recorde mundial de distância livre em Parapente, mas por ser reco
mpensado em grande estilo depois de tanta busca e perseverança.
Foram longos dias fora de casa, suportando muitas críticas, inveja e pressão. E pensar que na
da disso foi em vão. O regime de quartel que sempre fizemos questão de impor para manter nossa disciplina, enfim rendia-nos bons frutos.

Subíamos a quase 2,0m/s constante acim
a do Rio Parnaíba em direção a base da nuvem, eram 17:25h e não tínhamos muito tempo para pousar.
De fato é contra meus princípios não cumprir com certas regras de segurança, entretanto após o pôr-do-sol ai
nda restam pelo menos quinze minutos de luz que permitem perfeitamente pousar em segurança. Se eu não estivesse voando nessas circunstâncias certamente eu aproveitaria cada segundo disponível de luz, porém decidimos abandonar nossa última térmica que nos levaria para os 500km para garantir a homologação do recorde. É justo.
A vegetação do Maranhão já é bem húmida e verde, com árvores e coqueiros enormes que limitam em muito as opções de pouso. Em nosso planeio final ficamos um pouco apreensivos, pois b
atíamos em bolhas fraquinhas que não nos permitiam perder altura, por ironia chegamos a fazer cálculos de quanto tempo demoraríamos a pousar se continuássemos naquela razão de planeio. De fato se continuássemos naquela linha de bolhas ultrapassaríamos a “deadline”, então fizemos orelhas e procuramos um linha ruim que nos colocasse no chão mais rapidamente.
Seguimos uma estrad
a de terra até uma pequena vila chamada Santana Velha, onde aterrizamos num pequeno campo de futebol.
Fomos muito bem recebidos e até um bom arroz e feijão foram servidos bem ao estilo da região. Os locais nunca haviam ouvido falar daquele pedaço de pano voador e por ali nunca
havia passado nenhum tipo de aeronave parecida.
Perguntavam-nos se havíamos pulado de um avião, e quando e
xplicamos que havíamos saído de Quixadá-CE, fizeram aquela cara de quem está ouvindo mentira. A melhor explicação nessas horas é sempre a mais rápida de se entender, portanto dizíamos que um vento muito forte havia nos levado para lá, em parte era uma grande verdade. Sem dúvida esportes como o vôo-livre parecem muito imprevisíveis, pois só conseguimos enxergar as cicatrizes deixadas pelos fluxos, mas nunca enxergamos os fluxos em si. Talvez por isso seja tão incompreendido por todos e encarado como um esporte tão perigoso.
“É muita coragem...” – a frase mais falada na vila. De fato para quem não pratica deve ser loucura.

Afinal passamos mais de dez horas pendurados naquelas linhas a milhares de metros do chão, tomando centenas de decisões, dentro de uma massa que mal enxergamos. Em Quixadá comparo o início do vôo a um rafting, onde a única opção é seguir a correnteza. Mas por mais que pareça uma loucura, existe muito estudo e conhecimento por trás.
Seguimos o plano.
Decolamos no
coração do Ceará, sobrevoamos todo o estado do Piauí e chegamos muito próximos a região amazônica no Maranhão. Cruzamos uma grande parte do sertão nordestino. Os três juntos. A quebra desse recorde não é simplesmente o rompimento de uma barreira numérica, mas também a prova de que o vôo-livre não necessariamente precisa ser um esporte individual e egocêntrico.

Nosso sonho de trabalhar em equipe funcionou. E a equipe não se resume apenas aos pilotos no ar, não podemos esquecer de nosso digníssimo resgate Dioclécio, o Dió, e da SOL Paragliders, que desenvolveu essas velas maravilhosas e nos apoiou muito na conquista.

Quando decidimos voar juntos, sabíamos das adversidades. Somos totalmente programados para competição, portanto nunca olhamos para o piloto ao lado como nosso companheiro, e sim como nosso adversário que devemos em algum momento dispensá-lo.
As vitórias são individuais e não existe espaço para mais de um piloto nos degraus do pódio.
Quando iniciamos nossa busca pelo recorde em Outubro, me peguei em diversos vôos competindo com meu companheiro Cecéu, quando na verdade deveria apenas ajudá-lo e ser ajudado. É sempre muito mais fácil para todos voar em grupo, mas o difícil é transformar esse grupo em um time. Frank em pouco tempo voando ao nosso lado, entendeu nossa filosofia e já fazia parte dela. Foi uma filosofia também iniciada por André Fleury e Marcelo Prieto, e estamos todos ex
tremamente realizados por ter tido a oportunidade de colocá-la em prática de forma tão perfeita e harmônica, culminando em um Recorde Mundial de Distância Livre. A Expedição XCNordeste 2007 finalmente chega ao fim.

Foram 31 dias investidos em Quixadá, Ceará, Brasil. Três recordes importantes batidos, dois sul-americanos e um mundial de distância livre. Quatro vôos muito importantes (397 km, 414 km, 398 km e 461 km). Mais de 3.000km voados e mais de 8.000km rodados pelo nosso resgate. Sem dúvida um sucesso.
Tenho a certeza de que após anos investindo pesado nas Expedições XCNordeste, Ary Pradi deve estar muito satisfeito, afinal três pilotos da equipe
SOL, voando os novos Tracer 11, realizaram um feito inédito no parapente mundial, 461 km juntos.
A SOL, o Ary e os pilotos merecem.
A equipe SOL gostaria de prestar um agradecimento muito especial a Cláudio Henrique Landim de Fortaleza por todo o seu apoio durante a Expedição XCNordeste 2007.

Abraço a todos e que venham os 500km...
Até 2008...


Rafael Saladini


Recorde Mundial - 461,8Km em 14.11.07 por Marcelo "Ceceu" Prieto, Rafael Saladini "Sardinha" e Frank Brown - SOL Tracer 11.



Fonte: SOL Paragliders



Sábado, Novembro 03, 2007

Enfim, os 300 km!






















por Olympio Faissol


Com dois vôos de mais de 9 horas em Quixadá, realizei meu sonho de voar 300 km. Os vôos, de 359 km e 335 km, podem ser visualizados aqui: 359 km e 335 km

Deixarei os relatos para algum momento tedioso de inverno.

Quixadá realmente é o céu e o inferno.
No primeiro dia, em que o Rafa bateu o recorde sul-americano, com 397km, pousei às 8h00. Voltei correndo para a rampa de moto-taxi. Na segunda decolagem, puxei a vela antes de uma rajada e voei de ré para o rotor, passando maus momentos.


No dia seguinte, a condição estava ainda melhor, com mais nuvens e organizada. Fiz 100km em 2 horas, caindo às 11h00, num venturi ao norte de Tabosa. No momento em que caí, pensava se teria de passar pela mesma, horrenda desilusão do ano passado. Não voltaríamos a ter um dia tão especial como aquele...

Continuei a lutar, mas a condição insistia em azular por volta das 11h00, quando as térmicas passavam a ser falhadas e com cisalhamento. E aí surgia o dilema: seguir lentamente pelo azul ou descansar para o próximo dia?

Somente no domingo (21/10), cravaria os 300. Nesse dia, foi o Rafa quem caiu cedo. Juntos teríamos feito muito mais do que os 335 km que voei (em zig-zag). Cheguei em Piripiri por volta das 16h15, com uma hora e quinze de vôo pela frente. Mas um congestus enorme desaguava sobre a planície no Piauí, fechando a rota para Barras, que estava a um planeio. Não importa, já estava satisfeito.

A verdade é que nenhum dos dias em que voamos foi completo (vento forte e alinhado ao longo da rota, cumulus abundantes e ausência de cirrus). No dia seguinte ao meu vôo, o Cecéu bateu a marca do Rafa, voando 414 km, o primeiro vôo de mais de 400 em território brasileiro. Pegou cirrus na perna final, vendo as chances de derrubar o recorde mundial irem por água abaixo. Uma pena... Mas é muito provável que o recorde caia em território brasileiro nos próximos dias (nota ed.: o recorde mundial foi batido em 14/11 por Frank Brown, Cecéu e Rafa, com 462km).

Meu segundo vôo longo, de 359 km, foi uma lição de que só se pode dar o dia por terminado ao colocar os pés no chão. O vôo começou com condições clássicas, mas azulou no km 70. Daí em diante, fui me arrastando pelo azul até pouco antes de Crateús (rota para leste, um pouco ao sul da tradicional). A condição voltou a arredondar somente no km 160, quando já havia salvo o dia a menos de 50m do chão. Nesse dia, o cirrus voltou a nos atrapalhar. Pousei às 17h00, sem fazer o planeio final, porque a última térmica do dia já era muita fraca para me tirar do chão. O Rafa, que voava uns 15km à minha frente, dispensou o lastro, pousando às 17h40, com 398km.

Nada como a ambição humana... Agora é natural querer os 400. Mas a verdade é que - como disse um escritor mexicano - a Deusa do êxito é uma puta. Sempre haverá pilotos voando mais longe e mais rápido... Quem se apegar demais às cifras, fatalmente terá decepções.

Olhando para trás e fazendo uma retrospectiva dos últimos 6 anos, em que o cross-country tornou secundários todos meus demais interesses, voar mais de 300km terá sido o ponto alto da jornada. E, ainda assim, é uma parte pequena dos muitos momentos espetaculares que esse esporte me proporcionou.

Definitivamente, para mim, o vôo de distância livre põe em cheque qualquer concepção do que seriam, para aqueles que não voam, as férias ideais. Um dia, quando for obrigado a ver pontos turísticos, visitar restaurantes e museus, lembrarei dos gloriosos dias de XC. E, então, olharei com certa incomodidade para o céu e as nuvens, tentando afastar, em vão, a nostalgia dos bons tempos...

Terça-feira, Julho 17, 2007

Castelo de Vide-Plasencia, 127 km






por Gonçalo Velez


A descolagem de Castelo de Vide, próximo da Senhora da Penha, tem uma paisagem cativante de planície a perder de vista. O terreno não está limpo e coloca-se a asa em cima das ervas e dos arbustos, dá-lhe u
m ar mais selvagem e montanheiro.
Descolámos com muito optimismo pois a previsão do dia era promissora.
No entanto, os primeiros a fazê-lo, Nuno V, David A, Pedro L e Paulo R, estavam com muita dificuldade em ganhar altitude: enrolavam para trás do monte e regressavam à frente à procura de melhor térmica.
Depois de descolar reparei que por cima da descolagem a térmica era boa e constante e aí me mantive, para depois me juntar ao Eduardo que tinha subido mais ao lado.
Já não me lembro quem virou costas ao vento em primeiro, mas lembro-me de me sentir farto de não conseguir subir mais e de deixar-me ir para trás, mesmo com pouca altura (1240m), ou 500m acima da descolagem!

Quase sempre esta medida de descarga de impaciência dá um mau resultado, mas a intenção era ir explorar outras paragens pois ali só se “estagnava”.
Julguei que encontraria ascendente por cima da vila e do monte do castelo de Castelo de Vide, mas nada. Continuei para sotavento sempre a d
escer, o Eduardo mantinha-se alto, sobrevoei longas lajes de rocha, sentindo-me muito baixo abri a selette, mas felizmente recuperei a oeste de uma estação de combóios entre C Vide e Marvão, Beirã.
O Eduardo esperava, juntei-me a ele, e seguimos. Atravessámos a planície a oeste de Valência de Alcântara enrolando outra térmica, que era formada de bolhas com muita deriva. Aliás, a maioria das ascendentes do dia até aos 1600m eram bolhas arrastadas pelo vento.
O dia estava muito seco e as condições eram duras, àsperas, o vento forte e a turbulência era constante e tornavam a asa sempre muito agitada. No entanto, as térmicas não eram potentes.
No final da planície volto a estar muito baixo, o Eduardo mais alto enrolava numa térmica para oeste, sigo por cima de campos de oliveiras sempre a baixar. Desaperto a selett
e, mais adianto encontro-me a menos de 50m do chão e tiro as pernas para fora, mas sinto-me ser levado por uma bolha e deixo-me ir com a deriva.
Passo por cima de um cabo eléctrico que era a minha referência para aterrar, e sinto-me a subir ligeiramente mas a viajar, percorrendo esse território de oliveiras. A térmica torna-se mais consistente e subo com melhor rendimento. Em pouco tempo tenho um bando de abutres a partilhar a ascendente e a girar comigo.
O Eduardo que girava numa térmica mais fraca veio juntar-se a nós. Subiu mais rápido e pisgou-se em transição para NE.
Mantive-me a enrolar e vejo-o a descer imenso na direcção do Tejo. Vejo-o já longe e muito perto da margem direita sobre as oliveiras e pensei “Para que foi ele para ali, coitado?! Já não se safa…” e mantive-me alto. Foi aqui que nos separámos por que
depois vi-o a recuperar lentamente e deixei de o ver.
Adiante subia-se mais e comecei a ultrapassar os 2000m e a caír pouco. O vento intensificava-se e às vezes acelerava brutalmente misturado com térmica, o que se traduzia em muita turbulência. Cheguei a observar 80 kmh no gps!
A meio do voo dei-me conta de que já não aguentava os abdominais, com tanto solavanco e esticão estava a sofrer os efeitos de voar com o ventral todo aberto e demasiado deitado na selette! Endireitei um pouco o espaldar da cadeira mas o mal já estava feito… Comecei a voar com grande incómodo.
Tinha furado o cantil na descolagem e não tinha bebido durante o voo, e devia estar bastante desidratado, o que não ajuda à recuperação do esforço.
Passei sobre uma grande albufeira do Tejo a 1700m e, para meu espanto, reparo nos sulcos à superfície da água criados pelas rajadas de vento!
Como não tinha
presente a previsão do vento ao longo do dia, achei que as condições podiam ter-se tornado demasiado agressivas, facto que me preocupou bastante.
Decidi voar em frente e aterrar onde foss
e. No entanto a sustentação era muito grande e voava uma maioria de tempo sobre ascendente.
A paisagem era formidável e já via à frente a serra de Gredos encimada de uma série de cúmulos. Pensei que talvez esses cúmulos me pudessem tornar o voo mais confortável, mas nunca os alcancei…

Passei os 96 km, a minha distância de 200
6, e dado o meu cansaço achei que já estava satisfeito. Fui deixando baixar-me a pouco e pouco, estudei uns campos perto de uma aldeia, abri a selette e já muito baixo, com as pernas de fora, preparado para aterrar, volto a sentir ascendente!
Não resisti à tentação e enrolei com convicção pensando que “ainda não chegou a hora, faço mais um esforço!”.
Voltei a atingir os 1500m e deixei-me ir… Via ao longe uma cidade na base do monte junto a uma lagoa encravada entre encostas que vi
m a saber ser Plasencia.
Passei o meu recorde anterior de 111 km e achei que ficava nos 115 km, mas as c
ondições pareciam-me fáceis com tantas bolhas a empurrar-me e deixei-me seguir em frente, sem procurar ascendentes, até que aterrei nuns campos herbosos perto de uma manada de vacas aos 127 km de voo (4h11), cerca de 3 km a sul de Plasencia. Aterrei quase na vertical mas o vento não estava tão rijo quanto temi.
Muito obrigado ao Eduardo pela excelente companh
ia e por ter esperado por mim no início, parabéns pelo voaço!
Muito obrigado ao Nuno Girão e ao Pedro Lacerda pela recol
ha!

O meu voo na Liga XC Portugal. Voo realizado em 14.07.07.


Fotos: Iva Saiote, Ana Fernandes, Eduardo Lagoa.


Castelo de Vide-Talayuela, 169 km


por Eduardo Lagoa

Em primeiro lugar queria agradecer a disponibilidade da nossa equipa de recolha (Pedro Lacerda, Girão) o meu muito obrigado.

Dou os meus parabéns ao Gonçalo Velez, pelo seu trabalho na primeira fase do voo (primeiros 30km) foi igual a si próprio nunca desistiu, esteve quase aterrado por quatro vezes mas lá foi rapando o fundo: ”Fantástico”.
Acho que este voo foi possível, com aplicação de muita arte e engenho em dias de sobrevivência (Primeiros 30km) voávamos entre os 1000 e os 1500m.

Fiz uma boa leitura das condições do dia, todos os outros pilotos chegavam aos 1500m e não dava mais estava ali montada uma inversão e com vento à mistura não er
a apetecível virar costas e ir embora.
Fiz um primeiro voo e não passava dos 1400m decidi fazer toplandig, esperei um pouco e voltei a descolar no momento certo, quando chego aos 1400m parou de subir mas eu continuei a enrolar e deixo-me ir com a deriva pois estava muito baixo e não dava para virar costas ao vento.
Nos primeiros 30km fiz transições curtas e muito tempo a enrolar em deriva, muita paciência porque acreditava que na frente estaria melhor o que se veio a confirmar ao km 30 e qualquer coisa a primeira térmica de jeito 2200m.
Até aqui vim sempre com o Gonçalo, eu por cima e ele por baixo. Ao km 40 o Gonçalo decidiu ficar para trás a subir uma térmica e eu começo a fazer uma transição mais longa e a cair bastante mas com o objectivo de encontrar uma t
érmica junto de uma linha de água. Cheguei baixo mas lá estava ela começo a subir e logo de seguida levo um embrulhanço, fico a olhar para a asa, estava preocupado em controlar a situação. Quando ponho os olhos no horizonte tinha á minha volta mais de 20 abutres. Eu penso que foi um rotor gerado por eles que provocaram este fechaço!!!!! Mas claro esta foi a primeira grande térmica do dia mais de 3000m, a partir daqui passei a fazer o voo entre os 2000 e os 3000m assim já era possível observar a paisagem soberba que tinha como pano de fundo o rio Tejo.
Nos últimos 30 km fiquei com muitas dúvidas daquilo que devia fazer, se ir para a montanha (serra de Gredos) ou continuar pelo plano, já cansado optei por seguir pelo plano porque se o voo tinha sido muito duro por causa do vento e da turbulênc
ia que havia, não me achava capaz de enfrentar uma montanha daquelas.
Perto do fim fiz umas opções que não deram bom resultado e baixei dos 2000m, aqui voltou outra vez a sobrevivência, mas lá fui andando de povoação em povoação até aterrar no meio de uma plantação de tabaco ás portas de Talayuela.

Acho que foi um bom voo (169 km, 5h21), mas no fim poderia ter feito melhor!!!
Venha lá o próximo!

Eduardo Lagoa



P.S. Já podem ver o voo na liga XC Portugal.

Segunda-feira, Abril 16, 2007

Dicas Básicas para Voar Térmica





















Um resumo para principiantes


Mal o vario apita deixar ir em frente, mal ele abranda virar para o lado em que se sente mais pressão no manobrador: o lado do núcleo.
Só interessa enrolar uma térmica desde que se oiça o vario apitar durante 3-4 seg consecutivos. Quanto mais tempo ele apita mais larga é a térmica.
O “deixar ir em frente” permite-nos saber qual o diâmetro da térmica, de que lado está o núcleo e qual a sua intensidade.
Virar sempre largo para explorar o conteúdo da térmica, apertar a curva sempre que o vario enfraquece. Não apertar a curva se o vario não enfraquecer! Pretende-se rodar largo e travado, a baixa velocidade, para maximizar o tempo em que se está na ascendente.
Em voo de transição, manter uma pressão ligeira nos 2 manobradores e rodar ligeiramente para o lado em que se sente aumentar a pressão, mesmo que ténue. Às vezes é a franja de uma térmica. Se o vario continuar a apitar: rodar mais, sempre largo, e corrigir sempre a inclinação da curva consoante o seu som.


Terça-feira, Abril 10, 2007

Interrogado pelo Man do Dia

Como uma Térmica me Abandonou no Campo de Tiro de Alcochete

por Pedro Lacerda

Fui na tal folga de talhante para a Arrábida ontem e as condições estavam mais ou menos engraçadas: entravam ciclos de sul e de norte daria para descolar para qualquer dos lados, embora parecesse que o norte tinha mais força. Mas estava sozinho e não descolaria para norte sozinho, é um sitio desgraçado.
Telefonei ao pessoal da zona e andava tudo indisponível, voltei para a deco de sul e fui voar. Estavam ciclos fraquitos e não se subia mais que uns 50m por cima da deco e por duas vezes vi a coisa mal parada a ficar baixo, fiquei uma hora nisto sobe e desce até que ganhei um conhé e como a deriva estava a ser com vento de SE fui até ao lado da rampa, olho para a manga antes de chegar e está hirta a apontar para cima foi lindo umas voltinhas e cabum uma térmica a sério finalmente daquelas com força e alegria, estava um cumulo a formar-se por cima do Formosinho e aquilo era tudo da mesma familia bora ai nuvem com ele.
As nuvens estavam como de costume por detrás da serra mas nesse momento aproximaram-se mais e estavam ao alcance, as derivas estavam meias taralhocas e lembro-me de ver oeste o que me fez pensar que estava do lado errado da confluência e que aquela termica tinha rebentado porque o oeste estava a chegar.
Mas até à serra de São Luiz foi àbrir de acelerador metido e a perder pouco enrolar seguir bando termica outra vez, palmela termiks mais complicada acho e ali a linha dividia-se e tinha de decidir pela esquerda rumo mais norte e cúmulos com aspecto gordinho e direita a contornar o Sado e Alentejo eventualmente mas com um ar mais rarefeito.
Voltei um bocadito para Setubal para me colar mesmo à nuvem (paisagem deslumbrante essa da entrada do vale de Setúbal com Tróia ao fundo) e segui para NE o vento e as térmicas tinham derivas um bocadinho taralhocas mas a média parecia-me de vento de SW e tinha razão era o que mais se impunha. Depois de Palmela a linha de nuvens era mais esparsa e era preciso andar com cuidadinho com os ciclos avacalhei uns e ia-me lixando, mas uma térmik de cheiro de merda de vaca lá salvou a cena, ali a começar uma zona de árvores depois do cruzamento das auto-estradas.
O tecto esteve sempre aos 1400m as nuvens funcionavam a barlavento e lixei-me por causa disso, quis ser mais rápido a passar de nuvem para nuvem e caguei num zeranço para arrancar para uma nuvem mais longe, tinha corrido bem até ali aquela também ia correr mas não correu, sobretudo porque congelei quando vi que o campo fixe que tinha ao lado era o campo de tiro de Alcochete e o aeródromo que tinha do outro lado não era um aeródromo civil onde param os taxis.
Granda bico descendente po chão directo. Eu até tenho alguns desenhos mais importantes de espaços aéreos no MLR mas tinha ido abaixo com falta de bateria. Mesmo assim duvido que visse porque uso um zoom muito apertado para perceber isso. Pronto aterrei, passado pouco tempo tenho um jipe de policia da força aérea ao lado com dois policias novos porreiros e acho que motivados para a modalidade.
Avisaram o quartel e deram-me boleia para o Oficial de Dia que era quem ia tratar do assunto. Perguntei se ia ser preso e eles diziam que não a rir e na boa bué interessados como é que tinha chegado ali.
Perguntaram-me se conhecia alguém da FA que podia ser útil no embrulho que se ia seguir. Pensei nisso mas como piada.
Quando conheço o Oficial de Dia vejo que a cena pode ficar muito mal parada, venho cá para fora pego no telefone para falar ao Afonso a dizer onde andava estava a voar. Quando desligo o telefone o policia novo diz-me com um ar sério : olha se tens conhecidos na FA é agora o momento de falares. Ligo ao CGAU e entretanto vem o tal do Dia a dizer que estava detido e não podia fazer comunicações com o exterior, como estava a chamar ainda falei com o CGAU que se riu e perguntou que marca fumava para me levar à xoldra. Ou seja estava a achar entre alguma e nenhuma piada à situação.
Lá estive a ser interrogado pelo senhor do Dia que não deve ter ido às aulas de interrogatório, mas pronto, até que me telefonou o Major Diogo que era o responsável pela segurança me fez umas perguntas de como e porquê etc... e disse que já vinha ter comigo, esperei mais um belo bocado a ser interrogado pelo senhor do Dia.
Ah ainda tive uma boa que foi telefonar à Babeth com autorização do comando, para ser ela a ir buscar o Rafa, e ela não percebia nada do que eu dizia. Incrível parecia um filme um gajo vai preso e no telefonema a que tem direito não consegue porque não há rede.
Ainda à espera, o men do Dia ganha algum embalo devia ter estado a preparar a coisa e começa a ficar mais desconfiado e pediu para trazer o parapente para dentro do escritório e que o abrisse à frente dele. Fui abrindo devagarinho numa de primeira aula de parapente com os alunos etc, ainda não tinha desmanchado nada de trabalhoso sou salvo pelo Major Diogo que entra.
O nível da conversa sobe um bocado grande, este Major era uma pessoa esclarecida e interessante, que me deu um belo sermão com toda a razão, a razão da minha segurança primeiro, depois a das leis etc. Foi como se costuma dizer um gajo porreiro e mandou-me embora.
Ofereceu-me boleia no autocarro da FA que estava de saída para Vila Franca que agradeci e apanhei, voltei para casa de comboio fui buscar o carro à noite à Arrábida.

Fiquei chateado com o ter sido ganancioso na ultima térmica e por causa disso ter ido parar ao chão. Aterrei às 15h ainda tinha bué horas pela frente de dia útil. Só começou a estragar mais ou fim da tarde com os desenvolvimentos a crescerem muito. O Lado Psico do nosso desporto é tramado. Faltou-me a ratice e fui para o chão.
Pronto não vale a pena chorar no leite derramado. Foi a bela aventura.

Lazerda

Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007

Airwave Magic FR3

por Gil Navalho

Fiz ontem um primeiro voo com a minha FR3 novin
ha! O voo já foi ao final da tarde, o vento estava meio fortito mas deu para ter uma primeira ideia do comportamento da asa. As diferenças relativamente à FR2 são:
-A FR3 é maior, pelo que a carga alar é menor. Deste modo, as reacções são
muito mais suaves. O pitch quase que é auto-estável;

-É muito menos reactiva e dinâmica que a FR2. A FR2 parecia que tinha a suspensão de um kart (asa com reacções bastante duras e rápidas). A FR3 pareceu-me ser um coordeirinho em comparação com a antecessora;
-Bastante mais sólida, não tem tendência a trabalhar as pontas, não havendo quebras a meio perfil segundo um eixo vertical;
-
Gira mais lento que a FR2, mas parece-me que derrapa menos; -Parece-me que o afundamento mínimo é fora de série. Finalmente vou conseguir ser dos mais altos nas térmicas :-)! Fiquei com a ideia que terá muito bom rendimento em térmica
-O acelerador é muito leve, mas ainda não consegui testar os planeios a
diferentes velocidades. A asa permanece bastante sólida de acelerador e muito menos reactiva que a FR2; Bastante mais fácil
de inflar que a FR2;
-Consegue-se fazer orelhas (algo impossível na 2). A FR2, é de facto uma asa com uma carga alar mt elevada. Na minha opinião não é uma carga alar mais elevada que te prejudica a taxa de subida em térmica. Aliás, para mim a asa que melhor rendimento em térmica é a U3, que tem uma carga alar ainda maior que a FR2.
Em termos práticos com a FR2 tens uma asa com bastante mais pressão interna. No caso da FR2 quase toda a pressão está concentrada nas linhas A, pouca nas B's e nenhuma nas C's. Para teres uma ideia, para conseguires provocar um assimétrico na FR2 é necessário puxar a banda com as duas mãos dada a enorme pressão concentrada no bordo de ataque da asa.
A grande dificuldade em conseguir rentabilizar bem a FR2 em térmica prende-se com o controlo do pitch. Ela é mt sensível e esta variação faz perder rendimento. Sentia isso principalmente em térmicas fracas falhadas, porque se fossem fracas mas consistentes não sentia problema nenhum.
Uma carga alar mais elevda dá maior precisão na pilotagem, logo colocas melhor a asa onde queres. Isto poderá ser uma vantagem enorme em térmicas fortes e turbolentas, onde a maioria das asas têm tendência a ser atirada para fora.
O reverso da medalha são as reacções, que com maior carga são mais violentas. É o preço a pagar. Mas a pilotagem é bem mais divertida e...emocionante!
Quanto ao conceito a seguir...? Não sei, há vários conceitos neste momento, e parece-me que todos têm excelentes argumentos. Vamos a ver o que o Mundial nos irá dizer.

Terça-feira, Janeiro 16, 2007

Usei o Reserva!

por Sílvia Ventura

Já tive de lançar reserva, depois de a minha asa ter engravatado. Não que a asa tenha desequilibrado com a gravata, mas sim porque tentei desfazer a mesma, e ao fim da terceira tentativa fui demasiado brusca e desequilibrei-me na cadeira para o lado fechado.
Resultado: entrei em espiral, com tal violência que percebi estar fora do meu controlo.
Curiosamente não houve espaço para dúvida quando senti a asa "fora da minha mão", e lancei o reserva, que estava montado na zona lateral da cadeira, e do lado engravatado.
A minha grande preocupação foi lançá-lo aparentemente para o lado oposto à tensão que sentia, e aguardar que algo acontecesse de seguida...
Foi tudo questão de instantes. Não sei precisar, mas senti ser puxada para cima e de seguida, praticamente erguida pelos ombros, e quando o reserva abriu totalmente, fiquei quase sem me conseguir mexer porque o arnês interno da cadeira não permite grande mobilidade.... ...de qualquer forma tentei recuperar a asa, pois o pêndulo é muito significativo, e os dois equipamentos não são compatíveis a voar.
Acontece que por duas vezes consegui ir puxando as bandas atépraticamente o inicio do tecido da asa, mas depois o vento e a força necessária era tanta, que não fui capaz, e tive que deixar a asa continuar na luta para ficar a voar....
...e comecei a preocupar-me com a aterragem. E essa sensação de não ter qualquer controlo na direcção da aterragem é muito estranha, pois tanto estava virada a sul, como a oeste, como para norte.
Com as várias hipóteses de aterragem que tinha - telhado de um castelinho, uma seara, um planalto, acabei por entrar por um bosque dentro, passei a zona da copa das arvores com a respectiva desaceleração, mas depois o bosque era oco e cai de cerca de 10 ou mais metros e tive uns quantos dias com dor nas costas e dificuldade em respirar, mas nada partido, a não ser a protecção dorsal da Charly - Scooter, que partiu em três partes, o que me valeu ficar inteira, e a alma.

By the way, o incidente aconteceu porque me deixei ficar sotaventada, com zona de escoamento de vale.

Quinta-feira, Dezembro 28, 2006

O meu Voo do Ano, 96 km

por Gonçalo Velez

O voo que melhor recordo este ano foram os 96 km que fiz da Azinha até à estação de serviço de VV Ródão em Ago 6.

Um voo de distância é sempre muito aliciante pois vive-se constantemente na incerteza!

Um voo de distância é composto por momentos antagónicos de climax por estarmos altos e a avançar, e por momentos de angústia em que voamos a descer e não encontramos nenhuma térmica.
Depois, deparamos com a contra-angústia: uma térmica!
E voltamos à euforia, ao optimismo, ao sentimento de que o voo foi recuperado, de que tudo volta a ser possível
(ou deparamos com nada e resignamo-nos ao insucesso).
Passei o aeródromo da Covilhã a baixar imenso, vi outras asas ao longe (E Lagoa, Nuno V, Paulo Nunes), mas adiante formou-se uma constelação enorme de cegonhas dentro de uma térmica. Que bonito, mas antes de lá chegar entrei noutra e consegui subir o suficiente para planar daí até à barragem da Lardosa, passando a serra da Gardunha bem alto.
Na barragem fartei-me de sondar o espaço sem grande sucesso. Só quando passei a sotavento desta (lembrei-me do que o Diogo me dissera: sotavento de lagos solta térmica) tornei a encontrar outra térmica que me fez subir muito.

Daqui até VV Ródão foi enrolar aqui e ali para repor alguma altitude, mas continuei sempre confortável.
O que melhor recordo deste voo foi sobrevoar as Portas do Ródão a 3200m com uma magnífica paisagem a meus pés!
Não voei mais adiante pois não queria complicar a recolha e por isso mantive-me sempre sobre a A-23. Depois da estação de serviço, ainda alto, só vi floresta dos dois lados da autoestrada, por isso decidi aterrar ali.
Outro factor que não consigo contornar é o aperto na bexiga. Estive com o fato aberto, disposto a deixar-me salpicar um pouco mas não consegui urinar. É frustrante, penso que seja devido à posição estranha do corpo e talvez a algum stress...
Bom Ano Novo!

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Descolar com Vento Forte



por Paulo Reis

Tenho andado a pensar sobre as descolagens com vento forte e gostava de saber outras opiniões sobre o assunto...
Pessoalmente, as descolagens são algo que sinto que tenho de melhorar pois embora voe há muitos anos (ainda largo os manobradores na altura da descolagem)!
Sei descolar (mais ou menos bem) de todas as formas possíveis e imagináveis e quando dava instrução ensinava sempre os alunos a não largarem nunca os freios. Istó é o típico faz o que te digo, não faças o que eu faço. Eehehehe!
Uma coisa tenho por certa, ao longo de todos estes anos de voo nunca tive problemas com as descolagens e muito raramente falho uma descolagem por dificuldade com a técnica que uso. Decidi que vou continuar a utilizá-la enquanto me sentir confortável e à vontade! Uma coisa é utilizar a técnica que todos advogam como a correcta e outra é utilizar aquela que me deixa mais à vontade e que tenho mecanizada à muitos anos e resulta para mim! Qual a melhor técnica? Cabe a a cada um encontrá-la? A técnica que uso regularmente e não considero de forma nenhuma a mais adequada, mas é aquela que me deixa mais relaxado na altura de descolar e não penso sequer no gesto técnico que já está mecanizado.
Tudo isto para vos falar numa outra técnica que uso há alguns anos, desde a altura em que fazia voos de bi-lugar com fartura. Inflar a asa perpendicularmente ao vento resulta (para mim) na perfeição com ventos fortes. Tenho constatado isto por diversas vezes e recentemente tive oportunidade de testar com sucesso, numas descolagens com as maiores ventosgas que conheci até à data! Junto envio um link onde se explica mais pormenorizadamente a técnica se alguém tiver a curiosidade de experimentar????

http://www.paraglid ing-lessons.com/article/Cobra-Launch.htm


Fotos: Maria Ana Bastos, Paulo Reis.

Quinta-feira, Dezembro 07, 2006

Alerta à Navegação!!

por Pedro Lacerda

Isto deve ser da lua ou das marés ou da chuva.... não sei.
Sei que tem havido ultimamente demasiados acidentes e incidentes com pessoal nosso. Acidentes refiro-me ao do António, para quem não sabe partiu um pulso, incidentes refiro-me a quase aci
dentes que por acaso e por sorte e por ... tudo acabou em bem. Com ou sem a consciência do piloto envolvido. Hoje na praia grande houve um arborizanço daqueles à filme com o piloto pendurado num eucalipto a 5 metros do chão e a asa na copa. Ya eucaliptos na praia grande são muito longe eu sei.

Também tive um filme hardcore hoje: A praia Grande estava em Grande com uns conjestus a passar e a dar termiquinha altamente, subi 300m por cima da deco numa vez e quando estava todo contente a enrolar para subir ainda mais numa segunda vez dou de cara com um helicóptero à minha altura e a vir na minha direcção (não estou a aumentar nada, vinha mesmo à minha altura e direito a mim) fiquei naquela: ele vê-me! Mas não viu, ou viu e era desprovido de inteligência, espiralei dali para fora e reparo que se desviou o mínimo passou bem perto e felizmente a sotavento de mim, a turbulência que senti foi calma. Por causa dos ganhos de hoje andei sempre à coca de possíveis encontros do 3º grau, passou o aviocar e várias avionetas e um ultra-leve e com todos percebi haver percepção uns dos outros e distâncias muito aceitáveis. Mas aquele não.

Mas ao que me fez escrever este mail. A estatistica : Amigos que andam como eu neste processo de aprendizagem do parapente e do voo livre. Este desporto passa por algum trabalho de casa. De ler sobre meteorologia, aérologia, aerodinâmica da asa, dos comportamentos da asa e mais todos os artigos e filmes que conseguirem arranjar sobre o assunto. Depois penso que a progressão como piloto passa por etapas. Essas etapas podem ser mais obscuras ao principio por não saber bem por onde se pegar.
MAS... começa-se sempre pelas coisas básicas, que são mais simples mas por isso não se podem passar por cima. Dou um exemplo: depois do curso os pilotos saídos da escola têm de saber inflar mas eu garanto-lhe que sabem mal. Sabem o mínimo, sabem “aproximadamente” inflar nas condições que estavam quando tiraram o curso.
Se não sabem inflar em condições fortes ou fracas devem treinar e isso pode implicar não voar.

O voo na praia em dias clássicos é democrático, sobem todos! O que anda a aproveitar o termodinâmico xpto e o que faz piscinas é igual. Depende da asa e da carga alar. Mas os problemas começam quando não estão as condições clássicas, é ai que o trabalho de casa entra em cena. Outro exemlo: quando estão 20km/h de NW na praia grande fazem-se as piscinas mais conhecidas, vai-se ao marco geodésico e vem-se à deco e volta, se estão 30 e não tenho tenho grande experiência ...se calhar o melhor é ficar a ver, mas de certeza que não se vai pa cima do marco, o vento acelera com a altitude, e ainda mais acelera por cima da falésia. Outra: se toda a gente está mais baixa que eu num dia forte é o quê? Sou um granda piloto, os outros são todos otários ou o otário sou eu? Se reparar bem até estou a ficar parado ou a andar para trás. E subi aquilo tudo porque só sei fazer as piscinas que me ensinaram por cima da falésia esteja forte ou fraco.
Qual é a direcção exacta do vento quando estou a voar? (não estou a falar da que me disseram na descolagem) Qual é a velocidade? Aumentou, fraquejou? Onde estão os outros? Será que tenho de passar a rasar os gajos? Aterrar na praia não é desprestigio, desprestigio é enfiar de cabeça num top-landing meter a asa em perda ou negativo. Voar mais à frente da falésia não é para piços, é para quem tem arte e ainda por cima é mais seguro.

Há sempre o problema da imitação? Se o “gajo” faz, porque é que eu não faço? A resposta é simples porque estás a queimar etapas, para fazer um SAT deve-se dominar o full stall, o spin, e a espiral instalada (nose down). Para andar a fazer wingovers na praia tenho de perceber o comportamento da asa, saber voar em condições mais fortes e condições mais fracas saber inflar perfeitamente, Albinos incluídos, desculpem Alpinos. Top-landings simples e complicados.
Outra: NÃO SE FAZEM VOLTAS CONTRA A FALÉSIA!
Sei que parece básico mas já vi fazer bué!!! É das tais coisas, dá para fazer com toda a segurança mas para chegar ai já se passaram muitas outras etapas. Fazer uma volta rápida uma lenta uma rápida a perder o mínimo (plana) só com o corpo, com o freio de fora..... ui é uma imensidade de cenas a aprender antes de querer andar a imitar o Rui Simpson a voar, é teino. E se virem o gajo a voar vejam com atenção. Não é ver o ângulo que ele consegue num wingover (xiii ganda maluks), é como é que ele faz: quando é que mete o comando, quando é que mete o corpo, quanto comando das duas mãos se usa quando a asa está toda baldada debaixo dele? E mais, não é medido a cm é medido a sensações. Meter um negativo a voar não é a morte do artista, a morte do artista vem quando não se percebe que o negativo entrou. Isso ainda por cima dá para aprender isso a inflar, ou a voar na duna a 1m do chão se estiverem disponíveis a comer um bocadinho de areia. Porque tralhos desses pedagógicos não são tralhos são bençãos, aprende-se, testa-se e aprende-se. O pior é quando há um incidente e não aprendo com isso. Se ponho a asa em perda a aterrar e acho normal, acho normal eu, que vai vir o dia em que a perda entra a 5m do chão e ai já é acidente.

Estou a escrever estas baboseiras todas porque assisti a cenas ultimamente bastante parvas. Não quer dizer que não possam acontecer a mim que tou aqui armado em cromo!
Mas fica a ideia: TREINO. Esta merda precisa de TREINO e saltar etapas é a melhor forma de depender da sorte. Não tem nada a ver com ter coragem ou deixar de ter. Acho que não ter medo é uma grande qualidade num piloto! Agora não ter consciência do que está a fazer ou do que lhe aconteceu é falta de trabalho de casa e uma falta grave.

Se conseguiram ler isto até ao fim aproveito para mandar beijinhos.
Beijinhos


Lazerda

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Balanço pessoal sobre o X-Ceará 2006

por Paulo Reis

Seguindo o exemplo do Gonçalo Velez, decidi tirar as minhas conclusões e relatar as minhas experiências referentes à participação no X-Ceará 2006. Participar no X-Ceará foi para mim uma experiência única para a qual não estava devidamente preparado! A minha decisão em participar foi tardia, pois a menos de duas semanas do início do evento surgiu a oportunidade de tirar 9 dias de férias e não hesitei em inscrever-me à última da hora. Fiquei demasiado apreensivo, pois não sabia exactamente no que me estaria a meter, mas a vontade de participar era muito intensa. O voo de croos-country é para mim tudo o que eu sempre sonhei e desejei fazer enquanto piloto de parapente e desde que existe este evento há 11 anos, que sonhava em participar!
Existem sonhos que, quando pensamos demais nu
nca se realizam! Para mim não existiam objectivos ambiciosos à partida, pois humildemente sabia que iria encontrar condições de voo muito diferentes do que as que encontro habitualmente aqui em Portugal. Este é um evento que tem características muito próprias, pois em muito poucos lugares do mundo se descola às 8.30h da manhã com vento forte e bastante térmica à mistura, sendo que a térmica mais forte do dia normalmente aparece logo na descolagem.
As descolagens são sempre um momento de extrema concentração e confiança nos ajudantes da descolagem. A sensação que tive foi que a minha vida estava na mão daquelas pessoas que nos ajudavam em cada descolagem. Senão vejamos: As rajadas atingem picos de 50-60 kms hora e as oportunidades de descolar são muito reduzidas, por outro lado estamos de costas para o vento e mal a asa sobe somos catapultados para o ar. Se inflarmos a asa no momento da rajada forte, é bem provável que se venha a conhecer bastante bem o rotor do monte. A saída da encosta e a partida para o voo de distância deve ser feito sempre na base da núvem ou dentro dela e por vezes é necessário ficar à espera do ciclo ideal para subir longe da encosta e derivar para trás. Com descolagens tão cedo, acaba por ser um totoloto aguentarmo-nos a voar nas primeiras horas do dia. Muitos aterram a 20-30 kms por precipitação e os sobreviventes acabam por fazer mais de 300 kms. Confesso que fui um dos assíduos precipitados, pois não consegui perceber logo inicialmente as características deste tipo de voo e tomei sempre decisões precipitadas, que num local onde as descendentes podem ir até aos -7 se pagam rapidamente com aterragens imediatas.
Os gatilhos das térmicas aqui são difíceis de identificar no solo, pois a componente de vento forte baralha tudo e as térm
icas são nitidamente arrastadas junto ao solo por diversos kms. Tive a nítida sensação de que as térmicas se formam em escada e por vezes junto ao solo são quase sempre apenas bolhas desorganizadas e turbulentas. A técnica que me pareceu melhor e pude constatar nos últimos dias da prova para voar longe e com garantias era sempre ficar sobre a influência dos cúmulos que se formavam, por vezes até era preferível enrolar a -0.1 e -0,2 do que arriscar transições longas em descendentes brutais. Apenas consegui interiorizar isto nos últimos dois dias, pois nos primeiros havia demasiadas varáveis a aprender e dominar, bem como a confiança não era muito grande e tudo era novo!
Cometi ainda diversos erros devido a estar l
eve na asa e neste tipo de condições estes erros pagam-se caro! Nos primeiros dias levei 10 kgs de lastro líquido e díficilmente me conseguia movimentar dentro da selete e a asa fechava demasiado.
Nos dias seguintes levei mais 5 litros de lastro, distribuídos de uma forma mais equitativa e o comportamento da asa melhorou significativamente. Quando comecei a adaptar-me ao calor, às descolagens e aterragens radicais, a
voar sempre junto à nuvem, consegui fazer um voo interessante de 70 kms que me fez realmente ver as potencialidades do local. Neste voo constatei que o dia ia melhorando sempre gradualmente, e os cúmulos formavam-se no sentido inverso para onde seguia a rota. Por diversas vezes fazia trechos de regresso contra-vento para encontrar as térmicas e resultava na perfeição. Fiz estes 70 kms em 1.30h, sem uma única transição comprida, apenas enrolando constantemente debaixo da nuvem e deixando que o vento trabalhasse em meu favor! Tive um momento em que me desconcentrei e vi as montanhas a aproximarem-se rapidamente e pelo meu IQ Compeo o vento estava demasiado forte, o solo era formado por matas de picos e cactos agrestes, por vezes andava a mais de 95 kms/h. Assustei-me um pouco e decidi estupidamente terminar o voo por ali, pois não estava mentalmente preparado para entrar naquela zona de montanhas e possivelmente ter de aterrar num rotor de uma delas! Aparentemente consegui sobreviver e passar a zona que todos os pilotos consideram mais díficil e a partir daquelas montanhas tudo é possível…
Outro aspecto muito dramático no X-Ceará são as aterragens a andar para trás! No ceará o vento só diminui ao pôr do sol, altura em que é seguro aterrar, isto nos dias em que não entra a brisa do mar (chamado de vento Aracati)! Qualquer outra hora do dia, e especialmente na altura de maior insolação, as aterragens são altamente complicadas. Lembro-me de que apenas consegui aterrar a andar para a frente num dos voos que fiz por lá! Todos os outros foram a andar para trás e alguns com arrastamentos no meio de cactos e vegetação agreste. O maior erro e pelo qual paguei caro foi o de voar leve! Não aterrei dentro duma lagoa por sorte num dos dias, num outro aterrei parachutado e num outro dia tive demasiados fechamentos assustadores e sucessivos junto ao solo, aterrando a 3 kms do local o
nde fizera a aproximação inicialmente.
A companhia do Gonçalo foi excelente, a organização é impecável e as recolhas são demoradas, pois a rota segue por uma estrada de areia e não é fácil encontrar pilotos que não aterrem junto a essa estrada, o que acontece com regularidade.
O ambiente do evento é pouco competitivo e para muitos o desafio é pessoal e gradual. Enganam-se todos aqueles que pensam que ir ao Ceará é garantia de grandes distâncias!
O Ceará é uma escola de voo e humildade! Muitos dos pilotos que por lá andam a fazer distâncias superiores a 300 kms, voam regularmente por lá, têm participado em muitos dos anteriores eventos e conhecem muito bem o local. O vencedor do evento andava a voar na zona há mais de um mês com apoio da Sol paragliders. O segundo classificado participou em 10 dos eventos dos anos anteriores. Se conseguir voltar ao X-Ceará para ano como é minha intenção, terei novos objectivos e a experiência que adquiri este ano de certeza contribuirão para bater o meu recorde pessoal de distância.

Sábado, Novembro 25, 2006

XCeará 2006, Nov 13-17

por Gonçalo Velez

Estas são as minhas conclusões, reconhecimento das minhas limitações, memórias das minhas experiências, para relembrar no próximo ano a fim de evitar os mesmos erros –

Participar no XCeará é sempre uma experiência aliciante não só pelas condições de voo radicais mas também pela dinâmica da organização e o ambiente social, não só entre pilotos, mas também com o pessoal da organização, sobretudo os recolhas, e a população. Ah… e aprendi a da
nçar forró!
Este ano o regime foi igual ao do ano passado: acordar às 6h, pequeno almoço a partir das 6h30, primeiro transporte para a descolagem às 7h, primeiras descolagens tão cedo quanto as 8h45!
Convém descolar entre as 9h30 e as 10h30, o máximo até às 11h. Depois das 11h é pro
vável instalar-se um vento muito forte. Antes das 9h30 as condições são fracas.
Os pilotos mais competentes e que pretendem passar os 300 km descolam perto das 9h mas correm grandes riscos. Só poucos atravessam a zona crítica (80 km), e os que o fazem apanham depois muito melhores condições.
Este ano senti que a minha Tattoo (dhv 2), para as condições de vento que se fizeram sentir, muito fortes, care
cia de velocidade, sobretudo no vento da tarde. Várias vezes, por cima da descolagem, tinha de avançar de acelerador para barlavento. A capacidade de manobra com esta falta de velocidade é bastante reduzida, o que permite explorar muito menores possibilidades de voo. Fica-se parado, e chegar a qualquer sítio é moroso e demasiado propenso a ser-se apanhado na descendente durante demasiado tempo.
Este ano voei menos e achei as condições menos boas. Muito mais nebulosidade tornaram as condições mais fracas, os
tectos mais baixos, e as térmicas mais deitadas (mesmo vento e ascendente mais fraca).
Pelos resultados impressionantes dos pilotos de to
po dá ideia que no XCeará basta inflar a asa e esperar umas horas que já se ganharam mais de 200 km…! Não é assim, bem pelo contrário…
As descolagens são o momento mais delicado do voo devido ao forte vento (30-50 kmh) e aos ciclos curtos e incertos. É recomendável esperar que passe uma nuvem e cubra de sombra toda a zona à frente da descolagem. A nuvem faz abrandar a brisa de montanha oferecendo uma maior segurança para descolar.
Na descolagem não é boa ideia ficar a olhar para a asa quando ela já chegou à vertical com risco de sermos levantados em reverso! No XCeará tem de inflar-se a asa direita e simétrica, e virar-nos antes dela chegar à vertical. Assim, se formos levantados já estamos em voo!
A sul da descolagem a cumeada eleva-se num rochedo enorme (140 mtr) e a subida é quase sempre garantida por uma ascendente termodinâmica. No entanto, as térmicas que aí se libertam são sofríveis e é preferível avançar para barlavento na direcção de qualquer nuvem que esteja ao alcance. Em alternativa espera-se que uma chegue. O lago a NE
da descolagem também liberta boa térmica e nota-se a sua superfície tornar-se enrugada.
Os primeiros 60-80 km têm de ser voados em regime de sobrevivência, aproveitando todas as menores ascendentes que se encontram, nunca as perdendo. Avança-se enrolando térmica e viajando na sua deriva. Ao saír-se dela para sotavento, a maioria dos pilotos regressava para barlavento para continuar na ascendente enquanto houvesse, por que o risco de voar-se na sua descendente é grande.
Partir para o desconhecido implica a maioria das vezes encontrar-se uma descendente de –7 e voar-se nela até ao chão.
Aqui compreendi ainda melhor a necessidade de ser-se paciente, muito paciente, e de enfrentar-se a adversidade friamente. Tal significa que depois de um longo trabalho para subir conclui-se que se obteve uma altura insuficiente e regressa-se à posição inicial, acima da descolagem, perdendo-se, nesse regresso, muita altitude. Isso é obrigatório fazer-se acima da descolagem para partir-se com boa altitude, mas a prudência obriga que se faça também ao longo do voo, sobretudo quando se voa na planície e não há referências de
gatilhos.
Mesmo os que se encontram (montes, lagos, aldeias) não libertam a térmica da forma a que estamos
habituados em Portugal. A configuração da térmica não obedece à que conhecemos. Os fumos de queimadas que víamos viajavam deitados centenas de metros e depois subiam. Isso explica a enorme dificuldade de prever-se onde a térmica estará a subir.
Muitas vezes voam-se bolhas: sobe-se, roda-se a perder, encontra-se outra bolha mais para o lado e na deriva… O trabalho é duro, implica mais paciência e perseverança. Esperar que se solte uma térmica consistente pode implicar pairar nos locais prováveis em que elas passem, locais onde se notou que outros pilotos subiram. Infelizmente não vi muitos urubus que me ajudassem.
Percebi melhor o exercício psicológico que tem de fazer-se para se voar de forma consistente. Neste momento da minha evolução já adquiri um bom domínio da pilotagem de âmbito físico, mas dou-me conta que há um trabalho enorme a realizar de cariz intelectual e psicológico, que me impeça de ser impaciente e de facilitar, optando por soluções mais imediatas, e que me motive a realizar um trabalho que é enfadonho, moroso e aparentemente frustrante. É este aspecto que preciso de treinar.
O erro típico, muito grosseiro, consiste em ver asas que subiram mais depressa e mais alto, e que partem, e pensar: “É pá, estou a ficar para trás. Bora partir e depois no caminho logo se vê a térmica que se encontra…”!
Esta decisão é muito errada, resulta de impaciência, e produz resultados maus. Tenho feito isso demasiadas
vezes!
É interessante notar que, o que às vezes nos parece uma vantagem, não o é: muitos que partiram cedo, fizeram-no em condições deficientes, talvez apressadas ou forçadas, e parecendo que levam vantagem, estarão no chão qua
ndo por eles passam os “atrasados”!
Tive um exemplo de enorme persistência no último dia de prova no qual vários pilotos descolaram perto das 9h. Metia dó observar o trabalho que tiveram de fazer pois, com condições tão fracas, subiam passando para trás do monte, depois tornavam a vir à frente confiando que o cúmulo seguinte tivesse boa ascendente, subiam, regressavam... Ocuparam-se desta tarefa mais de uma hora! Imagino o desgaste que isto lhes produziu.
Impaciência tem s
ido o erro da maioria dos pilotos no Xceará por que as descendentes brutais não perdoam esta veleidade. Perguntei a opinião do dono do nosso hotel: o Almeida, deltista. Dizia-me para saír no sotavento da térmica e atravessar a descendente no máximo de velocidade.
Eu acho que isso se aplicará melhor aos deltas. Parece-me que o parapente, com a sua reduzida velocidade, deve saír do cimo da térmica a 45º do eixo do vento, senão voamos a deriva da descendente e saíremos dela com muito custo, ou nunca saímos!
Em todo o voo é necessário observar o céu, sobretudo quando se sobe na térmica, preparando antecipadamente o passo seguinte. É importante ter uma noção do rumo que as térmicas tomam, o eixo da direcção do vento, e o seu espaçamento. Como as térmicas viajam muito deitadas, a nossa distância para a ascendente da nuvem pode ser maior do que aquela a que estamos habituados em Portugal. Lembro-me de ter feito uma
vez pontaria a um cúmulo e nunca ter conseguido chegar à sua ascendente! Em Portugal teria encontrado a sua térmica…
A sotavento da descolagem, em cerca de 20 km, há uma região onde a maioria aterra por que tem rara
ascendente. Notava-se pelo azul do céu que frequentemente aí se observava. Aí aterrava uma grande percentagem de pilotos. A aldeia de Custódio é local de encontro, e essa pista tem sempre vários pilotos debaixo de uma sombra esperando por recolha.
Evitavam-se os montes a SW por intimidarem devido à aparente falta de aterragens, e os montes a NW implicavam atravessar o vale de Quixadá que é uma etapa longa. O “segredo” reside em partir-se bem alto junto com um cúmulo e observar se se forma outro a sotavento do lago de Quixadá.

Neste XCeará tive algumas experiências novas:

a) Enrolar até saír por cima da nuvem. No começo do dia os tectos estavam muito baixos e furar a nuvem era uma grande tentação. É intimidante andar a girar no branco durante tanto tempo (500-700m), vendo o orvalho acumular-se no neoprene da selette e as bandas a escorrer um fio de água contínuo, depois… faz-se luz , e aparece az
ul! É espectacular, e um alívio. Só o recomendo quando tivermos a certeza que estamos sós.

b) Tive o azar de descolar uma vez quando se soltou uma térmica brutal. A asa a subir e a recuar, o acelerador a 50% não era suficiente. Empurro para os 100% (talvez demasiado bruscamente) e sofro um frontal brutal com as pontas da asa a tocarem-se. Na abertura ainda sou projectado mais para trás e começo a derivar como posso para norte, com acelerador a 50%, que é onde o monte diminui de altura e onde o rotor é menor. De repente, sofro um assimétrico intempestivo com rotação a 180º (voo com a asa carregada a 97%), vejo a asa a rodar praticamente na vertical. Deixei de pensar em regressar à descolagem e continuei a derivar mais para norte à procura de térmica nas bossas que lá havia ainda esperançado de recuperar o meu voo, mas nada: só rotor, agora mais brando.
Fiz pontaria a uma depressão que me permitira voar mais longe. Confiei que se soltariam umas bolhas que me levassem lá, mas acabei apanhado numa descendente e perdi a finesse. Acabei a arborizar nos arbustos, por sorte sem nada sofrer, nem eu nem a asa (uau que bela serra encontrei dentro da minha selette!).
Houve quem me dissesse que o que deveria ter feito seria enrolar aquela térmica e saír a voar para trás. H
ei-de pensar nisso numa próxima, contudo a realidade é que temos a mente algo formatada da instrução de nível 3: nunca nos deixarmos arrastar para trás do monte.

c) Aconteceu-me algo de muito estranho, que podia ter tido más consequências. As linhas dos manobradores da minha asa são muito finas e vão-se enrolando, e fazendo novelos. Já tinha notado que o manobrador esquerdo estava mais curto devido a estas torsões, mas não liguei, pilotava com uma mão mais alta que a outra...
Uma tarde descolo e, em voo, reparo que o manobrador esquerdo está bloqueado e a asa travada desse lado a uns 50%! Fiz força, tentei separar as linhas presas, sem sucesso. Felizmente que as condições não estavam temíveis e só com o manobrador direito consegui pilotar até um campo à frente da descolagem e aterrei travando a banda D. Qual não foi o meu espanto quando não encontro a causa do bloqueio. As linhas estavam todas livres!!

Mais relatos do XCeará 2006 no blog do Paulo Reis.

fotos: William Mevo-Guyot, Paulo Reis

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

Voar numa canoa

por Gonçalo Velez

Comprei uma X-Rated 3 praticamente nova antes do início do XCeará 2006.
Não houve tempo de adaptação, foi voar logo com ele após uma regulação ao fim do d
ia com muito pouca luz. Por sorte regulei-o bem, éramos alguns 6 pilotos de cervejas na mão à volta do arnês que pendurei num telheiro do hotel.
Curiosamente foi no 1º voo que talvez me tenha sen
tido mais confortável, embora com pouco apoio no cima das costas. Depois fui fazendo pequenas alterações cada vez que aterrava. Ainda não me sinto totalmente confortável. E ainda a tenho a voar na horizontal, sendo que a posição correcta sejam as pernas apontando ligeiramente para baixo. Ainda não sei bem qual a inclinação das costas que me convirá mais. Um francês disse-me para desapertar tudo e começar do zero, o que não fiz, mas que foi o que ele fez.
Não percebo por que estes aparelhos tão complexos não
trazem um manual. Há-de haver uma sequência lógica de regulações.
Desapertei totalmente o ventral e as alças dos ombros e gosto da sensação dos movimentos da asa.
O que não sei é se vou conseguir voar encafuado, com as pernas sempre paralelas e com pouca mobilidade. É a sensação do kayak. Estava habituado a deitar-me para o lado e cruzar as pernas. Agora isso não é possível. Só se consegue levantar (pouco) uma perna e fazer pressão com a coxa oposta e pender a cabeça para o lado para que se vira... Não é nada prático pilotar com movimentos de cabeça!
No que respeita à pilotagem com o movimento do corpo sinto uma grande regressão.
Os mosquetões também não estão suficientemente baixos para que a viragem
se faça com facilidade. Talvez esta altura se justifique com uma dhv 3, mas não com a minha dhv 2.
O Paulo diz-me que a asa gira mais plana, mas não tenho a certeza.
O espaço de armazenagem é reduzido, ainda mais do que na X-Rated 2, mas consegue-se encafuar a bagagem, se bem que o ventilador traseiro me parece que fica saído, quando essa pala devia estar para dentro. Isso acontece por excesso de bagagem.
A minha mochila no Cear
á pesava 30 kg com 3 ltr de água! A selette pesa mais 5 kg que a minha anterior Charly Zip-II. Não é possível correr com tanto peso para descolar num dia sem vento na Arrábida ou no Larouco.
Cheguei a suar das pernas quando o tronco estava fresco devido ao isolamento do neoprene, é um contraste grande, talvez exagerado.
Ela traz uma grande vantagem no uso do acelerador pois ele está sempre posicionado no local certo e é muito fácil de encontrá-lo.
Esta s
elette pode ser um benefício do ponto de vista da aerodinâmica, mas desconfio que não o será em conforto. Ainda não a considero definitivamente regulada. Há tantas combinações de ajustes a fazer... Ainda não estou convencido.
Relativamente às selettes canoa oiço dizer que este é o modelo mais completo, mais bem acabado e mais versátil.
Alguns franceses andavam excitados com a equivalente Avasport...

fotos: Woody Valley, William Mevo-Guyot

Quinta-feira, Novembro 09, 2006

Iquique 2006

por Gil Navalho

28.10.06
Viva, estou em Iquique para o Open Chileno.
Hoje foi o primeiro dia de manga, fomos para um local a cerca de 50kilos a sul de Iquique.
A paisagem é simplesmente a "puta da loucura", com o deserto do Atacama a ir mesmo até ao mar.
Estão a participar cerca de 60 manos. A manga foi de 45 kilos. Ganhou um Colombiano numa Boom4, junto um Sul Africano numa daquelas bananas voadoras e o Navalho ficou em terceiro. Iria ficar em 4º, mas um dos marmelos que ia à minha frente fez o favor de marrecar a 1km do golo. Estava vento forte de frente na ultima tirada e muitos morreram ali mesmo na praia! Julgo que o site do campeonato não tá a funcionar, tal como muitas outras
coisas aqui no Chile!

Depois dou mais novas, bons voos

29.10.06
Hoje tivemos a 2a tasca, toda realizada na zona da cidade de Iquique.
Foi uma maga de 38 kilos, mas alucinante. Termal de +7 em falésias com 700m, convergências maradas, "cum filha da puta", ou dois ou três. Nunca tinha voado uma manga tão louca.
A transição final é por cima da cidade. Vínhamos num grupo de 6 manos, acelerados até ao osso e chegada na praia. Um Colombiano, numa Boom 4 (que é uma boa asa qd há merda) levou um frontal, gravata, rotação e o reserva abriu pouco mais alto que uma palmeira. Eu estava atrás e vi o filme todo.
Mesmo assim o gajo conseguiu cortar o golo de reserva!!! Um sul africano numa U3 partiu umas linhas e ficou 200m curto... Ganhou um américas
e o Navalho ficou em quinto, mas todos mt próximos. Muito possivelmente alguém foi de .ona hoje no Ranking!!! Sopinha passadinha pró jantar!!! Na geral tá um colombias na frente, depois deve tar um Austrias e depois vem o zé portuga.
Amanha há mais, já percebi que aqui voa-se todos os dias.

30.10.06
Hoje acordei e verifiquei que estava tudo nublado. Bom, toca a saltar da cama, e tomar o PA pra depois arrancar. Apesar de ser uma cena para velhos, papei uma cevadinha solúvel com muito açúcar pra disfarçar o gosto. Confesso que caiu que nem ginjas! E chega muito bem!!!
Mais um dia e mais uma manga, aliás, um mangalho! Tivemos uma manga de 68 kilos.
Isto é de partir os cornos a qualquer um! Nunca eu tinha voado num local em que se pudesse voar sempre, repito sempre, tão rápido quanto as asas possam voar. Ona da Prima! Nem se enrola, nem os tomates, é sempre prá frente e de gás metido até a asa começar a largar peças!
E mais um golo pró Navalho, desta vez em 4o e todos colados.
Ontem estava em 3o da geral mas possivelmente devo ter passado para 4o, pois o caramelo que ontem estava em 4o chegou mesmo à minha frente. E como só tínhamos cerca de 10 pontos de diferença, não sei como terá f
icado agora a geral.
O que sei é que a cevadinha da manha morreu como gente grande!
Amanha teremos a ultima manga e parece que alta festança pra apanharmos todos uma valente carroça.

01.11.06
Terminaram as corridas em Iquique!
Sim, porque isto foram 4 dias sempre de voo alucinantes. Sempre a dar gás forte e feio.
Ontem tivemos uma manga de apenas 35 kilos toda na zona da cidade. O Navalho lá marcou mais um golo pra Portugal. Fiquei lixado no final, estava mais alto no glide final e cerca de 200m à frente dos 2 gajos q me seguiam.
Infelizmente paparam-me a peida mesmo no final, em baixo tinha menos vento... Resultado, fiquei a cerca de 1
5s do primeiro e 5s do segundo.
Resultados finais: 1-Eitel -Chile; 2-Gerald-austria; 3-Zé Portugas
E o alucinante nos resultados foi que os 2 primeiros ficaram separados por apenas 1 ponto, e eu a 6 pontos do 2... Foi muito fixe, um lo
cal que aconselho a todos. Basta uma vez na vida, mas
plo menos 1.

Conclusão
Estive em Iquique para participar no 17 Campeonato de Parapente, prova a contar para o
calendário FAI2, que contou com cerca de 60 pilotos. Foi a primeira vez que voei em Iquique. Cheguei ao local 3 dias antes para entender a dinâmica de voo do local. Qualquer piloto de parapente deve ir pelo menos uma vez na vida a Iquique. É uma espécie de MECA do voo livre. Voa-se todos os dias, sem excepção. Em quatro dias tivemos quatro mangas. Todas extremamente rápidas e competitivas. Eu nunca tinha voado num local em que se pudesse voar sempre tão rápido quanto a asa possa voar. Trata-se de um voo de falésia junto ao mar mas com térmica que chega aos +8m/s! O vento é sempre do quadrante SW. Trata-se de um voo com alguma turbulência, principalmente devido à potencia da térmica. As mangas tiveram entre 34 a 68km, com cerca de 40% de pilotos no golo. Todas as mangas foram alucinantes, super rápidas, fazendo quilómetros e quilómetros sem enrolar uma única térmica. Apenas a aproveitar o dinâmico e travando a asa um pouco em algumas das térmicas mais fortes que não se conseguem ultrapassar de acelerador. A oeste o mar, e a leste o deserto do Atacama. O cenário é fabuloso. Durante o voo deparei-me com a existência de confluências situadas entre o mar e as cristas. O vento ao nível do mar é SW. Porém, ao nível das nuvens, verifique pela sombra que as nuvens se deslocavam de SE, terminado a sua deslocação entre o mar e as cristas. Isto é, não haviam nuvens no mar, nem para o interior. Apenas uma confluência marcada por uma linha de nuvens com pouca expressão. Mas apesar das nuvens terem pouca expressão, a confluência apresentava um potencia considerável. Pelo que consegui entender, a geração de calor que depois se liberta na forma de térmicas nas falésias (sobre o vento SW) é suficientemente potente para criar uma depressão sobre as cristas, permitindo a afluência de ar do quadrante SE. Esta situação apenas acontece nas falésias mais altas (mais de 600 a 700m). Julgo que também o facto de ter uma fonte de calor mais alto também ajuda a melhorar a consistência da confluência. O calor que se gera já na zona das plataformas mais altas acaba por ser "sugado" pela depressão criada nas cristas. Conclusão: uma confluência junto ao mar e com ascendentes consistentes de +4 a +5. Na minha opinião Iquique é um local a visitar pelo menos uma vez. Pelo que sei para o ano terão de novo este campeonato. Certamente que terão ainda mais pilotos presentes. A consistência do local é única, um dia...uma manga, não há que enganar.

Fotos: Mona

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Liga Española El Bosque

por Nuno Virgílio

Com uma frente a terminar um longo período de tempo quente e tectos altos, vários pilotos alinharam para a (possivelmente) última prova pontuável para o ranking deste ano. Carlos "Brazuca", Paulo Silva, Nuno Virgílio e António Fernandes "Tonecas" juntaram-se a João Brito e Ivo, do Algarve, que chegaram primeiro e orientaram o alojamento, numa noite em que choveu torrencialmente e houve inclusivamente enxurradas e inundações na zona de destino. Mais tarde chegou o resto da comitiva e acabámos por ser um grupo bastante numeroso.
Partimos rumo à Andaluzia, num bólide alucinante.. Chegámos a ser cronometrados a 112km/h ( a descer, e desengatado, claro)
O primeiro dia foi para reconhecimento local, com uma caminhada por um canyon da zona. A geografia local é bastante interessante, alternando planície com cristas montanhosas a rondar os 1600m. As povoações em estilo arabesco penduradas nos penhascos ou encaixadas nos vales. Um local a visitar com mais tempo.
Durante toda a competição houve várias tentativas de ataques terroristas nos veículos da organização, mas não se conseguiu determinar a substância tóxica utilizada, provavelmente gás Sarin (o Team Feijoada nega qualquer responsabilidade ou envolvimento na questão). A organização esteve, no geral, bem, havendo ofertas de chupitos e regallos nos bares da zona, um jantar de cair para o lado, no Sábado, e tudo a funcionar com relativa eficácia (em todo o caso não comparável ao nível das nossas provas: não havia ninguem no golo á chegada dos 1ºs pilotos, as recolhas a demorar 2 e 3 horas, etc)

1ªmanga- Sábado: descolagem Oeste em Algodonales, com um precurso de 40km. Instabilidade q.b. com muitos cúmulos e algum vento, mas tecto baixo, a dificultar. A primeira parte da manga, pôs muita gente no chão, numa zona de pouco relevo. Houve algumas passagens mais difíceis, onde demorei a subir mas finalmente lá segui colado á nuvem, a 70km/h. O vencedor do dia foi o Miguélon, numa Omega 7 de série. Eu terminei em 4º, 3 min depois, e tivémos Carlos Brasuca por perto tal como o Paulo Herculano.
2ª manga: descolagem de El Bosque, com pouco espaço para os cerca de 70 pilotos presentes. O vento forte de Norte a dificultar a progressão e a fazer inclusivamente que grande parte dos pilotos não descolasse. O Américo foi o melhor do dia, ficando a cerca de 3 km do final, com o Miguel Martinez - Miguelito (que viria a vencer a prova) a ficar perto. O dia valeu 150 pts..
3ª manga: 37km com vários zig-zags na zona de Algodonales e golo em El Bosque. A primeira parte muito difícil, com a térmica a funcionar mal e vento escorrido na encosta. O cenário de vento de costas e remoinhos na descolagem a fazer lembrar o Larouco. Muita gente descolou já depois do start, o que fez com que houvesse vários grupos dispersos por todo o percurso. Aqui os abutres deram umas ajudas a localizar as térmicas, e embora muita gente ficasse pela distância mínima, houve 8 pilotos no golo, com o Rui Nascimento a ganhar e a provar continua a ser um dos melhores. Eu acabei por fazer uma boa recuperação e consegui apanhar e chegar á frente dos meus adversários directos na classificação geral (Miguelito e Reina), acabando a manga em 4º, e a competição em 2º.
O encerramento foi lamentável, com a classificação geral do Open FAI a ser completamente desprezada e a haver entrega de prémios apenas para os melhores lá da rua deles, incluindo tempo de permanência e precisão de aterragem, no lazer.
Não justificaram o handicap de 0,75 que têm para as nossas provas, e penso que ainda estão a tempo de reconhecerem o valor do parapente Português, que como vem sendo comum, deixa marcas de qualidade superior nas provas ibéricas.

Segunda-feira, Agosto 21, 2006

76 km do Arrimal para SE -> Rebocho, 19.08.06

por Nuno Virgílio

Pois é, eu achei que não valia a pena ir novamente pá Serra da Estrela. O potencial do dia pa XC era bom, mas a direcção do vento e o tecto baixo condicionavam um bocado a coisa. Temos bastantes alternativas na zona pa este tipo de condições e o problema foi mesmo optar.
O Arrimal tem uma recolha fácil e rápida em caso de marreca, e pa trás é logo a planície do Ribatejo, embora os primeiros km sejam densamente arborizados e sem grandes possibilidades de aterragem (aliás tal como a parte final do voo, já bastante depois do Tejo).
A outra alternativa seria o Alqueidão da Serra, que tb bomba
bem, a parte inicial é muito mais segura e já provou funcionar bem anteriormente. No entanto as eólicas logo ali, com o tecto baixo e algum vento que se previa, tornaram a escolha óbvia.

O Gonçalo Velez ligou-me na 6ª e combinámos encontrar-nos por volta do meio dia. A esta hora já estavam os ciclos bem definidos, cúmulos por todo o lado, embora em demasia, havia muita sombra.
Descolámos e aguentámos num termodinâmico a ladeirar, até apanhar o canhão lá pa cima. Na primeira térmica não subi logo ao tecto e como o Gonçalo não apanhou nada, resolvi voltar pá encosta e esperar por ele. Além disso achei que seria melhor esgotar a ascendente e sair na nuvem.
Assim foi: 1300 na base, a saída a direito deu mais 200 metritos dentro da gaja, pa lavar a asa que tinha alg
um pó ;)
A vista da saída pelo meio da nuvem deixa-me sempre embasbacado, havia alta visibilidade e o cenário era fantástico. Mais á frente consegui distinguir perfeitamente á esquerda a Serra de S. Mamede-Marvão e á direita a Arrábida!!, via-se o país de "costa-a-costa"!!!
Lá segui de nuvem em nuvem, estava tudo marcado mas era difícil encontrar o núcleo das ascendentes e a esta hora os alinhamentos ainda não estavam bem definidos. Lá atravessei o Tejo, por cima de Santarém, Almeirim e por aí fora, com alguns pássaros a ajudar (águias e cegonhas) O tecto foi subi
ndo mas as transições eram sempre longas, baixas e o terreno começou a complicar.
Poucas estradas, poucas aldeias e muitas árvores.
Estive quase no chão numa aldeia, onde já tinha escolhido o campo de segurança e ouvia os miúdos aos gritos, mas o boianço levou-me a um canhão bem potente e fui de novo lá para cima. Entretanto perdi o núcleo e desconcentrei-me. Não fui á nuvem desta vez e o erro foi fatal. Última transição e pró chão, ainda apanhei uma bolheca, já
muito baixo, mas não arrisquei pq n tinha alternativas de segurança, só árvores. Aterrei ás 15:30.
Resultado: 76km em 2horas de vôo!
Não está mal mas o dia
tinha potencial para muito mais, fui totó. Esteve um cúmulozaço bem escurinho a bombar durante uma hora no enfiamento do campo onde aterrei...
Mais tarde pareceu-me que o vento mudou ligeiramente de direccção e aumentou de intensidade pois finalmente notavam-se as estradas bem definidas e mais espaços azuis.
Em dias destes é fundamental não perder a paciência e assegurar tudo até ao tutano, manter-se no ar, de preferência alto. Com esta média e a aproveitar o dia até ao fim... bom, é só fazer as contas ;)

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

Azinha-Castelo de Vide, 106 km, 09.08.2006

por Paulo Nunes

A competição ( Dutch Open ) acabou no sábado, e para partir a viagem de carro ao meio, decidi passar pela Azinha e tentar fazer um pequeno voo no domingo antes de regressar a casa e a mais uma semana de trabalho;
Mas a verdade é que o dia acabaria por me contemplar com umas condições fantásticas que por mais exausto que eu estivesse não me podia dar ao luxo de desperdiçar Eu, o Nuno Virgílio, Eduardo Lagoa, Gonçalo Velez, Carlos Fonseca (manhosos) descolámos mais tarde que muitos pilotos que já voavam pelos vales da Azinha, quando a térmica já rompia bem a inversão dos 1500, descolei e apanhei logo uma que me meteu acima dos 2000, até aos 1500 a coisa estava mesmo mexida , muita porrada, alguns fechozitos, dava para deixar a marca de uma moeda de 2 euros (mas em castanho) no cuecame. Assim que me apanhei perto dos 2200 achei que estava na hora de ir andando para o plano, lá vou eu a caminho da Lardosa, mas assim que passo a encosta da Covilhã fiquei um pouco “barata tonta” e lá tentei um local que me pareceu que iria pingar, um monte ao lado de um aglomerado de casas com um lagozito perto, tinha de dar, mas eu não estava confiante ( e isso é mau) ainda assim lá estava uma bolheca para me deixar subir novamente perto dos 1800, olho para a Covilhã e vejo o Carlos Fonseca a passar e a encontrar uma bela térmiconaça, vou direito a ele sem demoras e quando lá chego já ele estava no tecto e eu baixinho, mas como a coisa ainda bombava não tardei a ficar ao lado dele, olho para trás e vejo que o Eduardo vinha direito a nós, decido esperar por ele, uma excelente companhia de Cross, o Carlos mais impaciente comete o erro de se lançar á frente para o plano, sozinho e não tardou a marrecar passados uns 7-8 kms dali ( cerca de 25-30 da azinha ), eu fiquei no engonhanço e a esperar pelo Edu que rapidamente subiu uns 1000 metros e ficou ao meu lado, arrancamos os 2, ele á frente e eu ( á mama ) até á crista seguinte ( as cristas estavam a funcionar ) ainda bem que esperei, estava numa de apostar no plano tb e iria lixar-me, o Edu faz o favor de me dar boleia até á Gardunha ( eu no encalce dele, sempre á mama ), quando chegamos á Gardunha achei que já estava a abusar da mama e decidi tentar ser útil e apesar de mais baixo sigo sem ir á boleia, a tentar encontrar também uma térmica, para não me sentir tão parasita oportunista, lá consegui desencantar uma, mas o Edu nem me ligou, ele encontrou logo um núcleo melhor e mantinha-se mais alto que eu, olho para a barragem da Lardosa ( era ali o golo ) numa das mangas da Azinha que estão definidas pelo mestre Baía, decido arrancar em direcção a esse objectivo com o intuito de aterrar, eis se não quando vejo o Nuno Virgílio ao meu lado esquerdo em direcção á Lardosa, mas já numa térmica á maneirex tento ir agarra-la, mas chego lá já MUITO baixinho, lá tento lutar para subir e agora motivado a voar mais, pois via o Edu a ir no encalce do Nuno e os 2 a subirem bem, inicialmente penso que eles estão a engonhar a esperar por mim, mas depois apercebo-me que não, que eles iam seguir sem a minha companhia ( buááá ), então pacientemente subo até aos 2500 ou mais e sigo viagem, a sobrevoar a A23, vejo o Edu a aterrar mesmo ao lado da estação de serviço de Castelo Branco, mas como apanho nova térmica que me leva acima dos 2500 não tive duvidas, era para seguir viagem, então sobrevoo Castelo Branco acima dos 2000, e bem abaixo dos 1000 andava um pequeno avião ( avião = é uma merdice que precisa de motor para voar! ) vou seguindo viagem e o vt vai rodando a N e mais tarde NW, sobrevoo o Rio Tejo e começo a identificar o Marvão lá á frente, ao final de quase 5 horas de voo, estava exausto, sem ter posto protector solar, doía-me o focinho do escaldão, começou a faltar-me capacidade física e consequentemente mental para voar mais hora e meia de dia que ainda daria para voar e assim, acabei por nem enrolar a ultima térmica que passei e lá “marrequei” ao fim de 106 kms, numa terra chamada Póvoa e Meadas, ao lado de Castelo de Vide. Ainda tive oportunidade de partilhar uma térmiquita com um abutre já no final do voo, mas o gajo bazou, nem deu para o seguir pois ele foi na direcção errada ( coitado devia estar sem GPS ). Aterrei ao lado de uma estrada ( claro ) com muito cuidado com os fios eléctricos, é do pior, aterrar exausto, se não nos aplicarmos a fundo dá merda mesmo no final !!!!!!!!! Um jeep com um dos bombeiros mor de castelo de vide, disponível para me dar boleia, e agora é que vem o mais incrível : 20 minutos depois de ter aterrado estava com uma cerveja na mão e a minha carrinha e o meu amigo Saiote ao meu lado!!!!!! Não é que este nosso companheiro veio andando da Azinha, ele no meu carro e a Iva no deles, sempre na direcção de Nisa, pois supôs ( e MUITO BEM) que eu estivesse por estes lados. Muito obrigado mais uma vez por esta recolha, que nem na Fonte da Telha é tão rápida, quanto mais ao final de 106kms.
Soube mais tarde que o Nuno Virgilio tinha aproveitado por completo o dia de voo e como piloto de excelência que é fez 160 kms. O Gonçalo “Veloz” fez um belo voo de 96 kms (parece que aterrou para os lados de Mação), o Edu cerca de 60kms,o Carlos Fonseca 25 kms, e bastantes pilotos voaram bastante pelos vales de verdelhos e da amoreira, enfim, um grande dia de voo a partir de um dos locais mais potentes do país.
Neste link podem visualizar algumas fotos dos últimos 15 dias de voo(*): http://paulonunes15.myphotoalbum.com/slideshow.php?set_albumName=album01
Até breve

Paulo Nunes
09.08.2006


(*) S
eleccionei esta:

Azinha-Estremoz, 159 km, 06.08.06

por Nuno Virgílio

Grandes voos no Domingo (Ago 6), apesar do vento Norte-Nordeste, que todos sabemos turbulento e desagradável de voar q.b. Ao sair do interior da serra a coisa acalmou, embora também inicialmente as condições ainda não estivessem completamente organizadas.
Tecto bastante mais baixo que na previsão: a minha média foram os 2200m, com uma ou outra a subir um pouco mais, e na parte final do voo (últimos 40km) nunca passei pra cima dos 1300m. Pelo rádio estava em contacto com o Paulo Silva que tb fez um belo voo a partir de Mação e onde reportou tectos de 2900.
O combinado entre os pilotos na descolagem foi tentar a manga para a barragem de Lardosa, perto de Castelo Branco, e vários conseguiram. Ao chegar apanhei a melhor térmica do dia, que me distanciou do Edu e do Paulo Nunes, e lá continuei sozinho (Confirma-se o mito que no golo sobe-se sempre).
Já conhecia parte da rota, de um voo no ano passado, onde fikei perto de Nisa, e lembrava-me das estradas com longas rectas e
planície aberta a perder de vista. Muito seguro e fácil para recolhas, forcei a rota para lá, pq não me apetecia andar kilómetros debaixo dos 40º que estavam, em caso de marrecanço.
De novo confirmei o visual de cortar a respiração por cima das Portas do Ródão, onde um grupo de abutres se me juntou. Um deles fez-me o especial favor de largar uma cagadela em cima, por isso afastei-me deles entre insultos e gargalhadas - parecia um malukinho, a mandar vir com um bando de pássaros, como se o ar fosse o meu elemento natural e eles estivessem ali a mais
A partir daí foi sempre "segue-segue, recto, num-bira". Com a tal situação de não subir muito, mas tb não descer, parecia deslizar numa almofada de ar quente - à excepção de um ponto baixíssimo por volta do km 120, onde estive quase a aterrar num campo cheio de touros.. acho que isso foi a motivação pa subir de novo, e lá fui.

Deu pa confirmar várias teorias clássicas co cross-country:
-O sotavento das aldeias funciona sempre
-As barragens são tiro certeiro
-As florestas, ao final do dia, não falham, com a restituição
-Os campos com touros tb bombam bem (ou não...)

Resumindo, esgotei o dia, aterrei quase ás 20:00h e pouco depois de caminhar até á aldeia mais próxima (st. Amaro, já bastante perto de Estremoz), anoiteceu. Penso que saindo uma hora, talvez antes, mais cedo, num dia com nuvem, seja possível um vôo realmente grande, por esta rota, que me parece muito boa mesmo, pelos acessos e povoações bastante próximas umas das outra. Évora é logo ali!!
-A "travessia dos 3 rios" foi cumprida em parte, uma vez que no sábado não deu pa grandes esticanços... o Zêzere e o Teja já cá cantam, o Douro fica prá próxima.
-Mudei um pouco a ideia que tinha dos Alentejanos: ninguém deu boleia a um pobre piloto, exausto, transpirado e com uma mochila enorme e pesada ás costas... mas radiante e feliz da vida ;)

Ainda não consegui pôr o voo na LigaXC, mas podem entretanto ver aki os detalhes:
http://www.paraglidingforum.com/modules.php?name=leonardo&op=show_flight&flightID=3225

Nuno Virgílio
08.08.06

Sábado, Agosto 05, 2006

Redinha-Tancos, 55 km


por Roque Santos

No passado dia 5 de Agosto efectuei um voo de distância entre a Redinha e Tancos. A distância em si, 55 Km linha recta e 60 Km OLC, não tem nada de especial se a comparar-mos com as distâncias efectuadas pelos nossos "tubarões" do XC, mas, para mim teve um gosto especial por ser o meu próprio recorde pessoal e pelas condições em que o mesmo se realizou, ou seja completamente a solo, sem qualquer preparação prévia de recolha e assistência e sem conhecimento prévio do trilho e do mapeamento das térmicas utilizadas.

A Redinha é um local de voo que, juntamente com a Azinha passe o exagero, se destaca completamente de todas as outras que conheci neste país, que não são muitas, devo confessar.
Se na Azinha se pode voar e praticar XC como se faz lá fora nos Alpes e outros locais típicos de alta montanha. Podemos também aí sentir o que são as grandes térmicas que nos podem levar rapidamente da descolagem a alguns milhares de metros de
altura como se fossemos autenticas "balas de canhão". Podemos também marrecar quando, na maior parte das vezes por nabice, entramos numa descendente irrecuperável e aterrar numa encosta qualquer próxima do skiparque, como já a mim me aconteceu.
Na redinha é diferente a dimensão do voo. É um local pequeno, com pouco desnível (cerca de 150 m), orientado a NW. Aqui a particularidade é que há quase sempre sustentação com ventos fortes ou fracos, quer seja térmica, termodinâmica ou apenas dinâmica ou mesmo com ventos lisos tal como na praia. Dependendo da hora de voo e das condições do dia. Quando há calor e o vento NW ou W se associa, não temos os tiros de canhão da Azinha mas temos mais um tipo de tiros de metralhadora pesada que não é mais que o vento associado à térmica, ininterruptamente. O vento térmico sopra então furiosa e até temerosamente na descolagem. No ar faz-nos subir e descer como numa montanha russa ou pior ainda como se estivéssemos dentro de uma máquina de lavar, por vezes sem conseguir atingir alturas que nos permitam pôr rapidamente a salvo.
A não ser que o dia seja muito bom, é difícil fazer mais que 400/500 metros acima da descolagem.
Outros dia há que até se conseguem fazer uns tectos jeitosos na ordem dos 800 a 1200 metros que dão para sonhar com outros voos mais distantes.
O local também não é por si só muito convidativo ao XC por, as supostas trajectórias de voo sobrevoarem quase sempre zonas que, ou por serem muito arborizadas ou por serem muito irregulares ou por ausência de espaços abertos são quase sempre pouco adequadas e convidativas à aterragem inopinada.
Foi num destes dias que me propus a efectuar um voo de distância. Térmica azul, o vento estava NW fraco, a temperatura rondava os 37º. O tefigrama indicava um teto previsto para 2500 m com um bom gradiente térmico.
Primeira tentativa cerca das 14H00. Aproveitei a influencia da brisa de este e quando o NW não se fazia sentir ainda, tentei uma descolagem na esperança de encontrar um térmica suave, E encontrei de facto mas estava "invertida", pelo que quase empinheirei directamente nas árvores que ficam mesmo por baixo da descolagem. Passei com os pés a rapar nas mesmas e lá consegui aterrar à tanga na nova aterragem que apesar de tudo ainda deve distar para aí 1,5 km, com as curvas todas é claro, da descolagem.
Sem qualquer assistência, abandonei o material e desloquei-me a pé à descolagem. Trouxe o carro para baixo, carreguei de novo o material e desloquei-me de novo para a descolagem.
Eram cerca de 15h15 quando fiz a derradeira tentativa. O vento NW e a térmica à mistura já faziam sentir os seus efeitos na rampa. Com muito esforço lá consegui atingir os 800 m numa térmica esquisita que teimava em deslizar como uma cobra ao longo da crista. Atingido o teto útil derivei sempre sobre a crista do monte à sorte e ao que desse e viesse. O vário começou então naquele triste e lamuriento som de perda que não mais parava, até que mesmo ao final da pequena cordilheira, já com os pés quase a tocar no chão, encontrei as primeiras bolhas térmicas consistentes como até então nunca tinha sentido.
Subi, subi e, qual o meu espanto quando olho para o Flymaster e vejo mais de 2000 metros de altura. Isto já próximo da vila de Ansião. Com teto atingido a cerca de 2500 metros, continuei a derivar em direcção a Alvaiazere. Passei a perder sobre as três eólicas que estão no monte anterior à vila e, ainda sempre a perder, apontei em direcção entre a vila e a descolagem no intuito de aterrar na vila se estivesse demasiado baixo ou passar sobre a descolagem de Alvaiazere se ainda tivesse margem de manobra. Optei pela segunda alternativa e em boa hora o fiz. Passada quase toda a rampa de Alvaiazere a baixa altura e a perder, já mesmo no final consegui engatar mais uma térmica consistente que me levou a mais de 2500 m. Segui em direcção a Tomar. Ao longe via já o rio Tejo e a cidade do Entroncamento. Não havia quaisquer nuvens no céu, mas um forte cheiro e uma ténue nebelina provenientes da fumaça dos incêndios que, havia alguns dias, lavravam na região de Proença A Nova, arranhavam-me os brônquios e a garganta e propagavam-se no céu, tapando parcialmente os raios solares e fazendo baixar a temperatura ao nível do solo, matando assim as térmicas, muito antes das horas que um dia de calor intenso como este faria prever.
Próximo de Tomar, cerca das 17H00 e a perder altura de novo preparei-me para aterrar junto do RI15, quartel onde prestei serviço pouco antes de abandonar a tropa. Quando, mesmo à vertical do dito quartel, sinto começar a soltar-se uma suave e bem vinda térmica que foi o suficiente para me elevar a cerca de 1500 metros e foi quanto bastou para percorrer o lanço até junto à ex Base Aérea Nº3 onde me fui encontrar com os meus companheiros pára-quedistas em actividade que ficaram incrédulos quando lhes disse e mostrei no GPS a distância e alturas percorridas, mostrando eles alguma dificuldade em acreditar ser possível voar assim sem qualquer ajuda motorizada. Também eu pensava assim mas era num passado recente.
Contacto com os meus amigos das Asas de Pombal Daniel que junto com o Vítor, me fizeram a recolha.

No final não deixei de lembrar, alguns, "os Bons" amigos, com quem partilhei momentos de voo e adquiri conhecimento ao longo dos cerca de 3 anos e meio que tenho de prática de parapente, para poder agora aventar-me a estas fantásticos e inesquecíveis aventuras, de onde destaco, em particular, o Vítor Baía que me facultou, praticamente de borla, um manancial de informação e formação, na área da técnica de voo em térmica e em particular na meteorologia, de valor inestimável que contribuíram fortemente para o melhoramento da minha técnica e performance e para o incremento da segurança de voo.

Dados do voo:
Duração do voo 2:29:47
Distancia linha recta 55.90 km
Media 22.39 km/h
OLC Distancia 60.49 km (24.23 km/h)
Max velocidade 91.65 km/h
Max vario 11.5 m/sec
Min vario -4.5 m/sec
Max altitude (ASL) 2903 m
Altitude da descolagem (ASL) 372 m
Min altitude (ASL) 153 m

Roque Santos


"Encontra alguém que fique satisfeito com a tua felicidade e encontrarás um amigo"

Segunda-feira, Junho 05, 2006

Montanchez Report






por Paulo Reis

No Domingo, quatro parapentistas esperançados na possibilidade de um voo jeitoso, combinámos uma saída prevista de Lisboa às 8.00h. Fizemos 300 kms de carro em direcção a Montanchez, um local que nenhum de nós conhecia para participar na prova da
Liga Extremeña y Campeonato de Extremadura.
O Gonçalo Velez tinha ido para La Parra no dia anterior e disse-nos que a prova desta Liga ia partir deste desconhecido local (um pouco mais distante) no Domingo. O Gonçalo já tinha feito um voo de mais de 30kms no Sábado a partir de La Parra (a 3ª melhor distância do dia), tendo dois Espanhóis feito cerca de 90 kms.
Partimos de Lisboa depois de atrasos diversos e atribulações! O Lacerda perdeu a chave da moto e estava a
stressar pois estava com a chamada termiquite (fome de térmica) e não tinha meio de transporte! Lá resolvemos a cena, atravessámos o rio, encontramo-nos como o Eduardo Lagoa e seguimos viagem no "carro maricas" que abre as portas quando o dono chega perto. É do tipo animal doméstico que reconhece o dono!
Chegámos a Montanchez, inscrevemos-nos na Liga, preenchemos uma catrefada de papeis de inscrição (ou seja nome, e-mail e telefone num "Post-it" amarelo), decarregámos as balizas num banco debaixo de uma arcada, fomos bem acolhidos como sempre pelos nossos amigos espanhóis e seguimos nas carrinhas deles para a descolagem!
Defeniu-se uma manga em direcção a Cáceres e golo a 60 kms numa povoação que não me recordo do nome! Descola primeiro o Super Driu e anda a sofrer bastante tempo com dificuldade em enrolar "rôlos" de jeito! Emseguida descolam mais dois fusíveis e as coisas começam a compôr-se.Descolei junto do Eduardo Lagoa e subimos até aos 2100m e "amandá-mo-nos" para trás do monte! Os primeiros 5 kms foram difíceis e os "rolos" eram muito turbulentos, estranhos e não se conseguia centrar nada de jeito. Descolei stressado com a asa, pois este era o meu segundo voo em térmica com uma asa que não conheçia e tinha levado umas valentes estaladas (assimétricos e fronta
is na tromba porreiros para me borrar todo) naAzinha no fim de semana passado e estava apreensivo! Aumentei e redistribuí o lastro que tenho de alombar comigo e ajustei a selete depois do voo da Azinha e agora parece uma asa diferente! É fantástico como pequenos ajustes podem fazer toda a diferença do mundo! E como uma asa passa de besta a bestial em poucos dias! Ehehehe!!! Estava nitidamente com um problema de pouco peso!
Aos 10 kms estive baixo mas vi um Dust e fui caçá-lo a segurar o Tchan! Andava ainda a tentar perceber a asa e a senti-la! Subi e encontrei-me com o Eduardo e seguimos rumo a Cáceres. Antes de Cáceres, depois de enrolar no sotavento de um monte, tomámos opções diferentes. Ele seguiu pela direita de Cáceres e eu pela esquerda, pois via-o a cair que nem uma pedra. Apanhei uma confluência e ia a boiar por ali for
a aos 2000m. Entretanto tínhamos de mudar de rota e seguir a estrada em direcção Porto de Espada (mais ou menos) pois tudo à volta era desértico e voltamos a encontrar-nos mais à frente. Basicamente fizemos o voo ao contrário do voo tradicional de Porto da Espada! Nesta altura, já levávamos cerca de 2.30h de voo e tínhamos coberto poucos Kms, pois não havia vento em altitude, demorávamos muito a subir nas térmicas inconstantes, maradas e secas, céu azul sem núvem, era trabalhoso ir andando em frente e muitas vezes tínhamos de esperar um pelo outro com muita paciência (algo que não abunda muito aqui para os meus lados)! Só pensava que se tivéssemos a ajudinha de um ventito de cauda (bastava apenas 15kms) hora podíamos facilmente fazer muitos (muitos) mais kms!
Depois de Cacéres foi fixe! Senti-me uma ave de rapina a caçar térmicas e parecia que estava a viver um sonho acordado! Apanhava as térmicas e as águias vinham ao meu encontro em todas as térmicas que encontrava e eu dava-lhes ratada (estou a exagerar)! Ahahahah!!! Esta parte do voo passou muito rapidamente e após 3.30h achei que chegava e decidi aterrar, mas surpresa
das surpresa apanhámos uma termiconazonazinha com bué núcleos, poeira a subir, águias a dosi trapos com fios a subir.Finalmente conseguimos chegar ao tecto do dia pela primeira vez ao longo de todo o voo a cerca de 2700m. Separámo-nos um pouco de novo e fui feliz uma vez mais na linha que escolhi e vi o Eduardo a cair que nem uma pedra de novo. Com 4.00h de voo e aos 2.000m decidi que chegava e ia aterrar onde quer que o Eduardo aterrasse pois achei que ele estava demasiado baixo. Claro que andei uns kms em frente e depois regressei para tráspara aterrar pois ainda tinha muita altura! O Eduardo continuava a lutar e a subir e nesta altura passei ao lado dele a espiralar para baixo para aterrar na única povoação num raio de 20 kms. O Eduardo fez mais uma térmica e aterrou junto à estrada perto de Valença de Alcantara! O meu Compeo (para não fugir à regra)ficou todo marado e não tenho o Track Log para poder compartilhar convosco, mas o Eduardo Lagoa fez 96 Kms e eu devo ter feito 92! Foi um voo muito trabalhoso e de adaptação à Magic 4 que parece um camião a pilotar (tendência das novas asas alongadas actuais), mas voa muito!
O resto do pessoal também voou bem. O Lacerda e o Gonçalo Velez ficaram em Cáceres (entre 40
e 50kms???) o Super Driu deve ter feito 60 kms??? O António Aguiar andou a curtir aos 2700m bastante tempo e sacrificou-se a aterrar para fazer as recolhas ao "people".
Ainda jantámos todos na Tasca do "Xico José" em Porto da Espada e chegámos a Lisboa às 1.30h da manhã! Conseguimos a brilhante proeza de sermos parados por 3 brigadas de trânsito, apanhar duas multas, uma em Espanha por parar à beira da estrada e consultar o GPS nas recolhas e outra em Portugal por não parar num sinal de STOP em Castelo de Vide que estava escondido por uma árvore à meia-noite!
Aparte dos incidentes que fazem parte da aventura, foi um belo dia de voo para todos e os espanhóis foram muito porreiros e ainda ajudaram a coordenar as recolhas!


05.06.06

fotos: Andrés Sánchez

Mais fotos e classificações

Terça-feira, Maio 23, 2006

Liga Espanhola, Castejón de Sos, Mai 11-14

por Nuno Gomes

Como é do conhecimento geral, realizou-se entre 11 e 14 de Maio, uma prova do Circuito Nacional de Parapente de Espanha, em Castejon se Sos. Inesperadamente, deslocaram-se a esta prova 8 pilotos Portugueses, onde participaram no total 78 pilotos. O balanço foi positivo, pois para além do divertimento e da possibilidade de evolução, a prova acabo
u bons resultados dos Portugueses, ficando um deles (Cláudio Virgílio) em terceiro lugar da geral. Podem ver as classificações em
http://www.aerofly.es.

Informação Geral


Castejon de Sos é um pequeno "Pueblo" espanhol no coração dos Pirinéus. Uma vila simpática, com um povo relativamente acolhedor, que vive do turismo de Aventura com destaque para o Parapente. Para além do parapente é ainda possível voar de avião, o
u ultraleve, a partir do aeródromo local, fazer BTT, percursos pedestres, assim como outras actividades similares. Muito perto, em Sort, estão ainda disponíveis actividades em águas bravas, como Rafting, HidroSpeed, Canyoning, etc (espectacular).
A oferta hoteleira não é de muita qualidade, mas os preços nesta altura são acessíveis. Os Portugas ficaram todos nuns bungalows existentes no Parque de Campismo, com capacidade para 6 pessoas e pelos quais se paga 50 "erois" por
dia (não são
muito bons, mas também não são maus). Em termos de comida é possível comer relativamente bem á volta de 12 euros.

Coisas Boas


Costuma-se dizer q
ue, dando para voar, um parapentista está sempre bem. Mas neste evento posso dizer que se esteve muito bem. Para além de se voar nos 4 dias, apesar da chuva na manha do terceiro dia, houve vários factores que realmente contribuíram para a boa disposição dos Portugas.

- O ambiente entre os Portugas foi muito bom. Voamos juntos, divertimo-nos juntos, etc, e tudo correu pelo melhor.

- O lugar, como sítio de voo
é fantástico. Verdadeira alta montanha, com térmica qb, alguma porradinha a fazer lembrar a "mama", brisas, vales profundos a acabar em rios, vales mais largos com grandes campos relvados e tudo a funcionar como diz nos livros.

- O acolhimento dos pilotos Espanhóis foi fantástico. Bastante curiosos com a nossa presença, a maioria dos pilotos esforçou-se para qu
e nos sentíssemos em casa. De realçar a humildade de alguns
pilotos mais conhecidos como o Xevi Bonet, o Ramo
n Murrillas, Larry Pino, Guillermo Armas, só para referenciar alguns. Não foram poucas
as vezes que nos tentaram transmitir informação acerca das condições do local, as térmicas de serviço, os trajectos mais comuns, etc, isto apesar do ambiente competitivo que vivíamos. De facto os nossos "hermanos" apesar
de intrigados com o que nós andamos a fazer comportara
m-se acima das expectativas. Cá os esperamos para retribuir...

- O nível da prova foi muito elevado, com a quase totalidade dos bons pilot
os espanhóis presentes. Do ponto de vista formativo foi excelente com mangas rápidas, e muito técnicas. Qualquer decisão errada poderia por um piloto no chão.

Coisas Menos Boas

Como sempre, nem tudo foram rosas. Algumas coisas, essencialmente a nível organizativo não estiveram bem.


- Os horários raramente eram compridos.

- Os briefings eram só na descolagem, e sem aviso prévio. Aconteceu estarmos todos na conversa e de repente sermos os únicos na descolagem porque o briefieng tinha começado sem aviso notório. Depois, chegados ao briefing, descobrirmos que a janela de descolagem abria pas
sados 5 minutos e o Start passados 10 minutos (Estão a ver o stress...). Aliás, isto do stress esteve presente em todas as mangas, porque entre o briefing e abertura da janela não passavam mais do que 10 a 15 minutos. Resta a desculpa que houve sempre alguma pressão devido ás condições meteorológicas, nomeadamente pela possibilidade de ocorrência de desenvolvimentos.

- As recolhas funcionaram um pouco mal. Na última manga por exemplo, estivemos 2h30 á espera de ser recolhidos. Isto até que poderia ser desculpado, se não estivéssemos no golo.


- Para além das falhas nas recolhas, não houve tshirt, nem lanches, nem água e o jantar foi substituído por um beberete. Para quem n
ão sabe a inscrição nos 4 dias foi de 100 euros.

- Menos importante, e mais a ver com questões pessoais, também dispensava os "Ground Start" e as "pernas" contra o vento.

Relativamente á prova


Como podem verificar pelas classificações, realizaram-se 3 mangas (38, 50 e 62 km). Todas as mangas valeram mais de 900 pontos, o que demonstra a competitividade da prova. As mangas foram extremamente interessantes, com passagens fantásticas ao lado de paredes verticais com 600m e a 2600 m de altitude, ou sobre rios em vales 1000 m abaixo. Também foi possível voar com abutres e outros pássaros de grande porte e sempre acompanhado por muitos ouros pilotos.


1ª Manga -
Realizou-se na quinta-feira, após uma viagem de 12 horas e 3 ou 4 horas de sono. Para que nos mantivéssemos acordados, foi de longeo dia mais potente, com nuvens qb, e algumas a ameaçar transformarem-se
em
congestus. No fim do dia houve mesmo trovoada. O meu vário passou +8 maisdo que uma vez. Houve relatos de térmicas para além dos +10. Térmicas destas associadas a algum vento em altura, podem ser engraçadas. Foi defacto um bom teste á minha Tycoon (ticón para os espanhóis), que por vezesparecia mais um touro enraivecido. Foi necessário domar o bicho e manter o sangue frio. Esquecendo a parte menos boa, a manga
foi muito bonita. Tudo se decidiu antes do km 20 com a passagem do Torbon, um monte com mais de 2700m (é provável que o nome não esteja escrito correctamente). De facto a passagem foi feita por um planalto entre o Torbon e outro monte. Dada a potência do vale que se seguia, o ven
to ficava forte de frente. Era necessário passar muito alto junto á nuvem.
O Cláudio, o Cristiano, o David e eu, optámos juntamente com mais alguns espanhóis por passar junto ao monte Torbon. Essa veio a revelar-se uma boa opção. Os restantes Portugas e a maioria dos Espanhóis não conseguiram passar. Após a passagem do Torbon a coisa foi mais fácil, apenas com uma passagem bastante difícil, em que o pessoal após passar um grande vale, ficou baixo e teve de subir numa térmica muito forte e turbulenta agarrada a uma parede um pouco assustadora. A parte final foi muito rápida, a ser necessário carregar no pedal a sério p
ara não perder o grupo. O Cláudio carregou tanto que falhou o golo por centenas de metros. Eu e o Cris chegamos sãos e salvos.


2ª Manga -
Devido ao vento e probabilidade de trovoada foi marcada uma manga curta dentro do vale de Castejon. Após um Ground Start os Portugas conseguiram arrancar muito bem colocados. Infelizmente, após a primeira baliza, que ficava no vale, o vento ficava de frente eforte. As condições naquele momento também ficaram fracas e a grande maioria dos pilotos acabou por ficar por ali. O Cláudio, conseguiu chegar novamente á encosta, subir e iniciar a perseguição a um grupo que já setinha safado. Pelo que me foi dado a perceber a partir dai as condições melhoraram, e
apesar do vento, o pessoal conseguiu chegar ao golo. O David, que inicialmente se conseguiu aguentar também chegou ao golo (Parabéns). De referir, que entretanto os marrequeiros se reuniram numa boa esplanada a beber umas "canhas" e puderam assistir a uma cena fantástica, em primeira linha. Vinha o Ramon Murillas a chegar ao golo,tão descontraído que até tirou o acelerador. Entretanto o Bitoque Cláudio, que vinha logo atrás de "pata" a fundo, passa alguns metros acima do Ramon a todo o gás. Quando se apercebeu do vulto, o Ramon ainda meteuacelerador, mas foi tarde de mais. Escusado será dizer que foi o delírio da pequenada e razão para beber mais umas quantas canhas.

3ª Manga -
O céu estava completamente coberto por nuvens altas, não augurando nada de especial. Também estava previsto algum vento. Todos estávamos convencidos que a haver manga, seria uma marreca. Afinal foi precisamente o contrário. Marcou-se uma manga de 50 km a favor do vento. Após alguma dificuldade na primeira térmica o dia foi uma surpresa, apesar de se manterem as nuvens. Como dizia um espanhol "...isto funciona sempre...", e funcionou. O tecto estava baixo, com a base das nuvens abaixo dos picos mais altos. Mas subia-se por todo o lado, e se nos distraís
semos entravamos pelas nuvens dentro. Algumas nuvens estavam ameaçadoras. Eu nunca tinha andado tanto tempo de orelhas, mas era a única maneira de meter acelerador sem grande stress, e ao mesmo tempo evitar ser "sugado". O voo foi incrível, com quase todos os pilotos a avançarem em fila, passando monte, depois vale, depois monte, e assim sucessivamente até ao golo. Resultado, quase 30 pilotos no golo, dos quais 5 Portugas. Um
voo de gás á Tábua, com 50 km em menos de 1h30, poucas enroladelas, muito acelerador, e os primeiros 20 no golo a chegarem em 10 minutos. No meio ainda houve algumas aventuras, mas fica para contar no café....

Nuno Gomes

23-05-06

Quarta-feira, Maio 17, 2006

Recorde de Mondim, 90 km

Recorde de Mondim
Sra. da Graça – Alfandega da Fé: 90km.
06.05.06, descolagem: 14h, aterragem: cerca 18h.

por Helder Andrade

Olá amigos,

Nunca tive muito jeito para a escrita mas como este voo só foi possível devido a vários factores como por exemplo relatos de voos de outros pilotos com os quais se aprende muito, então também eu devo partilhar o meu voo, e os fóruns são claro um bom local para partilhar experiências.

Então é assim, eu e o Daniel de Coimbra no dia anterior combinamos tentar sair em distancia pois o dia parecia ser interessante para tal, o Daniel chegou a descolagem ao meio dia e enquanto comia alguma coisa foi observando as condições atmosféricas, pelas 13:00 saio do trabalho e no restaurante enquanto como uma sopa, uma salada de fruta e três copos de sumo de uva, na brincadeira convenci um amigo que ali jantava a ir recolher-me a Torre de Moncorvo terra onde ele nasceu embora esteja agora a viver em Mondim, bom Moncorvo porquê?, já algum tempo que estava na minha cabeça que com vento noroeste ia tentar Moncorvo com vento de oeste tentava Mirandela ou Bornes e Sul Chaves ou Montalegre.
Chego a descolagem e claro o Daniel já tinha uma boa ideia do que se estava a passar no local, bons ciclos térmicos alguns cúmulos mas só em cima da descolagem, para trás céu azul a indicar ainda fraca actividade térmica, mas com o vento a aumentar decidimos descolar e aguentar ali por cima, em poucos minutos estávamos no teto+ -1700m, o Daniel depois de ter entrado na nuvem saio com o noroeste e logo depois deixei de o ver, eu como a experiência é pouca tinha decidido que quando volta se a sair em distancia iria tentar explorar cada térmica ao máximo andar o mais colado possível as nuvens para poder realizar as transições com mais certeza (aprendi esta parte nos vídeos VENTUS parapente Team)e assim fiz até à parede de Macieira 10km, só que dali para a frente nada de cúmulos e estando eu na entrada do planalto apenas com cerca de 300m a cima deste e sabendo que tinha mais ou menos 12km até a próxima parede que até parecia-me montada uma estrada de nuvens dai para a frente penso para mim, não tenho sorte nenhuma e não tenho nenhuma hipótese de lá chegar mas para o chão não vou e andei ali a engatinhar durante 15minutos sempre debaixo da nuvem, entretanto começo a observar pequenas sombras pelo planalto adiante, claro eram cúmulos em formação, ora embora agora estando com cerca de 400m em cima do planalto com + -8km de comprimento, pensei é esta a oportunidade de tentar passar o planalto e chegar a próxima parede e assim fiz, com muita paciência e muito devagar lá fui atravessando embora consciente que qualquer térmica mal aproveitada e dado a altura que estava do solo , iria para o chão o que não era nada agradável pois tinha uma ou duas horas de mochila as costas até a próxima povoação, depois de passar o planalto com pouca altura foi como um prego, pensei novamente tanto esforço para nada mas lembrei me já vi "malta" que enquanto não tem os pé no chão não desiste, vou tentar fazer o mesmo, já com cerca de 100m do solo no meio do vale(Vila Real - V.Pouca) decidi apontar a um sitio que me pareceu poder ter térmica e bingo lá estava ela até andei ao para trás, enrolei e pouco depois estava encima da serra da Falperra, aguentei ali em termodinâmico por vezes quase parado até parecia uma águia a observar a presa, a térmica lá acabou por se soltar e a partir dali sempre a aproveitar a térmica ao máximo e seguir os cúmulos que iam rebentando a minha frente, que por vezes demoravam a aparecer e como não queria arriscar nenhuma transição pois até perto de Vila Flor o teto andava pelos2000m de altitude tive que permanecer por varias vezes no mesmo sitio e por vezes recuar mas tentando estar sempre o mais perto da base da nuvem para manter sempre uma boa altitude, entretanto chego a Vila Flor onde avistei vários pilotos a voar perto da Serra de Bornes, e pela minha frente tinha agora duas estradas de nuvens, uma em direcção aos pilotos que avistava e outra parecia-me em direcção a Moncorvo mais propriamente Carvissais, bem decidi me continuar em direcção ao objectivo que embora um pouco na brincadeira me tinha proposto, que era a terra do meu amigo Tomé(Torre de Moncorvo),mas quando comesse a atravessar o Vale da Vilarissa começo a notar o vento mais forte e observo uma estrada de nuvens com direcção Moncorvo Freixo, e estas com algum desenvolvimento e a indicar vento com alguma intensidade, bom vou deixar Moncorvo para outra oportunidade, e comecei a rumar novamente na direcção que trazia antes, passo ao lado esquerdo de Alfândega da Fé e vou até cima do rio sabor mas com o vento a aumentar e a começar a estragar tudo pensei, para mim são mais alguns km mas para a recolha podem ser mais uns 30 ou 40, optei então por ficar do lado de cá do rio onde acabei por aterrar na aldeia de Vilar Chão.

Já me disseram " agora ficaste com estatuto...agora só vais voar quando der distancia ", claro que é a brincar mas vou dizer aqui o mesmo que respondi a essas pessoas minhas amigas, em primeiro não é nada que qualquer piloto com alguma experiência, se tentar não possa conseguir (o Paulo Belo de Vila Pouca já o fez por varias vezes e distancias maiores),e se pensarmos nos 380 do Diogo!!, segundo, hoje fiz 90km amanhã posso nem conseguir fazer 9km, terceiro, marrecas ? Isso já não é para mim!, quem pensar assim não vai longe porque em minha opinião para se voar melhor e realizar bons voos é preciso treinar muito, fazer muitas marrecas falhar muitas térmicas etc. etc.

Aqui fica o meu voo, para mim muito lindo claro, que embora a fazer distancia g
ozei muito a paisagem e o passeio.

Bons voos,
Hélder Andrade

Sábado, Dezembro 31, 2005

Para Onde Foram Todos?!



por Álvaro Segadães


Corria o ano de 2006

As memórias de um verão quente e de ventos fracos, preenchiam a alma, tranquilizavam o espírito. Como se tivesse sido ontem... os grandes voos, a térmica potente e suave. O Agosto ia longe, mas as memórias continuavam frescas, quase palpáveis.

O som intermitente do vário, permanecia nos ouvidos e acompanhava o nosso próprio respirar soando nítidamente a cada inspiração, e calando-se quando, de um sopro só, expelíamos o ar dos pulmões.

Aquele som omnipresente que nos acompanhava até durante o sono, e que nos proporcionava manhãs descansadas e sorridentes.


Como tinha sido bom ouvir o vário acompanhar as espirais ascendentes da nossa nova companheira, trepadora de térmicas. Nunca se tinham visto tantas asas novas, como neste verão de 2006.

Parecia que, de repente, toda a gente tinha decidido ter chegado a altura de dar um passo m
ais e passar ao modelo seguinte, mais avançado, mais exigente também. Alguns trocaram de marca, outros apenas de modelo.

As performances das novas asas permitiram-lhes, em qualquer dos casos, bater marcas pessoais, de altitude, de permanência e de distância. Os cursos nível IV de Março e Junho, trouxeram sangue novo às serras e garantiram uma temporada sem acidentes.

Pilotos e instrutores eram unânimes na sua apreciação: 2006 foi, até agora, o melhor ano para o Parapente Português!

Que saudades, do verão passado...


Outubro passou, também. Este início de Novembro trouxe-nos, felizmente, sol e vento fraco. Quente, para a época. Condições para recordar, voando bem. Nada como o verão mas, ainda assim, excelentes condições de voo: tecto alto, cúmulos dispersos... a merecer sacrificar uma semanita de férias.

Domingo, manhã cedo, descolagem sul, no Larouco. Vento NW-3 Km/h.
Esperar que aqueça e que apareça mais gente, com um dia destes...
11 horas, vento SSE-8 Km/h, formam-se os primeiros cúmulos, discretos.
11h45, os ciclos são agora regulares. Ao alcance da visão, 3 cloud-streets, bem alinhadas, paralelas, a perder de vista... Mas, porque raio é que não aparece ningu
ém?





















Que é que estes gajos daqui, sabem, que eu não sei? Onde é que se meteram todos? Porque é que não vêm voar? Afinal, é domingo! Um dia destes...


Não descolo. Vou à descolagem Norte, com o carro a bater em tudo que é pedra, furioso. Ninguém. Só as mangas, tristes, caídas... Que se passa?

Chamo por rádio... silêncio. Nada. Resposta, nem em Português, nem em Galego...

Arranco para Moncorvo... ninguém. Nem uma asa no ar, em todo o caminho. Corri todas as frequências de rádio que conhecia e, nada. Bornes, Macedo, Mirandela... igual. A esta hora, não admira, quem quer que tivesse descolado, fê-lo mais cedo. Como é que fui perder o telemóvel, logo numa altura destas...

Estarão todos fartos de voar? Fartaram-se no verão?


Durmo, em Mirandela. Melhor, alugo um quarto em Mirandela. Como agora cada um tem o seu fórum, passo a noite a percorrê-los à procura de alguma notícia, algum encontro de que eu não soubesse? Nada, não havia mensagens recentes em nenhum deles. Vá lá, que as previsões continuam excelentes, para os dias seguintes.

Segunda-feira. Parto cedo, para o Sameiro.
A placa à entrada do Parque quase me põe a chorar:
“ Escola de Parapente – Reabre em Dezembro “

Em Dezembro? Estamos no início de Novembro, uns dias assim...
Subo à Azinha. Nem os vigias lá estão.

Quatro mangas a rirem-se de mim, bem alinhadas, todas! Estas p... que teimam em estar, quase sempre, uma para cada lado. O vale limpo, vê-
se nítidamente a Torre, a Gardunha, os cúmulos altos, por todo o lado, como que a decorar a paisagem para o Natal que se aproxima...

Mas onde é que se meteram aqueles car... todos? Descolo?
Estou sózinho, sinto-me sózinho. Já cravei o Bruno, uma vez, para vir cá acima comigo buscar o carro... não vou pedir-lhe outra vez.

Linhares, dou um salto a Linhares e voo lá.
Placa, na porta da Escola: “Férias”


Férias? Está toda a gente de férias? Será que a gripe das aves também ataca parapentistas? É uma epidemia? Estou furioso, será um sintoma da gripe? Fui apanhado?

Dia seguinte: Porto da Espada. Ninguém.

Montejunto, Arruda, Arrábida, Loulé... percorri o País todo numa semana, sem voar! O País todo! Sem voar! Nem nas praias, o vento aí era fraco para o dinâmico, mas no interior as condições eram óptimas! Ninguém, não encontrei ninguém!

Sexta-feira, um farrapo, volto a Lisboa feito um trapo.

A FPVL! Lá devem saber o que se passa! Nem telefono, vou direitinho aos Olivais.
Boa, a Secretária está lá.
Nem me deixou abrir a boca:

- Quer informações sobre escolas de Voo Livre?
- Escolas? Não, eu sou piloto, só queria saber...
- Piloto? E está aqui?
- Não devia estar? – pergunto, já com a certeza de que estava a dar barraca.
- Não... bem, pode estar mas...
- Onde é que está toda a gente? Por favor, diga-me: Onde é que está toda a gente? Percorri o...

Olhou-me, bem nos olhos, como se estivesse a falar com um marciano, ou a ensinar a tabuada a um peixe:

- No Ceará, homem! É Novembro! Estão todos no XCeará!

Feliz 2007!

Álvaro Segadães

Quinta-feira, Dezembro 08, 2005

Quem quer voar uma asa de competição?

Na revista Cross Country de Nov-Dez 2005 o Bruce Goldsmith apresenta reflexões sobre quem estará apto a voar asas de competição.
Refere que o aspecto crítico na pilotagem destas asas é ter-se a intuição de controlar o ângulo de ataque da asa num intervalo de O a 15º: se o ângulo de ataque ultrapassar os 15º negativo há o risco de sofrer-se um fecho frontal, se o ângulo ultrapassar os 15º positivo o risco é o de a asa entrar em perda.
Assim, adianta os seguintes critérios como condição para um piloto se iniciar numa asa de competição:
a) Ter um mínimo acumulado de 500h de voo nas mais variadas condições,
b) A sua asa anterior ser dhv 2-3, ou no mínimo dhv 2,
c) Realizar regularmente voos de distância de 50 km no mínimo,
d) Voar pelo menos 100h por ano.
Se o piloto não cumprir todos os critérios enunciados não deverá considerar voar uma asa de competição.
Acrescenta que idealmente o piloto deverá voar 200-300h por ano.
Refere também que a prática recente é muito relevante: se o piloto não tiver voado em condições térmicas nas últimas 2-3 semanas deverá fazê-lo com cautela pois estará algo destreinado. O facto de já ter voado intensivamente no passado mas não o ter feito no último ano, recomenda que recomece com uma asa dhv 2-3 ou dhv 2 para se recuperarem os reflexos e a experiência de voo.

Sexta-feira, Novembro 25, 2005

O XCeará 2005

por Miguel Costa

Olá a todos.
Finalmente tenho algum tempo para dizer algo sobre o XCeará, embora o Gonçalo e o Diogo já vos tenham dado um pouco do perfume...
Queria também antes de mais agradecer a todos pelo apoio e mensagens de felicitações que nos enviaram.
Em relação a esta bela semana que já passou, é de salientar o bom ambiente vivido entre nós, e com todos os elementos, quer da organização, quer entre os pilotos.
Daquilo que já foi dito, alguns dados a reter são:

O vento impressionante, as descolagens hardcore (que se fosse assim cá, duvido que alguém descolasse), a grande possibilidade de se marrecar na 1ª parte do vôo, o sofrimento físico e psicológico de vôos muito longos, o acordar cedo, e pior- deitar cedo, a organização bem preparada, as recolhas a funcionarem com tantos pilotos espalhados por centenas de kms.
É bom recordar o descolar ás 9.15 e apanhar +10 (a térmica mais forte do dia), entubar a 1.300 metros (tecto inicial) e depois sofrer para não ir para o chão durante os primeiros 70 km, fazer muitos kms de nuvem em nuvem, mas tambem muitos no azul dependendo dos dias, passar por vários tipos de relevo e vegetação, e deserto...ah,ah,ah...impressionante a cordilheira que se vê no km 200, onde se vê uma parede até se perder de vista para norte, e para sul, onde se passa para um planalto, e o fim do dia a voar quando se pensa que já não dá mais e fazemos mais 70, 80 kms... e o aterrar , onde não se pensa que existe alguém, e aparecem 200 mininos...
Qua
ndo é a próxima ????


Miguel Costa